Num contexto em que a fronteira entre o comércio físico e o digital se torna cada vez mais ténue, o BIGgroup reforça o seu posicionamento como parceiro estratégico das marcas com o lançamento da BIGcommerce Hub. Em entrevista à Grande Consumo, Rúben Lamy, fundador e CEO da BIGhub, explica como esta nova solução vem simplificar o processo de digitalização, democratizar o acesso aos marketplaces europeus e permitir que empresas de qualquer dimensão operem de forma omnicanal, automatizada e integrada, sem investimento técnico nem complexidade operacional.
O BIGgroup tem vindo a construir um ecossistema sólido, com várias áreas de especialização, da mediação comercial à digitalização e logística. Que papel vem desempenhar a nova BIGcommerce Hub neste universo?
A BIGcommerce Hub vem reforçar a concretização dos objetivos do BIGgroup, por fazer a ponte entre o comércio físico e o universo digital de forma automática, acessível e imediata. Sem este processo de digitalização e de integração no e-commerce, as restantes soluções oferecidas perdem o seu propósito.
Por isso, o novo módulo acaba por simplificar e melhorar um dos serviços mais essenciais para o funcionamento do ecossistema do BIGgroup como um todo. Assim, fica garantido o acompanhamento das empresas desde os seus primeiros passos online, até à sua consolidação e expansão internacional através dos marketplaces, independentemente da dimensão ou da faturação e sem investimento técnico.
Como surgiu a ideia de desenvolver este vertical dedicado ao e-commerce e que lacuna do mercado português procuram responder com esta solução?
O processo de digitalização das empresas é, de facto, muito complexo, por isso, foi relativamente fácil encontrarmos esta oportunidade de negócio. A BIGcommerce Hub, ao facilitar e acelerar esta fase, torna os comerciantes mais autónomos e independentes na integração e na gestão da sua presença nos marketplaces, cada vez mais decisiva para o sucesso nas vendas.
Em Portugal, ainda existe uma fronteira muito demarcada entre o comércio físico e o online, mas trata-se de uma barreira que deve ser derrubada, num contexto em que a tendência é de comercialização integrada, híbrida e flexível, de forma a responder, em todos os canais, às exigências do consumidor.
A BIGcommerce Hub maximiza, portanto, as oportunidades de venda, simplificando a digitalização, mas sem investimento técnico ou qualquer preocupação com burocracias ou logística, fazendo com que os gestores se possam focar única e exclusivamente no seu negócio.
Em que medida a BIGcommerce Hub representa uma evolução natural do percurso da BIGhub enquanto parceiro estratégico das marcas?
Quando falamos da BIGcommerce Hub enquanto serviço que facilita a integração das empresas no universo digital, falamos concretamente da inserção dos produtos na plataforma BIGhub, que gere a sua presença nos principais marketplaces da Europa. Por isso, o novo módulo acaba, também, por impulsionar a BIGhub, facilitando a sua interligação aos negócios físicos e reforçando a parceria estratégica entre a plataforma e as marcas. Antes de otimizar os negócios online, é necessária a sua digitalização, o que retrata a relação de cooperação entre os dois verticais.
“A BIGhub já trabalha com os principais marketplaces europeus, como a Pixmania e a Worten, por exemplo. Estas plataformas são particularmente relevantes para o BIGgroup, uma vez que têm registado um crescimento significativo do volume de vendas e da diversidade de oferta. Por isso, acabam por se tornar espaços estratégicos para os negócios que pretendem expandir-se internacionalmente, mas com baixo investimento técnico”
Como funciona, na prática, a BIGcommerce Hub? Que tipo de apoio e automação oferece às marcas que pretendem vender online?
A BIGcommerce Hub é um sistema omnicanal que acelera e facilita o processo de digitalização das lojas físicas, por se basear nas mesmas, de forma totalmente automática e sem preocupações, para replicar e inserir o seu modelo na plataforma BIGhub. Após a integração neste ecossistema digital, que sincroniza e gere stocks, preços, faturação e logística, a marca online fica automaticamente ligada à marca presencial, alinhando as informações em tempo real, em todas as plataformas. É, no fundo, uma solução que une o presencial e o digital, facilitando a gestão dos negócios híbridos.
