Bandeira azul da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) em destaque, com logótipo visível, sobre fundo desfocado Foto Shutterstock

Preços mundiais dos alimentos recuam em maio, mas continuam perto de máximos de três anos

Os preços mundiais dos alimentos registaram uma ligeira descida em maio, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. O Índice de Preços dos Alimentos da FAO fixou-se nos 130,8 pontos, abaixo dos 131 pontos revistos de abril, o que representa uma queda mensal de 0,2%. Ainda assim, o indicador manteve-se 2,9% acima do nível registado em maio de 2025.

Apesar da correção em baixa, o índice permaneceu próximo do valor mais elevado desde janeiro de 2023, embora ainda 18,4% abaixo do pico atingido em março de 2022.

Cereais sobem com trigo e milho pressionados

A evolução do índice foi marcada por comportamentos divergentes entre categorias.

Os preços dos cereais subiram mais de 2,6% em maio face ao mês anterior. O trigo aumentou pelo quarto mês consecutivo, refletindo perspetivas de colheitas de exportação mais reduzidas, incluindo nos Estados Unidos, e custos mais elevados de combustível e fertilizantes associados ao conflito no Irão.

O milho também foi suportado por uma procura de importação mais forte e por uma oferta mais apertada no Brasil e nos Estados Unidos, segundo a FAO.

Óleos vegetais caem pela primeira vez este ano

Em sentido contrário, os preços dos óleos vegetais recuaram 4,6% em maio, registando a primeira descida mensal de 2026.

A queda foi explicada pela descida dos preços do óleo de palma e do óleo de soja, que mais do que compensou os aumentos registados nos óleos de colza e girassol. Após cinco meses consecutivos de subida, os preços internacionais do óleo de palma recuaram, refletindo expectativas de menor procura mundial de importação e incerteza nos mercados de petróleo bruto.

Apesar da descida mensal, os preços médios dos óleos vegetais continuaram mais de 20% acima dos níveis de há um ano, num contexto de custos energéticos elevados e maior procura por biocombustíveis.

Açúcar dispara 7,5%

O açúcar foi outro dos produtos em destaque. Os preços internacionais subiram 7,5% em maio, para 95,1 pontos, impulsionados por preocupações com um possível aperto da oferta global nos próximos meses.

Ainda assim, a categoria manteve-se 13,1% abaixo do nível observado um ano antes.

Produção mundial de cereais deverá cair 2%

Num relatório separado sobre oferta de cereais, a FAO estima que a produção mundial de cereais, incluindo arroz em equivalente branqueado, deverá recuar 2% na campanha 2026/27, para 2,98 mil milhões de toneladas.

A organização antecipa quedas na produção das principais culturas cerealíferas, embora, em muitos casos, a comparação seja feita com níveis recorde alcançados em 2025. A maior descida percentual deverá ocorrer no trigo, enquanto milho e cevada deverão registar quebras mais moderadas.

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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