A Temu, a Shein e o AliExpress concentraram 90,2% do gasto online realizado por consumidores da União Europeia em empresas localizadas fora do espaço comunitário em 2025, segundo uma análise da ECDB.
No total, os consumidores europeus gastaram 55,1 mil milhões de euros em produtos físicos comprados online fora da União Europeia. Destes, 49,7 mil milhões de euros foram captados pelas três plataformas chinesas.
13,1% do gasto online já sai da União Europeia
O comércio eletrónico de produtos físicos gerou 421 mil milhões de euros de despesa na União Europeia em 2025. A maior parte, 86,9%, permaneceu dentro do espaço comunitário, mas 13,1% foi dirigida a lojas e marketplaces de países terceiros.
A China domina claramente este fluxo. As plataformas chinesas receberam 90,2% do gasto extracomunitário, muito acima dos 4,8% dos Estados Unidos e dos 4,6% do Reino Unido.
Portugal entre os mercados com maior penetração
Os dados mostram também uma elevada adesão às plataformas chinesas em Portugal. Cerca de 77% dos consumidores portugueses já comprou pelo menos uma vez em plataformas chinesas de comércio eletrónico, acima da média de 52% registada na zona euro.
A Grécia apresenta 79% e Espanha cerca de 69%, enquanto Alemanha e França permanecem abaixo dos 50%.
Os principais fatores que explicam esta adesão são o preço baixo e a variedade do catálogo.
Maioria das encomendas não ultrapassa 50 euros
As compras realizadas nestas plataformas tendem a ser de reduzido valor. Quase dois terços das encomendas têm um valor igual ou inferior a 25 euros e cerca de 90% não ultrapassa os 50 euros.
Um em cada cinco consumidores afirma ainda realizar compras nestas plataformas pelo menos uma vez por mês.
Peso das compras fora da União Europeia quase sextuplicou desde 2020
O crescimento do comércio eletrónico extracomunitário tem sido rápido. Em 2020, apenas 2,3% do gasto online dos consumidores europeus era dirigido a empresas fora da União Europeia. Em 2025, essa proporção atingiu os 13,1%. A ECDB estima que possa subir para 15,2% em 2026.
A expansão destas plataformas ocorre num contexto de crescente pressão regulatória sobre as importações de baixo valor. Desde julho de 2026, a União Europeia aplica um direito aduaneiro fixo de três euros aos pequenos envios provenientes de países terceiros, estando ainda previstas alterações adicionais no âmbito da reforma aduaneira europeia.









