A Unilever registou, no segundo trimestre de 2026, o crescimento mais elevado do volume de vendas em mais de uma década e reviu em alta as perspetivas para o conjunto do ano.
As vendas subjacentes aumentaram 5,8% entre abril e junho, impulsionadas por um crescimento de 5,5% em volume e de 0,2% nos preços. A faturação trimestral atingiu 13 mil milhões de euros, mais 3,8% em termos reportados.
O desempenho ficou acima do crescimento de 4,3% antecipado pelo consenso de analistas reunido pela própria empresa. A evolução foi apoiada pela procura em mercados como a Índia, a Indonésia e a América Latina e pelo crescimento das áreas de beleza, cuidados pessoais e produtos para o lar.
Volume impulsiona crescimento no primeiro semestre
No conjunto do primeiro semestre, as vendas subjacentes da Unilever aumentaram 4,8%. O volume contribuiu com 4,2 pontos percentuais e os preços com 0,6 pontos.
A faturação total ascendeu a 25,6 mil milhões de euros, mais 0,5% do que no período homólogo. O crescimento operacional e o contributo líquido das aquisições compensaram um impacto cambial negativo de 4,9%.
As chamadas Power Brands, que representam 78% das receitas, registaram um crescimento subjacente de 6%, com o volume a avançar 5,4%.
“O primeiro semestre apresentou um forte desempenho liderado pelo volume, com uma aceleração significativa no segundo trimestre”, afirma Fernando Fernandez, CEO da Unilever. Segundo o responsável, as marcas estão mais fortes e a execução comercial tornou-se mais eficaz.
Produtos para o lar lideram crescimento
A área de cuidados para o lar apresentou o melhor desempenho semestral, com um crescimento das vendas subjacentes de 7,6%. O volume aumentou 7,4%, apoiado sobretudo pelos mercados da Índia e do Brasil.
Só no segundo trimestre, esta divisão cresceu 9,1%, com marcas como Cif e Domestos a beneficiarem da procura por formatos premium e novas propostas.
A divisão de beleza e bem-estar cresceu 5,9% no semestre, impulsionada pelas marcas Dove, Sunsilk e Vaseline, que registaram aumentos de dois dígitos. No segundo trimestre, a progressão acelerou para 8,1%.
Os cuidados pessoais avançaram 4,8% entre janeiro e junho, com crescimento nas categorias de higiene da pele e desodorizantes. As campanhas e ativações associadas ao Mundial de futebol contribuíram para o desempenho do segundo trimestre.
Negócio alimentar cresce abaixo das restantes áreas
A divisão alimentar apresentou uma progressão mais limitada, de 1,2% no primeiro semestre. O crescimento foi assegurado pelo volume, enquanto os preços se mantiveram estáveis.
A Unilever atribui o desempenho à maior fragilidade dos mercados desenvolvidos e à intensificação da concorrência nos condimentos nos Estados Unidos. A Knorr cresceu a um ritmo reduzido e a Unilever Food Solutions apresentou uma evolução positiva de um dígito baixo.
No segundo trimestre, as vendas subjacentes da área alimentar aumentaram apenas 0,2%, enquanto os volumes recuaram ligeiramente. Este desempenho contrasta com crescimentos superiores a 5% nas restantes três divisões da empresa.
A combinação do negócio alimentar da Unilever com a McCormick continua prevista até meados de 2027. A operação deverá dar origem a um grupo especializado em sabor, enquanto a Unilever ficará mais concentrada nos segmentos de beleza, cuidados pessoais e produtos para o lar.
Mercados emergentes crescem 7%
Os mercados emergentes, responsáveis por 60% da faturação, registaram um crescimento subjacente de 7% no primeiro semestre, com o volume a aumentar 5,8%.
A Índia cresceu 8%, a Indonésia 7% e a América Latina 7,6%. No segundo trimestre, o conjunto dos mercados emergentes acelerou para 8,3%.
Na América do Norte, as vendas subjacentes aumentaram 2,7%, enquanto a Europa recuou 0,9%. O mercado europeu foi penalizado pela menor procura e pela evolução dos preços na divisão alimentar, apesar do crescimento das áreas de beleza e cuidados pessoais.
França, Itália e Países Baixos apresentaram uma evolução positiva, insuficiente para compensar os recuos na Alemanha e na Europa de Leste.
Grupo melhora previsão para 2026
Após o desempenho do primeiro semestre, a Unilever passou a antecipar um crescimento das vendas subjacentes entre 4% e 6% em 2026. Anteriormente, esperava uma evolução próxima do limite inferior desse intervalo.
A empresa prevê agora um aumento do volume próximo de 3%, acima da anterior indicação de pelo menos 2%. Para o segundo semestre, antecipa um crescimento das vendas entre 4% e 5%, desta vez mais apoiado nos preços.
A margem operacional subjacente atingiu 20,3% no primeiro semestre, mais dez pontos base. O lucro operacional subjacente foi de 5,2 mil milhões de euros e o lucro líquido totalizou 3,3 mil milhões de euros, menos 3,5%.
A Unilever concluiu ainda um programa de recompra de ações de 1,5 mil milhões de euros e aumentou em 3% o dividendo trimestral face ao segundo trimestre de 2025.








