Os consumidores portugueses continuam entre os europeus mais apreensivos quanto à evolução dos preços. Em maio, Portugal registou 38 pontos no indicador que mede a expectativa de que os preços subam mais rapidamente nos próximos 12 meses.
O valor, apurado pelo estudo “Euro Consumer Climate”, da GfK, desenvolvido em parceria com o Instituto de Nuremberga para as Decisões de Mercado (NIM), representa mais do dobro da média da União Europeia, que se fixou nos 15 pontos.
Portugal surge, assim, entre os mercados europeus onde a expectativa de subida de preços é mais elevada, igualando a Dinamarca e ficando acima dos Países Baixos, com 37 pontos, da Bélgica, com 34 pontos, e de França, com 33 pontos.
Apreensão recua face a abril
Apesar de continuar num nível elevado, a expectativa dos consumidores portugueses quanto à subida dos preços recuou face ao mês anterior. Em abril, Portugal tinha registado 49 pontos neste indicador. Esta tendência de descida foi observada também na generalidade dos mercados europeus.
Ainda assim, o nível registado em Portugal mantém-se claramente acima da média comunitária, sinalizando que a perceção de pressão sobre os preços continua muito presente entre os consumidores nacionais.
Disposição para comprar próxima da média europeia
A preocupação com os preços contrasta com a estabilidade da disposição para comprar. Neste indicador, que avalia se as famílias consideram este um bom momento para realizar compras de maior valor, como mobiliário ou eletrodomésticos, Portugal registou -19 pontos em maio.
O valor está praticamente em linha com a média da União Europeia, situada nos -21 pontos, colocando os consumidores portugueses próximos do conjunto dos Estados-membros na vontade de avançar com compras de maior peso no orçamento familiar.
Para António Salvador, diretor-geral da GfK em Portugal, o sentimento dos consumidores em relação aos preços deve ser acompanhado de perto pelas empresas. “O sentimento dos consumidores em relação aos preços é, muitas vezes, um sinal que antecipa a forma como vão gastar. O que estes dados revelam é que, em Portugal, essa apreensão ainda não chegou ao consumo, mas é precisamente essa relação que importa acompanhar”, afirma.
Segundo o responsável, “para as empresas, identificar o momento em que a preocupação com os preços começa a travar as decisões de compra é determinante para ajustar atempadamente a oferta, a política de preços e as estratégias comerciais”.
Confiança europeia recupera gradualmente
No conjunto da União Europeia, o estudo aponta para uma recuperação gradual da confiança dos consumidores. As expectativas económicas subiram de -34 para -29 pontos, com a Hungria a registar a leitura mais otimista, com 36 pontos. No extremo oposto, França e Dinamarca apresentaram as leituras mais pessimistas, ambas com -47 pontos.
Também as perspetivas de rendimento melhoraram, passando de -27 para -22 pontos. Ainda assim, Itália registou o valor mais baixo neste indicador, com -39 pontos.









