São nove vinhos, duas quintas e uma mesma ideia de fundo: mostrar que o Douro não se esgota numa única leitura. O Kopke Group by Escotet Family Estates – até meados de 2025 conhecido como Sogevinus – apresenta em simultâneo seis novas colheitas da Quinta da Boavista, perto do Pinhão, e três referências de edição limitada da marca São Luiz, com origem na Quinta de São Luiz, no Cima Corgo. Em ambos os casos, a enologia está a cargo de Ricardo Macedo.
Na margem direita do Douro, a Quinta da Boavista distribui 35 hectares de vinha por patamares, terraços e socalcos de xisto, a diferentes altitudes e exposições. A propriedade, reconhecida desde a primeira demarcação da região, em 1756, e assinalada nos mapas oitocentistas de Joseph James Forrester, foi adquirida pelo grupo em 2020. A nova coleção conta com consultoria de Jean-Claude Berrouet.
A Touriga Nacional regressa ao protagonismo com o Boa-Vista Touriga Nacional 2022, retomando uma das primeiras castas escolhidas quando a quinta começou a engarrafar os seus vinhos, em 2013. Fruta preta madura e notas de flor de laranjeira definem um perfil fresco e profundo, com o estágio em barrica a acrescentar complexidade sem retirar vivacidade. Ao lado surge o Boa-Vista Touriga Franca 2022, que junta frutos do bosque, rosas e um toque balsâmico, com taninos finos e final fresco. Ambos têm um preço de venda ao público (PVP) de 28 euros.
O Boa-Vista Reserva Tinto 2022 (45 euros) aposta na mistura de idades e lugares: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão e vinhas velhas compõem um lote de fruta negra, especiarias finas e notas florais, com boca cremosa e taninos polidos.
A grande estreia é o Vinha do Levante 2023 (35 euros), o primeiro branco da quinta. Feito de Arinto e Viosinho plantados numa das zonas mais altas da propriedade, numa vinha virada a nascente, mostra fruta de polpa branca, ervas frescas e uma combinação de cremosidade, frescura e mineralidade.

Parcelas com história
O topo da gama é ocupado por dois vinhos de parcela, ambos a 125 euros. O Vinha do Oratório 2022 nasce de uma vinha com mais de 90 anos e 56 castas diferentes, cujos terraços ondulados chegam a quase oito metros de altura e constituem uma das imagens mais marcantes da quinta. No copo, fruta vermelha e ameixa preta cruzam-se com notas balsâmicas, especiadas e fumadas.
Ainda mais antiga é a Vinha do Ujo, com registos dos anos 1930, patamares horizontais pré-filoxéricos, pequenos muros de xisto e 28 castas. O Vinha do Ujo 2022 revela aromas de bosque, frutos silvestres e especiarias delicadas, depois de um estágio de pelo menos 16 meses em barricas de carvalho francês.
São Luiz aposta no tempo e na raridade
Do lado da Quinta de São Luiz – cujos muros brancos, tradicionalmente pintados na Páscoa, dão imagem aos rótulos DOC Douro da Kopke – chegam três edições limitadas. A mais exclusiva é o Quinta de São Luiz Vinha Rumilã Grande Reserva Tinto 2020, de uma pequena parcela com vinhas com mais de 100 anos. A baixa produtividade das cepas e um estágio de dois anos em madeira e pelo menos dois em garrafa resultam num vinho de frutos silvestres, notas florais e especiarias, taninos sedosos e marcada mineralidade. São 1.430 garrafas numeradas, a 70 euros.
O Quinta de São Luiz Vinhas Velhas Grande Reserva Tinto 2022 vem de vinhas com mais de 50 anos, dominadas por Touriga Nacional e Sousão. Fruta vermelha e negra, especiarias, frescura e taninos acetinados compõem um perfil complexo e envolvente. A edição soma 2.400 garrafas, em formatos de 750 ml e magnum, com um PVP de 48 euros.
A proposta mais invulgar é branca. O São Luiz Winemaker’s Collection Folgazão & Rabigato Grande Reserva Branco 2022 junta 60% de Folgazão e 40% de Rabigato, duas castas que a marca tem vindo a estudar no Baixo Corgo. Metade das uvas desta colheita já provém da Quinta do Bairro, a propriedade do grupo naquela sub-região. Após quatro anos em barricas de 300 litros, o vinho mostra fruta branca de caroço, toranja e subtis fumados, com acidez elegante. Chega ao mercado numa edição numerada e assinada de 4.400 garrafas, a 30 euros.







