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Quem ganhou e quem perdeu com o confinamento?

O confinamento revelou-se dramático para vários sectores na área dos serviços embora, para outros, tenha acabado por ser uma oportunidade para angariar novos clientes e expandir e transformar o negócio.

De acordo com a Fixando, o sector do bem-estar, que inicialmente sofreu uma quebra, acabou por ter um “boom” face ao primeiro confinamento, registando um crescimento de 342%, numa altura em que quase tudo pode ser feito online.

Em áreas como a psicologia e o “personal training”, denota-se um crescimento na ordem dos 695%, derivado da adaptação ao online e da preocupação, por parte dos consumidores, em adotar um estilo de vida mais saudável, perante o risco constante que a pandemia trouxe à sua saúde.

Segue-se o sector da assistência técnica, que, tendo em conta o facto dos portugueses passarem mais tempo em casa e, consequentemente, utilizarem mais os seus eletrodomésticos, registou um aumento na ordem dos 150% quando comparado com os valores pré-pandemia.

 

Quem perdeu?

Entre os sectores mais prejudicados, o dos eventos está em primeiro lugar, cujas quebras foram drásticas tendo, em algumas situações, resultado na falência e encerramento de vários negócios. As quebras estimadas na ordem dos 765 milhões de euros refletem-se num decréscimo superior a 85% nas transações, consequência das restrições rigorosas que nunca foram levantadas.

O sector dos serviços domésticos, que também está em risco, tem profissionais que perderam, em média, 40% dos seus clientes, resultado da insegurança sentida por parte dos portugueses ao abrirem as portas das suas casas a elementos fora do agregado familiar.

 

Peso do desconfinamento

No que toca a este desconfinamento, e presumindo que os avanços a nível da saúde permitirão levantar definitivamente todas as restrições, a Fixando estima, num primeiro momento, uma aceleração na procura de serviços que foram adiados devido à pandemia, como é o caso dos relacionados com eventos.

Por outro lado, o desconfinamento poderá levar a uma quebra na procura dos serviços que foram indispensáveis apenas em altura de confinamento que, com a abertura total do país, passarão para um segundo plano, como a assistência técnica.

Ainda assim, sublinha a Fixando, acredita-se que o mercado acabará por se equilibrar, no final deste ano, mesmo que adaptado a numa nova realidade.

Para o verão que se aproxima, e com o plano de desconfinamento em vigor, a Fixando projeta que o verdadeiro vencedor seja o sector dos eventos. “É um sector que, só no primeiro mês de desconfinamento, registou um crescimento de 71%. Ainda assim, a redução da ocupação dos espaços de eventos para apenas 25% da lotação máxima poderá traduzir-se num aumento de preços por pessoa no sector, nomeadamente, no que diz respeito às quintas e espaços para festas, cujo preço médio caiu apenas 20%, não tendo, por isso, acompanhado a redução do número de convidados”, alerta Alice Nunes, diretora de Novos Negócios da Fixando.

Também o sector dos serviços para animais, aliado à reabertura do turismo, poderá garantir a sua prosperidade no verão de 2021.

 

Online como salvação

Os serviços online e à distância serviram como balão de oxigénio para muitos profissionais do sector dos serviços que, ao aliarem as potencialidades das tecnologias digitais à criatividade, conseguiram reestabelecer os negócios e sobreviver aos meses mais difíceis da pandemia. “É crucial que o mercado online seja levado mais a sério, que haja uma maior adesão à transformação digital das empresas e que exista aqui um maior investimento nesse sentido”, adianta Miguel Mascarenhas, CEO da Fixando.

Os novos modelos de negócio, que permitiram, em muitas situações, combater o desemprego e a falência de vários prestadores de serviço, têm tido uma ampla adesão por parte dos consumidores, que, ainda que tudo volte ao normal, continuarão a preferir este método de compra. “Neste momento, estimamos que 63% dos profissionais registados na Fixando tenha opções de serviço online. Tendo em consideração que, no último ano, assistimos a mudanças estruturais nos hábitos de consumo, projetamos que, para uma percentagem considerável dos consumidores, os serviços online continuem a ser a escolha preferencial, graças à segurança e à flexibilidade de acesso que trouxeram para o mercado dos serviços”, conclui Alice Nunes.

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