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Marcas próprias com potencial para crescer vendas com subida da inflação

Foto Shutterstock

No atual ambiente inflacionário, em que os fabricantes de FMCG equacionam transmitir aos consumidores o impacto total dos aumentos de custos, os retalhistas estão estrategicamente preparados para manter os preços dos seus produtos de marca própria em categorias onde pretendem aumentar a penetração e as vendas em valor. Esta é uma das conclusões do relatório bianual da IRI, FMCG Demand Signals.

O estudo revela como as marcas de fabricante em toda a Europa Ocidental cresceram as vendas totais de FMCG em 35 mil milhões de euros (+0,6%), representando uma quota de 67,3% em valor. O relatório mostra também que, durante a pandemia, os consumidores de toda a Europa procuraram tranquilizar-se com a compra de marcas reconhecidas e de confiança em quase todas as categorias de FMCG, apesar das marcas próprias terem aumentado a diferença de preços, oferecendo descontos e promoções. “À medida que o fosso de preços se alargava entre marcas de fabricante e marcas próprias, seria de esperar que os compradores optassem pelos produtos que ofereciam melhor valor. Surpreendentemente, isto não acontece”, nota. Ananda Roy, vice-presidente sénior internacional de Insights estratégicos na IRI. “Em todos os principais mercados europeus analisados no estudo Demand Signals, os consumidores escolheram marcas de confiança, distribuídas a nível nacional. Em resposta, vários retalhistas ofereceram promoções e descontos significativos, especialmente no período que abrange o último trimestre de 2020 e o primeiro de 2021, sem sucesso. Além disso, as marcas próprias, que muitas vezes dependem de fabricantes de contratos mais pequenos, também não conseguiram satisfazer os picos de procura, devido aos níveis de inventário mais baixos e às suas próprias perturbações do lado da oferta“, prossegue.

 

Inflação

Mas à medida que as medidas inflacionistas atingem a Europa e as marcas de fabricante aumentam os seus preços, os retalhistas têm de decidir exatamente onde permitirão que as subidas de preços fluam diretamente para os consumidores. Nas categorias em que desejam uma maior penetração, podem oferecer preços mais acessíveis nas suas marcas próprias.

As categorias que se espera que vejam estas tendências de uma forma mais incisiva são categorias de impulso, como o chocolate, especialmente packs sazonais; refeições pré-embaladas, soluções de pequeno-almoço ou refeições ligeiras mais saudáveis, barras de cereais, alimentos e bebidas funcionais ricos em proteínas e molhos e condimentos.

 

Tendências

Para compilar o relatório, a IRI estudou milhares de milhões de transações de FMCG nos Estados Unidos da América e em vários dos maiores mercados europeus e asiáticos para compreender como a procura dos consumidores moldou o valor das categorias, em mais de 230 segmentos alimentares e não alimentares. Em termos globais, as vendas de cresceram 3,1%, para 579 mil milhões de euros, no ano móvel até julho de 2021, com os alimentos refrigerados e os frescos a representarem mais de metade do total das vendas (51,3%).

Durante o período do relatório, que abrangeu os confinamentos nos principais mercados europeus, a IRI concluiu que a estrutura da contribuição alimentar versus não alimentar não se alterou significativamente, com os alimentos a compensarem, em média, 80% a 85% do valor da categoria.

Com a flexibilização das restrições à circulação durante o segundo trimestre deste ano, as vendas online diminuíram marginalmente, de máximos pouco acima de 8% para cerca de 7,5% do valor global, revelando-se um pouco mais resilientes do que os analistas previam, uma vez que o comportamento de compra híbrida, com a procura “ofertas” e de conveniência, mantém-se.

Falta saber se o aumento meteórico dos serviços de entrega de bens alimentares e das aplicações se manterá, à medida que os preços dos alimentos aumentarem, já as margens vão sofrer uma erosão adicional.

 

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