Que diferenciação oferece face a outras plataformas ou parceiros de integração com marketplaces internacionais?
A BIGcommerce Hub diferencia-se por ser mais do que uma ferramenta tecnológica, tratando-se de uma solução completa de integração e acompanhamento. Muitos dos integradores de marketplaces internacionais limitam-se ao sistema de inserção, enquanto este novo vertical não insere apenas os negócios nestas plataformas, mas sim num ecossistema que garante a gestão e o acompanhamento em todas as vertentes, sem qualquer encargo para os gestores.
Outro fator diferenciador é a junção do fator humano ao uso de tecnologia, através dos comerciais locais que apoiam os empresários durante todo o processo de digitalização. Este equilíbrio entre as dimensões humana e digital reforçam o posicionamento de referência e confiança na BIGcommerce Hub como ponte entre os negócios presenciais e as lojas online.
Quais são os principais marketplaces europeus com os quais já está integrada e que potencial de crescimento identifica nesses canais?
A BIGhub já trabalha com os principais marketplaces europeus, como a Pixmania e a Worten, por exemplo. Estas plataformas são particularmente relevantes para o BIGgroup, uma vez que têm registado um crescimento significativo do volume de vendas e da diversidade de oferta. Por isso, acabam por se tornar espaços estratégicos para os negócios que pretendem expandir-se internacionalmente, mas com baixo investimento técnico.
Outra vantagem destes marketplaces reside no perfil do consumidor, que está cada vez mais orientado para produtos diferenciados e de qualidade, dando um maior destaque às empresas portuguesas, que têm a possibilidade de aumentar a sua competitividade no mercado europeu.
O vosso modelo permite às marcas aceder a mercados internacionais “sem investimento técnico”. Que tipo de barreiras técnicas ou logísticas a BIGcommerce Hub elimina?
Este novo módulo elimina todas as barreiras que as empresas atravessam no processo de digitalização, no sentido em que é o sistema que, automaticamente, se encarrega da execução de todas as etapas. A integração nas plataformas online, a gestão dos stocks, a sincronização dos preços e a atualização de todas informações em tempo real passam a estar disponíveis num único painel.
Assim, a BIGcommerce Hub evita que as empresas invistam em equipas técnicas, ou no desenvolvimento de um software próprio, ao mesmo tempo que democratiza o acesso à internacionalização digital, de forma simples e com um custo reduzido.

Rúben Lamy, fundador e CEO da BIGhub, sublinha que o e-commerce deixou de ser um simples complemento ao negócio tradicional, assumindo hoje um papel central na estratégia comercial das empresas, ao ligar de forma integrada o comércio físico aos marketplaces e ao universo digital.
De acordo com o Barómetro CTT E-Commerce 2025, mais de 70% das empresas reportou crescimento das vendas online no primeiro semestre deste ano. Como interpreta estes dados e que tendências acredita que marcarão a próxima fase do e-commerce em Portugal?
Estes dados confirmam que o e-commerce já não é apenas uma tendência, mas sim uma realidade consolidada. A expansão internacional e a presença das empresas portuguesas nos principais marketplaces europeus ditará a próxima fase do comércio digital, que também ficará marcado pela automatização, personalização e sustentabilidade. Por isso, equilibrar tecnologia e inovação com propósito e responsabilidade é essencial.
Que categorias de produtos estão hoje a liderar o crescimento do comércio eletrónico e que oportunidades identifica para as marcas portuguesas que ainda não deram este passo?
Os sectores mais dinâmicos online continuam a ser moda, tecnologia, casa e desporto, apesar de, na BIGhub, não trabalharmos com a área do vestuário. No entanto, em qualquer que seja a categoria de produtos, os consumidores procuram história, propósito, qualidade e preços acessíveis.
