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Que sectores saem mais beneficiados com pandemia?

Foto Shutterstock

Após seis meses a lidar com o SARS-CoV-2, são inegáveis as alterações económicas e sociais daqui decorrentes e que tendem a ser duradouras. A redução da necessidade de espaço de escritórios e da densidade populacional nas grandes cidades, a procura de alternativas à gestão “just in time” das cadeias de produção, a descentralização das cadeias de produção globais, para reduzir os riscos de disrupção, um aumento da intervenção do Estado na economia e o reconhecimento do valor acrescentado das empresas de biotecnologia e farmacêuticas são algumas destas alterações.

De acordo com a Syxty Degrees, para beneficiar destas mudanças, serão necessários investimentos avultados “que exigirão empresas com larga escala, o que poderá vir a exigir maior consolidação dentro dos sectores e/ou a criação de parcerias público-privadas. As transformações ocorridas não trarão reflexos idênticos para a maioria dos sectores, prejudicando severamente alguns, mas trazendo sérios benefícios para outros”.

 

E-commerce, telemedicina e farmácia 

A crise sanitária veio acelerar a utilização dos canais online para aquisição de bens e serviços, obrigando muitas empresas a acelerarem o salto digital. É natural que esta tendência se torne cada vez mais evidente em muitos outros sectores, como a saúde, os seguros, a educação e a banca, mas também no reconhecimento do teletrabalho como forma de melhoria da produtividade.

Segundo a consultora, no futuro, mesmo que o receio de contágio da Covid-19 venha a diminuir, é natural que a tendência de teletrabalho e de maior centralização, a partir de casa, de atividades como consumo e entretenimento se mantenha. “De facto, é provável que, mesmo após o episódio da Covid-19, os consumidores venham a recear o surgimento de novos surtos virais e, por isso, adaptem o seu modo de vida de forma mais definitiva. Adicionalmente, e apesar dos apoios governamentais, é expectável que muitos retalhistas procedam ao encerramento de lojas físicas, o que também deverá favorecer o comércio eletrónico”.

A telemedicina é outra área que apresenta potencial de crescimento no atual contexto e que assenta igualmente no uso online. Segundo a análise da Syxty Degrees, nos Estados Unidos, desde o início do surto pandémico, a proporção de consultas médicas online disparou de 1% para cerca de 12% do total. As consultas online acabam por ter um menor custo, beneficiando também as seguradoras. Por outro lado, a telemedicina poderá ser decisiva no caso de doenças crónicas, já que permite um maior controlo, bem como uma maior integração de sistemas de monitorização remota de doentes.

 

Online transversal a todas as áreas

A componente online tenderá, assim, a tornar-se transversal às mais variadas áreas. No caso das seguradoras, deverá haver uma passagem mais acelerada do modelo baseado em agentes para uma modalidade de distribuição online de seguros de habitação ou automóveis.

Outras empresas que irão beneficiar desta transformação são as relacionadas com software Cloud, hardware e aumento da capacidade de armazenamento de dados.

No caso do sector farmacêutico, a pandemia veio reformular o debate, em especial no que toca ao preço dos medicamentos, sendo expectável que a população passe a valorizar mais a necessidade de investimento em investigação e desenvolvimento, como forma de reduzir o tempo de resposta a novos surtos pandémicos. Assim sendo, o sector farmacêutico poderá vir a gozar de um quadro regulatório mais favorável no futuro.

Já para as empresas de biotecnologia, o surto trouxe uma maior flexibilidade e rapidez regulatória, uma maior colaboração público-privada e maiores dotações governamentais. Neste sector, indica a Syxty Degrees, há que estar atento ao desenvolvimento de novas tecnologias na produção de vacinas e de outros medicamentos para doenças infeciosas, à menor pressão da opinião pública sobre os preços praticados, à centralização dos ensaios clínicos num menor número de laboratórios, como forma de acelerar a descoberta do medicamento mais adequado para cada doença, e à descentralização das cadeias de distribuição e produção, para reduzir a probabilidade de disrupção na oferta.

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