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O que esperar do setor da logística em 2019?

Filipa Ferreira Mendes - CGM Chep Portugal

O setor da logística atravessa uma fase de grande dinamismo. A revolução tecnológica que está a decorrer no setor tem conseguido dar resposta às necessidades crescentes mas, por outro lado, tem também criado novos desafios. Numa era em que as vantagens competitivas das empresas do setor passam pela rapidez, segurança e sustentabilidade dos processos, quem souber tirar melhor proveito da tecnologia poderá oferecer um serviço de qualidade superior ao da concorrência.

Além desta revolução tecnológica, o elevado número de empresas de transporte de pequena dimensão tem permitido às grandes empresas do setor personalizar o serviço de acordo com as necessidades dos seus clientes. A lógica é sempre a mesma: aumentar a eficiência na gestão dos tempos de envio e a velocidade de transporte, armazenamento, recolha da mercadoria e redução dos quilómetros de transporte em vazio.

Retenção de talento

Num mercado extremamente volátil e em rápida mudança, o grande desafio das empresas do setor será a captação e retenção de recursos humanos qualificados. Num setor em que a oferta é superior à procura, as necessidades por recursos humanos especializados são grandes, pelo que as empresas deverão ser capazes de proporcionar um bom “work-life balance” aos seus colaboradores e possibilitar-lhes oportunidades de formação com vista à progressão na carreira.

Práticas colaborativas

O transporte colaborativo tem vindo a ganhar cada vez mais preponderância, estando atualmente muito em destaque no que toca ao transporte de mercadorias, por força de um conceito cada vez mais implantado na nossa sociedade: a economia de partilha.

As empresas do setor de logística devem desenvolver cada vez mais os seus métodos de transporte colaborativo, de forma a reduzir os quilómetros percorridos por camiões vazios, os custos com combustível, as emissões de CO2 e os prazos de entrega.

A adesão ao transporte colaborativo permite poupar nos custos do cliente, o que se traduz numa maior competitividade das empresas. Por isso, as empresas do setor da logística devem apresentar uma proposta de valor sólida no que toca ao transporte colaborativo e comunicá-la eficazmente.

Sustentabilidade

Numa economia circular, e pelo seu impacto no mercado, as empresas de logística terão de optar pela partilha, reutilização e reciclagem dos recursos, objetivando a poupança nos custos e a otimização dos processos logísticos, ao mesmo tempo que contribuem para a redução das emissões de carbono, da necessidade de utilização dos recursos naturais e da produção de resíduos.

Com a pressão cada vez maior para reforçar a sustentabilidade da atividade do setor, as empresas devem gerir as matérias-primas solicitadas pelo mercado da melhor forma possível. Os recursos naturais são escassos e a sua utilização deve ser sustentável e responsável, de forma a garantir a sua viabilidade ao longo de muitos anos. O grande desafio passa, não pela matéria-prima em si, mas pela adoção de um modelo de negócio sustentável e o mais amigo do ambiente possível.

Otimização digital

“Fazer mais com menos”. Esta é a lógica produtiva subjacente a qualquer negócio. O setor da logística não escapa a esta máxima e, nesse sentido, o investimento em tecnologias como IoT, Big Data e realidade virtual será cada vez maior, com vista ao aumento da produtividade e ao reforço da competitividade do mercado português. O setor da logística tem ainda muito a percorrer nesta jornada da inovação digital e as empresas que souberem preencher as lacunas existentes, conseguirão sobrepor-se aos seus concorrentes.

Filipa Ferreira Mendes, Country General Manager da CHEP Portugal

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