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Metade das PME portuguesas estão a recorrer a serviços freelance como consequência da pandemia

Empresas de TI e telecomunicações (76%) e artes e cultura (59%) lideram a procura

Foto Shutterstock

A Fiverr, plataforma que liga empresas e freelancers, divulgou os resultados de um estudo sobre o impacto do Covid-19 nas PME portuguesas. O uso de serviços de freelancer, nomeadamente o apoio ao cliente e relações públicas, bem como o trabalho remoto foram as mudanças mais significativas durante estes tempos.

O estudo decorreu entre 5 e 26 de outubro e incluiu 500 profissionais de quadros superiores de empresas da Amadora, Braga, Cacém, Coimbra, Funchal, Lisboa, Porto, Queluz, Setúbal e Vila Nova de Gaia, oriundas de sectores como arquitetura, engenharia e construção, educação, cultura, saúde, TI e telecomunicações, turismo ou finanças.

 

Freelancers, uma nova mão-de-obra?

A pandemia mudou tanto as prioridades das PME portuguesas, como os seus sistemas de trabalho e recursos. Esta é a conclusão principal do estudo da Fiverr, que destaca o uso de serviços freelance como uma nova oportunidade de força laboral capaz de ajudar na digitalização e construção de presença online imposta por esta realidade.

46% das PME afirmaram que estão a recorrer mais a freelancers agora, devido ao “boom” do trabalho remoto. Destes, 76% indicou que chegam até aos profissionais através da passa a palavra, sendo que 62% revelou que utiliza marketplaces. Curiosamente, comparando com os outros países europeus onde o estudo foi realizado, Portugal apresenta uma percentagem bastante superior neste campo, o que significa que se está a tirar um maior partido das oportunidades online. 80% das empresas de TI e telecomunicações e 50% das de arte e cultura referiram procurar em marketplaces, como a Fiverr, para chegar a esta mão-de-obra.

Ao nível do tipo de serviço mais procurado, o apoio ao cliente encontra-se no topo da lista com 39%, tendo maior demanda por parte do sector financeiro e do da manufatura e utilidades. De seguida, apresentam-se os serviços de relações públicas, mais procurados por empresas de vendas, media e marketing (54%), bem como pelo sector da educação (43%). 30% dos inquiridos destacaram também a procura por serviços freelancing de marketing digital e gestão de redes sociais. As PME de vendas, media e marketing lideram esta procura (53%), sendo acompanhadas pelas jurídicas (50%) e TI e telecomunicações (50%).

 

Trabalho remoto e produtividade

Tornou-se claro que as PME portuguesas estão a enfrentar desafios e, ainda que estejam a tentar encará-lo da melhor forma possível, 62% admitiu estar receoso em relação ao futuro do seu negócio, ao passo que 38% demonstrou-se um tanto mais otimista.

Parte deste otimismo pode estar ligado à descoberta de novas formas de trabalho, como é o caso do trabalho remoto. De facto, o estudo realizado pela Fiverr revela que 49% das PME do distrito de Lisboa e 24% das da região do Porto estão a planear tornar-se totalmente remotas em consequência da pandemia. E, mais surpreendente, 63% sente-se confortável para encorajar este modo de trabalho, especialmente dentro dos sectores de TI e telecomunicações (68%) e vendas, media e marketing (57%). Estes resultados podem ser justificados pelo aumento de 40% da produtividade durante o confinamento.

A flexibilidade e o equilíbrio também foram destacados, com 47% dos participantes a indicar que o aumento da flexibilidade foi o fator mais positivo desta imposição e 41% a salientar que conseguiu um melhor equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal. 35% acrescentou ainda que gostou de poder passar mais tempo com a família, com 62% a afirmar que a ligação com a sua família melhorou significativamente.

 

Apoiar a transformação digital

O confinamento e a imposição do trabalho remoto serviram como um medidor para a transformação digital ao testar quão preparadas estavam as empresas. Agora, esta transformação é mais imperativa do que nunca, um investimento que a maioria das PME portuguesas reconheceu.

De acordo com os resultados do estudo, 37% das empresas entrevistadas concordaram com a necessidade de um maior investimento na área do marketing digital, como resultado da Covid-19. Construir uma forte presença nas redes sociais (27%), dedicar mais tempo às vendas (25%) e ao marketing (24%) foram apontadas como as restantes áreas de investimento.

 

O impacto da Covid-19 nas PME

A Covid-19 tem sido um golpe brutal tanto no tecido social, como na economia. 27% dos participantes assumiram não estar preparados para este impacto, sendo que os sectores da arte e cultura (41%), educação (43,75%) e turismo e transportes (63%) os que se sentiram mais afetados.

Por outro lado, quase um terço das PME (35%) reconheceram que não havia nada que pudessem ter feito para preparar melhor o seu negócio. Ainda assim, os participantes concordaram que uma melhor tecnologia (29%) e uma melhor preparação para o trabalho a partir de casa (28%) teriam ajudado a enfrentar o confinamento forçado.

As PME portuguesas demonstraram-se bastante cautelosas quando toca a apontar o dedo, atestando a consciência generalizada das fragilidades e limitações do seu próprio negócio. 28% defende que a falta de experiência face a estas situações extremas é o principal culpado, ao passo que 25% diz que ninguém pode ser culpado por um acontecimento tão imprevisível e dramático.

No entanto, é interessante observar que quase 20% dos quadros superiores entrevistados crê que não atuou rápido o suficiente.

No que diz respeito ao Governo, as empresas manifestaram uma opinião positiva face às ações tomadas, com 63% a considerar que a pandemia foi gerida muito ou bastante bem. Contudo, 26% atribuiu-lhe a culpa.

62% das PME estão receosas acerca do futuro do seu negócio devido ao novo coronavírus. Mesmo assim, os participantes revelaram-se focados na preparação para um segundo confinamento. Quando inquiridos sobre as áreas onde irão investir para melhor enfrentar outra crise, as empresas destacaram a presença digital (36%), implementação de medidas para eventos futuros (28,4%) e a contratação de mais freelancers (17,4%) como os principais recursos.

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