O preço do cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste aumentou 0,84% (2,12 euros) entre 26 de agosto e 2 de setembro, para 254,73 euros, depois de uma ligeira descida na última semana de agosto. Em termos homólogos, o cabaz está 5,89% mais caro.
Este é o valor mais elevado desde 15 de julho, quando o mesmo cabaz custava 256,46 euros. Face à primeira semana de 2026, o cabaz está 12,91 euros mais caro, o equivalente a uma subida de 5,34%.
Já face ao início da monitorização da DECO PROteste, em janeiro de 2022, o preço aumentou 67,03 euros, ou 35,71%.
Massas registam maiores aumentos
Entre 26 de agosto e 2 de setembro, a massa em espirais e o esparguete registaram as maiores subidas de preço, ambas superiores a 20%.
A massa em espirais aumentou 25 cêntimos, ou 22%, para 1,35 euros, enquanto o preço do esparguete subiu 20 cêntimos, ou 21%, para 1,18 euros por embalagem.
Seguiram-se o pão de forma sem côdea, com uma subida de 14%, e o iogurte líquido e os cereais de fibra, ambos com aumentos de 9%.
Na comparação com a primeira semana do ano, os maiores aumentos percentuais verificam-se no arroz carolino, cujo preço subiu 30%, na couve-coração e na dourada, ambos com aumentos de 27%.
Desde o início da monitorização, os maiores aumentos acumulados registam-se na carne de novilho para cozer, com uma subida de 120%, no bacalhau graúdo, com mais 89%, e na couve-coração, cujo preço aumentou 88%.
Custos de produção pressionam preços
A invasão da Ucrânia pela Rússia, de onde eram provenientes grande parte dos cereais consumidos na União Europeia (e em Portugal) veio pressionar, em 2022, o setor agroalimentar, que estava há já vários meses a braços com as consequências da pandemia de covid-19 e da seca vivida em Portugal, refere a DECO Proteste.
A menor oferta de matérias-primas e o aumento dos custos dos fertilizantes e da energia contribuíram para a subida dos preços nos mercados internacionais e, consequentemente, dos preços ao consumidor.
Esta subida de preços levou o Governo a adotar, em abril de 2023, a isenção de IVA num cabaz com mais de 40 alimentos. E, se inicialmente a medida até ajudou a controlar a subida dos preços, poucos meses depois o impacto deixou de se fazer sentir na carteira dos consumidores, com o preço do cabaz alimentar novamente a disparar.
Em 2024, após a reposição do IVA, alguns produtos continuaram a encarecer, com destaque para o azeite virgem extra, que atingiu o preço mais elevado em abril desse ano. Em 2025, as principais subidas verificaram-se, entre outros produtos, nos ovos, no café torrado moído e no chocolate.
Em 2026, a instabilidade associada ao conflito entre os EUA e o Irão tem provocado disrupções nas cadeias de abastecimento e contribuído para o aumento dos preços dos combustíveis e da energia. A estes fatores juntam-se os prejuízos provocados pelas tempestades de janeiro e fevereiro em Portugal e a subida dos preços dos fertilizantes agrícolas.
Uma parte significativa dos produtores de fertilizantes e de matérias-primas para a sua produção está localizada no Médio Oriente. Com grande parte destas mercadorias expedida por via marítima através do estreito de Ormuz, os preços dos fertilizantes aumentaram significativamente, o que se tem traduzido em bens alimentares mais caros.
Inflação sobe para 3,3% em agosto
A DECO Proteste recorda que os consecutivos aumentos dos preços ao consumidor contribuíram para o aumento da taxa de inflação para níveis históricos em 2022 e 2023. No entanto, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2025, a taxa de inflação começou a descer e fixou-se nos 2,3%, menos do que os 2,4% do ano de 2024.
Em agosto deste ano, de acordo com as estimativas do INE, a taxa de inflação aumentou 0,3 pontos percentuais face a julho, para 3,3%.








