A Nestlé anunciou que está em negociações avançadas para vender o remanescente negócio próprio de gelados, no âmbito da estratégia do novo presidente executivo, Philipp Navratil, de simplificar a estrutura.
A multinacional já tinha transferido a gestão das operações de gelados na Europa e nos Estados Unidos para a Froneri, empresa detida em parceria com a PAI Partners desde 2016. Agora, encontra-se em negociações para alienar à mesma entidade os negócios de gelados no Canadá, Chile, Peru, Malásia e Tailândia. Estes negócios representam cerca de mil milhões de francos suíços (1,3 mil milhões de dólares) em vendas anuais e incluem marcas como KitKat Ice Cream e Coffee Crisp.
Philipp Navratil referiu que a área dos gelados é “sólida, mas pequena, e uma distração” face às prioridades estratégicas do grupo, reporta a Reuters.
A decisão surge depois de a Unilever ter avançado, no ano passado, com a cisão da sua unidade de gelados Magnum. A Nestlé sublinhou que não pretende abandonar a participação de 50% que detém na Froneri. Esta participação foi avaliada em cerca de 15 mil milhões de euros em outubro, incluindo dívida.
Foco em café, nutrição e alimentação para animais
Detentora de marcas como Maggi e Nescafé, a Nestlé pretende concentrar-se nas áreas do café, alimentação para animais de companhia, nutrição e produtos alimentares e snacks. A empresa reportou um crescimento das vendas no quarto trimestre acima das expectativas do mercado.
O novo CEO, que anunciou em outubro um corte de 16 mil postos de trabalho, tem procurado reforçar o crescimento em volume. Ao mesmo tempo, enfrenta os impactos negativos das tarifas de importação nos Estados Unidos, da volatilidade cambial e da redução do poder de compra dos consumidores.
A revisão estratégica das marcas de vitaminas e suplementos consideradas menos rentáveis está concluída, estando o grupo em contacto com potenciais compradores. A empresa prevê ainda desagregar o negócio das águas a partir de 2027.
Recolha de fórmulas infantis
A reestruturação em curso foi marcada pela maior recolha de fórmulas infantis na história recente da Nestlé. O CEO assegurou que a empresa atuou de forma célere e transparente para preservar a confiança de reguladores e consumidores. “Pode haver algum impacto decorrente do recall, mas não enfrentamos um problema reputacional de longo prazo”, afirmou.
Para 2026, a Nestlé antecipa um crescimento orgânico das vendas entre 3% e 4%.








