O apetite dos consumidores britânicos por superalimentos asiáticos está a evoluir de uma fase de descoberta para um novo ciclo de inovação, impulsionado por preocupações com saúde e bem-estar. A conclusão é da GlobalData, que destaca o papel crescente destes ingredientes tradicionais na alimentação ocidental.
Um dos sinais mais claros desta tendência é a pressão sobre a cadeia de abastecimento de matcha. A britânica PerfectTed alargou recentemente a sua rede de fornecimento à China e à Coreia do Sul. Trata-se de uma resposta direta ao aumento exponencial da procura, que já ultrapassa a capacidade produtiva do Japão. Este movimento reflete o crescimento do consumo de bebidas à base de matcha, agora plenamente integradas no quotidiano de muitos consumidores.
Segundo Eve Forshaw, analista de consumo da GlobalData, “a adoção ocidental de superalimentos asiáticos está a crescer rapidamente, à medida que ingredientes tradicionais como o matcha, alimentos fermentados e diversas especiarias se alinham com tendências de alimentação saudável e funcional”.
Saúde e bem-estar influencia consumo
Os dados confirmam esta mudança. Um inquérito da GlobalData realizado no primeiro trimestre revela que 57% dos consumidores no Reino Unido afirmam que o impacto dos produtos na saúde e bem-estar influencia frequentemente as suas escolhas alimentares. Entre as principais preocupações estão a melhoria da energia (36%), da saúde intestinal (33%) e da saúde mental (30%).
No entanto, o sucesso de alguns ingredientes já está a tornar o mercado mais competitivo e saturado. A curcuma e o gengibre são exemplos disso: 68% e 69% dos consumidores britânicos, respetivamente, reconhecem benefícios de saúde associados a estes produtos. Tal cria um ambiente onde múltiplas marcas competem pelas mesmas propostas de valor. O caso da Moju, com os seus shots de gengibre e curcuma, ilustra como formatos convenientes ajudaram a popularizar estes ingredientes.
O mesmo acontece com a matcha. Com 64% dos consumidores a reconhecerem os seus benefícios e apenas uma minoria a desconhecer o ingrediente, este já atingiu o estatuto de produto mainstream. Ao mesmo tempo, multiplicam-se lançamentos em diferentes formatos, desde bebidas prontas a consumir até snacks e sobremesas, tornando o mercado cada vez mais competitivo.

Perante este cenário, a próxima vaga de crescimento poderá vir de ingredientes ainda pouco explorados. Segundo a GlobalData, mais de metade dos consumidores britânicos não está familiarizada com produtos como yuzu, flor de ervilha-borboleta, moringa ou rambutan. Todos estão associados a propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias ou digestivas. Para as marcas, esta falta de conhecimento representa uma oportunidade, desde que acompanhada por estratégias eficazes de comunicação e educação do consumidor.
Eve Forshaw sublinha que, com ingredientes como matcha, gengibre e curcuma já integrados no consumo habitual, “as marcas terão de ir além dos líderes atuais para sustentar o crescimento”. A aposta deverá passar pela introdução de novos superalimentos asiáticos, apoiada por posicionamentos claros de saúde e por uma comunicação capaz de traduzir os seus benefícios para o público ocidental.








