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Mais de 65% das empresas querem manter teletrabalho para todos os colaboradores

A Aon acaba de divulgar o relatório “Teletrabalho: Tendências e Políticas em 2021”, que revela que já mais de metade das empresas (58,67%) implementou uma política de trabalho remoto adaptada à nova realidade laboral.

De acordo com este estudo, que analisa as práticas e políticas que as empresas estão a definir ao nível do trabalho remoto para o período pós-pandemia, uma das principais mudanças apontadas pela maioria das organizações inquiridas (67,61%) é a atribuição universal do teletrabalho a todos os colaboradores, desde que as respetivas funções o permitam. Para além destas, 17,61% apenas irão disponibilizar este tipo de trabalho para alguns departamentos específicos, e outras 1,41% apenas a colaboradores mais seniores. Já os restantes 13,38% das empresas admitem aplicar outros critérios de elegibilidade.

Ao nível do teletrabalho, as empresas estão ainda a perspetivar o número de dias de home office a disponibilizar aos seus trabalhadores, com 34% das empresas a apontar para três dias de teletrabalho, seguidas de outras que preferem aplicar cinco dias (24%), dois dias (23%), um dia (13%), e quatro dias (6%).

Os resultados alcançados com este survey demonstram, de forma clara, que os próximos anos vão representar uma evidente mudança das dinâmicas de trabalho nas empresas em todo o mundo, pautada por uma implementação cada vez mais consistente de modelos de trabalho remoto enquanto alternativa ou complemento ao trabalho presencial. Tendo em consideração esta visão, e perante a ainda incerteza sobre a evolução da pandemia, as empresas devem procurar antecipar as tendências do mercado e repensar as suas estratégias de gestão de recursos humanos, de forma a reduzir o impacto destas mudanças no seu negócio e, sobretudo, junto dos seus colaboradores“, diz Joana Brito, HR Solutions Senior Associate da Aon em Portugal.

Neste trabalho de antecipação, Joana Brito destaca a importância de as empresas ouvirem os seus colaboradores:

Realizar estudos internos de auscultação torna-se crucial, sobretudo em fases de incerteza e volatilidade como a que vivemos atualmente, na medida em que nos permitem identificar de forma eficaz quais as preocupações e necessidades dos nossos colaboradores, e assim desenvolver políticas de recursos humanos mais incisivas e com resultados positivos. Com este survey, por exemplo, conseguimos perceber que 30,61% das empresas realizaram um trabalho de auscultação e referem que os seus colaboradores esperam ter um modelo de trabalho misto“, continua Joana Brito.

Uma nova política de trabalho

Outra das possíveis alterações consequentes das novas políticas de trabalho remoto analisadas pela Aon estão relacionadas com a revisão dos benefícios dados aos trabalhadores. Segundo as empresas inquiridas, os principais benefícios que poderão vir a ser ajustados ou adicionados são os planos de benefícios flexíveis (apontados por 49,57% das organizações participantes), a instalação de internet móvel ou em casa dos colaboradores (38,46%), seguidas da adoção de programas de apoio à saúde mental e da aquisição de mobiliário de escritório para cada trabalhador (ambas com 37,61%), sendo, a maioria destes (45,45%), atribuídos em espécie, ou seja, através de uma atribuição direta no salário de cada colaborador.

Já sobre o impacto do teletrabalho noutras políticas das empresas, 50% das empresas acreditam que o pós-pandemia pode implicar uma revisão das políticas de higiene e segurança, enquanto que 47,17% referem as políticas de comunicação interna e 43,40% as políticas de cibersegurança, resultados que, para Joana Brito, “espelham a real preocupação das empresas, por um lado, em criar melhores condições de trabalho no espaço físico, e, por outro lado, em proteger os colaboradores das novas ameaças cibernéticas em home office, ao mesmo tempo que mantêm os níveis de engagement e motivação das equipas à distância”.

Além da alteração das políticas de higiene e segurança, para os escritórios esperam-se também transformações no seu espaço, com 34,34% das empresas inquiridas a querer reduzir a área ocupada, 10,10% a reduzir os espaços em open space, e outros 10,10% a pretender criar mais espaços de socialização. Já 35,35% das empresas não preveem qualquer alteração à estrutura dos seus escritórios.

Desafios

Por fim, o relatório “Teletrabalho: Tendências e Políticas em 2021” apresenta ainda os principais desafios que as empresas apontam para o trabalho remoto no período pós-pandemia. São estes a preparação das chefias para uma gestão remota (com 63,37% a apontar este desafio), os modelos de gestão de pessoas (54,46%) e o negócio/novos desafios com “novos” clientes (44,55%).

As empresas que melhor se adaptarem, ou que melhor anteciparem essa mudança, terão, naturalmente, uma vantagem competitiva num mercado gerido cada vez mais pela volatilidade e pela incerteza. E, portanto, mais do que nunca, é crucial que as empresas unam os seus esforços, não só, para garantir a continuidade dos seus negócios, mas, acima de tudo, para invistir na reorganização e capacitação interna dos seus recursos“, conclui a responsável.

Este estudo contou com a participação de 156 empresas, na sua maioria portuguesas (58,82%).

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