Portugal está a afirmar-se como uma das principais referências europeias na produção de frutos secos, num momento em que o sector reforça a sua dimensão exportadora e aposta na inovação e sustentabilidade para ganhar competitividade internacional. O retrato foi traçado no V Congresso da Portugal Nuts, realizado em Évora, onde produtores, especialistas e representantes institucionais debateram os desafios e oportunidades da fileira.
Os dados divulgados pela Portugal Nuts mostram que as exportações nacionais de frutos secos ultrapassaram os 156 milhões de euros em 2025, o valor mais elevado de sempre, representando já cerca de 6% das exportações portuguesas de produtos vegetais.
A amêndoa continua a liderar o desempenho externo do sector, com vendas internacionais de 115,45 milhões de euros, um crescimento de 16% face ao ano anterior. Já a noz registou uma subida de 50%, atingindo 3,3 milhões de euros em exportações.
Atualmente, Portugal é o segundo maior produtor europeu de amêndoa e o quinto maior produtor europeu de noz, consolidando o peso crescente da fileira no panorama agrícola europeu. Para Tiago Costa, presidente da Portugal Nuts, o sector nacional reúne condições para competir com os maiores produtores mundiais. O responsável defendeu que o crescimento passa por maior eficiência, investimento e sustentabilidade.
Durante o congresso foi também apresentada a Estratégia 2026-2028 da associação, estruturada em quatro eixos: promoção e mercados, estudos e serviços profissionais, investigação e desenvolvimento, e comunicação e representação. Entre as medidas previstas destacam-se a criação de uma Agenda de Investigação e Experimentação, em parceria com universidades e centros de I&D, e um Programa de Sustentabilidade dos Frutos Secos.
Outra das prioridades do sector é a revisão da carga fiscal aplicada aos frutos secos cortados. A Portugal Nuts defende a aplicação da taxa reduzida de IVA de 6%, em vez da atual taxa de 23%, argumentando que o corte mecânico não altera a natureza do produto. A associação considera que a medida permitiria corrigir desigualdades competitivas face a mercados como o espanhol, onde a tributação é substancialmente inferior.
O congresso reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir temas como geopolítica, tendências de consumo, agricultura regenerativa e posicionamento estratégico de Portugal no mercado global. Para Nuno Russo, diretor executivo da Portugal Nuts, o encontro demonstrou que o sector está preparado para responder aos desafios globais e acelerar o seu crescimento.
Criada em 2020, a Portugal Nuts representa atualmente mais de 50 associados produtores e processadores, abrangendo cerca de 19 mil hectares de produção nacional de frutos secos.