Neste contexto, as marcas portuguesas têm uma excelente oportunidade, se apostarem na autenticidade, na tradição, na flexibilidade e na conveniência. Ao integrarem os seus produtos nos principais marketplaces, estão, também, a contribuir para a sua internacionalização e a melhorar a sua competitividade.
“A expansão internacional e a presença das empresas portuguesas nos principais marketplaces europeus ditará a próxima fase do comércio digital, que também ficará marcado pela automatização, personalização e sustentabilidade. Por isso, equilibrar tecnologia e inovação com propósito e responsabilidade é essencial”
Na sua visão, o que ainda falta às PME portuguesas para competirem em pé de igualdade com as grandes marcas internacionais no digital?
Talvez as PME portuguesas apenas precisem de acesso simplificado à tecnologia e de confiança no processo de digitalização. A integração no universo do e-commerce e dos marketplaces tem custos elevados e complexidade técnica e burocrática, o que prejudica a presença das empresas nos mesmos espaços digitais em que estão as grandes marcas internacionais.
É nesse sentido que a BIGcommerce Hub se revela um sistema ainda mais pertinente, oferecendo às PME as mesmas oportunidades de vendas e de expansão internacional que os restantes negócios a nível mundial. A automação e a utilização inteligente dos dados são, igualmente, fatores cruciais para que as decisões sejam cada vez mais estratégicas.
A automação de processos é uma das grandes promessas da BIGcommerce Hub. Que impacto real pode ter na rentabilidade e eficiência operacional das marcas?
O impacto da automação é imediato, por reduzir o erro humano, eliminar redundâncias e interligar todos os canais, para que estejam atualizados e sincronizados em tempo real. Assim, os custos operacionais são mais reduzidos e os stocks são otimizados. Para além de aumentar a rentabilidade, a automação melhora, sem dúvida, a experiência do consumidor, por permitir uma maior personalização e reforçar, desta forma, a confiança na marca e nos produtos.
Como é feita a integração entre o hub e as restantes unidades do grupo, como a BIGsales ou a BIGcash, de modo a oferecer uma solução verdadeiramente end-to-end?
Todas as unidades do BIGgroup foram planeadas para funcionar de forma integrada. A BIGcommerce Hub, o módulo mais recente, apoia o processo de digitalização dos negócios, interligando as lojas físicas com os marketplaces. Por outro lado, a BIGsales acelera o crescimento e promove a consolidação dos negócios digitais, através da maximização das vendas. Já a BIGhub gere a presença das empresas nos principais marketplaces europeus, enquanto a BIGcash simplifica e apoia toda a área de gestão financeira.
A BIGocasión é a única loja presencial do grupo e está localizada em Huelva (Espanha). Este módulo tem a missão de dar uma segunda vida aos produtos devolvidos pelo cliente final, prolongando o seu ciclo e promovendo a economia circular. Os objetos novos, semi-novos e usados em excelentes condições são escoados a um preço mais acessível.
Com a relação entre todos estes verticais, que colmatam diferentes tipos de necessidades, o BIGgroup consegue oferecer um serviço completo e integrado, que se traduz num verdadeiro ecossistema de e-commerce. Desta forma, as empresas têm a garantia de que podem usufruir de soluções para todos os desafios que enfrentarem durante o processo de digitalização.
A inteligência artificial tem vindo a transformar o comércio digital. A BIGcommerce Hub incorpora já ferramentas baseadas em IA para otimização de vendas ou gestão de inventário?
Sim, todo o grupo baseia as suas soluções em IA. A BIGcommerce Hub, especificamente, está a integrar uma assistente, a Maria Inês, para apoiar a previsão de vendas, as tendências e o atendimento 24 horas por dia. Esta ferramenta vai funcionar como suporte estratégico, para ajudar as empresas a tomar as decisões mais assertivas, com base em dados atualizados em tempo real.
Apesar da tecnologia, o modelo mantém “acompanhamento local dos comerciais da BIGhub”. Porque é que este fator humano continua a ser essencial no sucesso das operações digitais?
