Os preços mundiais dos alimentos aumentaram em março, pelo segundo mês consecutivo, pressionados sobretudo pela subida dos custos energéticos associada à escalada do conflito no Médio Oriente, segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
O índice de preços dos alimentos da FAO fixou-se em 128,5 pontos em março de 2026, numa subida de 3 pontos (2,4%) face a fevereiro. Em termos homólogos, o indicador registou um aumento de 1%, mantendo-se, ainda assim, cerca de 20% abaixo do máximo histórico atingido em março de 2022.
Subida transversal a todas as categorias
De acordo com a FAO, a subida foi transversal a todas as principais categorias de produtos –cereais, carne, produtos lácteos, óleos vegetais e açúcar –, refletindo não só fatores fundamentais de mercado, mas também o impacto indireto do aumento dos preços da energia nos custos de produção e transporte.
Entre os vários grupos, destacou-se o comportamento dos óleos vegetais, cujo índice atingiu 183,1 ponto. Registou, assim, um aumento de 8,9 pontos (5,1%) em termos mensais e de 13,2% em termos homólogos, impulsionado pela subida das cotações dos óleos de palma, soja, girassol e colza.
Também o açúcar registou uma alta variação mensal, com o índice a fixar-se em 92,4 pontos, mais 6,2 pontos (7,2%) que em fevereiro. Desse modo, atingiu o valor mais elevado desde novembro de 2025, mas manteve-se 21% abaixo do nível observado há um ano.
Por sua vez, o índice de preços dos cereais situou-se em 110,4 pontos, mais 1,7 pontos (1,5%) face a fevereiro e 0,6% acima do valor registado um ano antes. A subida deveu-se ao aumento das cotações dos principais cereais, com exceção do arroz, cujo índice recuou 3%, devido à maior disponibilidade, menor procura de importações e depreciações cambiais face ao dólar norte-americano.
Já o índice de preços da carne fixou-se em 127,7 pontos, mais 1,2 pontos (1%) face a fevereiro e 8% acima do nível de há um ano, refletindo sobretudo o aumento dos preços da carne de suíno, bem como uma subida mais moderada da carne de bovino, enquanto os preços da carne de ovino e de aves de capoeira diminuíram.
Por último, o índice de preços dos produtos lácteos situou-se em 120,9 pontos, o que corresponde a um aumento de 1,5 pontos (1,2%) em cadeia, embora permaneça 18,7% abaixo do valor registado no período homólogo.








