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Regulador exige compromissos extensivos para aprovar a compra da Asda pela Sainsbury’s

A aquisição por parte da cadeia de supermercados britânica Sainsbury’s da sua concorrente Asda não vai ser aprovada pelo regulador da concorrência sem que haja “remédios extensivos“.

A informação é dada pela Tesco, líder do mercado de distribuição alimentar no Reino Unido, que apresentou junto do regulador uma petição a questionar o negócio avaliado em 8,28 milhões de euros. É que a combinação do operador número dois, a Sainsbury’s, com o número três, a Asda, que é propriedade da Walmart, poderá gerar uma entidade com potencial para ultrapassar a Tesco. 

Certo é que, no ano passado, o regulador causou alguma surpresa ao aprovar a compra da grossista Booker pela Tesco sem qualquer condição como contrapartida, como desinvestimento em lojas ou restrições nas suas operações. Tal não significa, no entender da Tesco, citada pela Reuters, que o mesmo venha a acontecer nesta nova fusão. 

A Morrisons, que é a quarta maior retalhista alimentar no Reino Unido, também levantou questões quanto à criação de um “duopólio efetivo” com o controlo de 60% do mercado. “Como resultado da fusão, os preços poderão aumentar em ambas as insígnias, porque significaria a perda da Asda como uma grande força competitiva“, disse a Morrisons ao regulador. Também os fabricantes manifestaram as suas preocupações.

O regulador encontra-se a analisar o negócio, que não será aprovado antes de março de 2019. 

Foi em abril que A Sainsbury’s e a filial britânica da Walmart, a Asda, acordaram a sua fusão, dando origem à maior cadeia de retalho alimentar do Reino Unido. A faturação combinada dos atuais segundo e terceiro maiores operadores de retalho britânicos é de 57.900 milhões de euros, segundo os dados referentes ao ano de 2017. Os indicadores da Kantar Worldpanel indicam que a Tesco é a líder de mercado, com uma quota de 27,6%, seguida pela Sainsbury’s, com 15,8%, e pela Asda, com 15,6%. Nesse sentido, a fusão dará ao retalhista resultante uma quota de 31,4%.

A fusão das duas cadeias, com o objetivo claro de liderar o mercado, permitirá “combinar uma rede complementar de mais de 2.800 lojas Sainsbury’s, Asda e Argos e várias das plataformas web mais visitadas do Reino Unido, para dar mais opções aos clientes através de mais formatos e canais de lojas, com 47 milhões de transações de clientes combinadas por semana”, assinalaram ambas em comunicado. A Walmart irá controlar 42% do capital da nova sociedade, mas contará apenas com 29,9% dos direitos de voto. Receberá 3.377,5 milhões de euros em numerário, o que valoriza a Asda em 8.287,7 milhões de euros, sem ter em conta a dívida.

Não estão previstos encerramentos de lojas Sainsbury’s e Asda no seguimento desta operação, a não ser que o regulador assim o exija. O novo negócio será presidido por David Tyler, presidente da Sainsbury’s. A Asda será gerida a partir de Leeds, pela sua própria equipa de gestão.

O negócio acontece numa altura em que os operadores de discount Aldi e Lidl estão a ganhar preponderância no mercado britânico e no rescaldo da compra da Booker pela Tesco.

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