Casal idoso a beber batidos na cozinha Foro Shutterstock

Mercado de produtos ricos em proteína supera três biliões de dólares

As vendas globais de alimentos, bebidas e suplementos ricos em proteína ultrapassaram os três biliões de dólares em 2025, aproximadamente 2,61 biliões de euros, impulsionadas pelas tendências de saúde e bem-estar, pelo envelhecimento da população e pela crescente utilização de medicamentos para controlo do peso baseados em GLP-1.

Apesar de a atual vaga de proteinmaxxing, tendência que promove a maximização da ingestão diária de proteína, poder perder força, a Euromonitor International prevê que a procura mundial por este nutriente aumente 11% entre 2024 e 2029.

O crescimento deverá tornar-se, contudo, mais seletivo. Em vez de depender apenas de consumidores atraídos por tendências passageiras, o mercado deverá concentrar-se progressivamente em grupos com necessidades estruturais: população mais velha, utilizadores de medicamentos GLP-1, praticantes de treino de força e famílias de economias em desenvolvimento.

GLP-1 reforça procura por alimentos proteicos

A expansão dos medicamentos agonistas do GLP-1 está a alterar os hábitos alimentares, uma vez que estes tratamentos reduzem o apetite e levam os consumidores a ingerir porções menores.

Neste contexto, a proteína ganha importância por permitir aumentar a densidade nutricional das refeições e apoiar a preservação da massa muscular durante processos de perda de peso. A Euromonitor considera que a utilização destes medicamentos constitui um dos fatores estruturais que sustentarão a procura, mesmo depois de a atual popularidade do proteinmaxxing diminuir.

A procura está igualmente a ser apoiada pelo envelhecimento da população, que aumenta a atenção dada à manutenção da massa muscular e à mobilidade, e pela generalização do treino de resistência entre consumidores que não pertencem ao universo tradicional da nutrição desportiva.

Nos mercados em desenvolvimento, a subida dos rendimentos e a evolução dos padrões alimentares deverão também contribuir para um maior consumo de proteínas.

Proteína entra em novas categorias

A tendência já ultrapassou as barras, os pós e os batidos tradicionalmente associados ao desporto. As alegações de elevado teor proteico estão agora presentes em iogurtes, cereais, massas, refeições preparadas, bebidas e diferentes categorias de snacks.

A proteína ganhou igualmente espaço fora da alimentação. No universo dos bens de grande consumo, a beleza e os cuidados pessoais destacam-se pela utilização de alegações relacionadas com proteínas, sobretudo em produtos associados à pele, ao cabelo e ao envelhecimento saudável.

Esta transversalidade explica parte da dimensão alcançada pelo mercado. A proteína conseguiu associar-se simultaneamente a benefícios como saciedade, controlo do peso, desempenho físico, recuperação muscular, saúde da pele e envelhecimento ativo.

Consumidores tornam-se mais exigentes

A dimensão do mercado não significa que todos os lançamentos com alegações proteicas tenham o mesmo potencial. A Euromonitor antecipa uma passagem da quantidade para a qualidade, à medida que os consumidores avaliam mais atentamente os ingredientes, o grau de processamento e a relação entre preço e benefício.

O estudo “Voice of the Consumer: Health and Nutrition 2026”, realizado junto de 21.156 pessoas, revela que 41% dos adultos que pretendem melhorar a alimentação estão a reduzir o consumo de produtos ultraprocessados.

Ao mesmo tempo, as refeições preparadas com elevado teor de proteína apresentaram, em 2024, um preço médio 66% superior ao das alternativas convencionais. Esta diferença cria margem para estratégias de valorização, mas aumenta também o risco de resistência por parte dos consumidores num contexto de pressão sobre os orçamentos familiares.

“Os consumidores continuarão a pagar pela proteína quando esta parecer natural, útil e justificar o preço adicional”, afirma Matthew Barry, responsável global de análise para alimentos embalados na Euromonitor International. As marcas que dependam exclusivamente da alegação proteica poderão, porém, ter mais dificuldade em manter a atenção do mercado.

Fibra pode ser a próxima grande oportunidade

A Euromonitor considera improvável que um único ingrediente consiga substituir a proteína como principal tendência funcional. As necessidades dos consumidores estão a fragmentar-se e deverão criar oportunidades em diferentes espaços, incluindo fibra, creatina e péptidos.

A fibra encontra-se particularmente bem posicionada devido à crescente importância da saúde intestinal e do microbioma, associados a áreas como imunidade, digestão e saúde da pele.

Contudo, a consultora alerta que a oportunidade não deverá limitar-se a acrescentar fibra aos produtos existentes. As marcas terão de desenvolver propostas que combinem benefícios comprováveis, formulações credíveis, conveniência e uma relação qualidade-preço considerada adequada.

A principal transformação do mercado poderá, assim, passar de uma corrida para maximizar a quantidade de proteína para uma oferta mais segmentada, dirigida a necessidades específicas e sustentada por benefícios nutricionais mais claros.

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