A tecnologia deve ser sempre orientada para as pessoas, pelo que a colaboração humano-máquina é o segredo para o sucesso das operações digitais. O acompanhamento local dos comerciais da BIGhub é uma grande mais-valia para os gestores, que acabam por se sentir mais confiantes durante um processo tão complexo como o da digitalização do negócio.
O fator humano é crucial para as visitas às lojas físicas e para criar empatia e tranquilidade, durante a explicação e o acompanhamento das diferentes etapas. A tecnologia não substitui as pessoas no que diz respeito à construção de relações e ao apoio no esclarecimento de dúvidas.
“Em qualquer que seja a categoria de produtos, os consumidores procuram história, propósito, qualidade e preços acessíveis. Neste contexto, as marcas portuguesas têm uma excelente oportunidade, se apostarem na autenticidade, na tradição, na flexibilidade e na conveniência. Ao integrarem os seus produtos nos principais marketplaces, estão, também, a contribuir para a sua internacionalização e a melhorar a sua competitividade”
Que perfil têm as empresas que mais beneficiam deste acompanhamento personalizado? PME, marcas em fase de internacionalização ou retalhistas tradicionais em transição digital?
Na verdade, todos os perfis de empresas se enquadram, desde que tenham produtos físicos e ambição de crescer. Contudo, os retalhistas são um excelente público-alvo, por terem uma grande diversidade de produtos para venda, mas nem sempre terem, por outro lado, equipa ou orçamento para desenvolver uma plataforma própria de e-commerce. Com a BIGcommerce Hub, as empresas conseguem, com um esforço operacional reduzido, expandir as suas vendas internacionalmente e aumentar as suas margens de lucro.
Por isso, no fundo, este sistema beneficia os negócios que pretendem funcionar em modelo híbrido, passando a operar de forma omnicanal. A dimensão e o volume de faturação são, assim, menos significativos para a adesão a qualquer serviço disponibilizado pelo BIGgroup.
Que metas estratégicas definiram para o primeiro ano de operação da BIGcommerce Hub?
O nosso principal objetivo neste primeiro ano de operação da BIGcommerce Hub é integrar 150 lojas físicas no universo online, permitindo que cada uma delas consiga vender nos principais marketplaces europeus de forma automatizada, aumentando a sua visibilidade e os seus lucros.
Estão a planear expandir este modelo para outros mercados além de Portugal, ou estabelecer parcerias com marketplaces fora da Europa?
Neste momento, não, porque o nosso foco está, pelo menos para já, em consolidar o modelo na Europa. Este mercado tem um enorme potencial de crescimento e de digitalização do comércio local, portanto, ainda nos dá muito espaço para desenvolvermos o negócio.
Qual será, no seu entender, o papel do BIGgroup no futuro do comércio digital português?
O BIGgroup continuará a reforçar o seu ecossistema de e-commerce, para facilitar o processo de digitalização das empresas e promover o comércio digital português. Nesta interligação direta com os comerciantes a nível internacional, também é esperado que a tecnologia e as empresas portuguesas sejam sinónimas de inovação e crescimento sustentável.
Num contexto que vive entre o digital e o presencial, o BIGgroup pretende ser o principal parceiro no mercado online para o comerciante português, promovendo um comércio que acompanhe as tendências e que combine tanto o modelo automatizado como o fator humano.
Que conselho deixaria às marcas que ainda encaram o e-commerce como um complemento e não como uma prioridade estratégica?
O universo digital já não é apenas um complemento, devendo mesmo ser encarado como o centro da estratégia comercial. O e-commerce não vai ditar o fim das lojas físicas, mas sim o princípio de uma era em que as tendências, como as vendas online, não podem ser ignoradas nem comprometer o sucesso dos negócios.
Estar presente nos marketplaces é garantir a visibilidade, a competitividade e a sustentabilidade, por isso, o meu conselho para os gestores é que não esperem pelo “momento ideal” para iniciar o processo de digitalização. Independentemente das condições, começar o quanto antes é essencial, sendo apenas necessário dar o primeiro passo, decidindo avançar com o processo. Depois, a tecnologia e os profissionais especializados ficarão encarregues das restantes etapas.







