Entrega por drone Zipline com saco Uber Eats à porta de casa

Uber quer atingir um milhão de entregas diárias por drone nos Estados Unidos até 2029

A Uber estabeleceu como objetivo realizar um milhão de entregas diárias através de drones nos Estados Unidos até ao final de 2029, no âmbito de uma nova parceria entre o Uber Eats e a empresa norte-americana de logística autónoma Zipline.

O serviço deverá arrancar em Dallas e Houston, até ao final de 2026, e expandir-se posteriormente para dezenas de cidades norte-americanas.

A Uber vai também realizar um investimento estratégico na Zipline, cujo valor não foi divulgado. O acordo representa mais um passo na estratégia da plataforma para construir uma rede de distribuição híbrida que combine estafetas, robots terrestres e drones.

Entregas podem passar de 30 para cinco minutos

Um dos principais argumentos para a utilização dos drones é a redução dos tempos de entrega. A Uber estima que as encomendas transportadas pela Zipline possam ser entregues em cinco a 10 minutos, contra cerca de 30 minutos numa entrega convencional da plataforma. O serviço deverá abranger não apenas refeições, mas também produtos de mercearia e artigos de retalho.

Dara Khosrowshahi, CEO da Uber, considera que a procura dos consumidores por entregas cada vez mais rápidas continua a crescer, justificando o investimento em novas formas de transporte para a última milha.

A integração terá também uma particularidade: será a primeira vez que a tecnologia da Zipline ficará totalmente integrada na aplicação de um parceiro, permitindo ao consumidor recorrer ao drone através do Uber Eats sem necessitar de utilizar separadamente a aplicação da empresa de logística autónoma.

Zipline já ultrapassou 2,5 milhões de entregas

A parceria dá à Uber acesso a uma operação que já funciona comercialmente. Em julho, a Zipline afirmava ter realizado mais de 2,5 milhões de entregas comerciais, das quais aproximadamente um milhão apenas no último ano. Cerca de 70% dos voos da empresa realizava-se já nos Estados Unidos.

A empresa começou por utilizar drones na distribuição de produtos médicos em África e alargou posteriormente o modelo à alimentação, retalho e saúde.

Nos Estados Unidos, a Zipline trabalha atualmente com empresas como Walmart, Chipotle, Little Caesars e outras marcas de restauração e retalho. A empresa tem também vindo a alargar a operação a novas áreas metropolitanas, incluindo Houston, Austin e Cleveland.

O sistema está concebido para transportar as encomendas autonomamente e colocá-las junto do destino através de um mecanismo que permite fazer descer o pedido a partir do drone sem necessidade de este aterrar.

Uber já tinha avançado com a Flytrex

A nova parceria não representa a primeira incursão da Uber nas entregas aéreas. Em setembro de 2025, a empresa anunciou uma parceria e um investimento na Flytrex, naquele que então classificou como o seu primeiro investimento em tecnologia de drones. O objetivo era incorporar as entregas autónomas no ecossistema Uber Eats e desenvolver uma rede multimodal que conjugasse automóveis, bicicletas, estafetas, robots de passeio e veículos aéreos.

O acordo com a Zipline aumenta consideravelmente a escala da ambição. A meta de um milhão de entregas por dia equivaleria, caso fosse atingida de forma sustentada, a mais de 365 milhões de entregas anuais através de drones, colocando esta modalidade muito para além da atual fase de experimentação.

Walmart e concorrentes também aceleram

A corrida às entregas aéreas está igualmente a intensificar-se no retalho norte-americano. A Walmart anunciou em maio ter ultrapassado um milhão de entregas acumuladas através de drones, recorrendo a parceiros como a Wing, da Alphabet, e a própria Zipline. O grupo tinha então operações associadas a 66 lojas em quatro estados e indicava um tempo médio de entrega de 23 minutos.

A Wing e a Walmart estão também a preparar uma expansão que deverá levar a entrega por drone a mais de 270 localizações, com potencial para alcançar mais de 40 milhões de consumidores norte-americanos.

A DoorDash e outros operadores de entrega têm igualmente desenvolvido soluções semelhantes, mostrando como os drones começam a passar dos projetos piloto para uma utilização comercial mais ampla.

A última milha torna-se cada vez mais autónoma

Para a Uber, os drones deverão funcionar como mais uma opção dentro de uma rede em que o meio de transporte poderá ser escolhido em função da distância, tipo de encomenda, urgência e localização do consumidor. A estratégia permite reservar os drones para pedidos onde a rapidez e a distância tornem a solução mais eficiente, mantendo estafetas ou robots terrestres noutras missões.

O objetivo de alcançar um milhão de entregas diárias até 2029 mostra, sobretudo, que a empresa já não olha para os drones apenas como uma experiência tecnológica, mas como uma potencial componente estrutural do negócio de última milha.

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