Logótipo do Flora Food Group em fundo claro, com símbolo circular verde e folhas estilizadas, associado ao sector alimentar e produtos de origem vegetal

KKR estuda venda do Flora Food Group por até 10 mil milhões de dólares

A KKR está a estudar a venda do Flora Food Group, antiga divisão de margarinas e produtos para barrar da Unilever, numa operação que poderá atingir uma valorização de até 10 mil milhões de dólares, cerca de 8,8 mil milhões de euros.

Segundo informações avançadas pelo Financial Times e reproduzidas por vários meios internacionais, a firma norte-americana de private equity já estará em conversações com bancos de investimento para avaliar uma possível alienação do negócio, adquirido à Unilever em 2018 por cerca de 6,8 mil milhões de euros aproximadamente 7,73 mil milhões de dólares.

O Flora Food Group reúne algumas das marcas mais conhecidas do segmento de produtos para barrar e alternativas vegetais, incluindo Flora, Becel, I Can’t Believe It’s Not Butter!, Bertolli, Violife e Elmlea.

Procura por produtos vegetais perdeu dinamismo

A eventual venda surge num momento de mudança estrutural no mercado plant-based, depois de vários anos de forte crescimento das alternativas vegetais. Quando adquiriu o negócio, a KKR apostava fortemente no posicionamento vegetal da empresa. Em 2021, a Flora anunciou o objetivo de tornar todo o portefólio exclusivamente plant-based até 2025, apresentando-se como “o maior produtor mundial de alimentos de origem vegetal”.

Contudo, o crescimento das alternativas lácteas e vegetais perdeu intensidade nos últimos anos, numa altura em que parte dos consumidores começou a afastar-se de produtos considerados ultraprocessados e a privilegiar alimentos com maior teor proteico e posicionamento mais natural.

Segundo dados citados do Good Food Institute, as vendas de manteigas vegetais caíram 4% e as margarinas vegetais recuaram 10% em 2025 face ao ano anterior.  O próprio grupo terá revisto parcialmente a estratégia inicial, reincorporando ingredientes lácteos em alguns produtos.

Pressão sobre receitas e volumes

Os resultados mais recentes do Flora Food Group mostram dificuldades operacionais num contexto de forte pressão promocional e quebra de volumes.

Segundo a FoodNavigator, as receitas do grupo caíram 8,7% no exercício encerrado em dezembro de 2024, refletindo uma maior atividade promocional, redução de preços e diminuição das vendas em volume.

Ainda assim, a empresa continua a apresentar uma escala relevante. De acordo com o relatório anual citado pelo Financial Times, o Flora Food Group gerou cerca de três mil milhões de euros em vendas líquidas em 2025, com uma taxa média de crescimento anual composta de 1% entre 2019 e 2025.

O grupo continua, porém, altamente alavancado. Segundo a Fitch Ratings, a empresa apresenta um rácio dívida/EBITDA de aproximadamente 7,5 vezes, embora a agência antecipe uma melhoria gradual do fluxo de caixa livre anual para cerca de 150 milhões de euros até 2028.

Sector alimentar vive nova vaga de desinvestimentos

A possível venda do Flora Food Group enquadra-se numa tendência mais ampla de reorganização no sector alimentar global. Nos últimos anos, várias multinacionais têm acelerado processos de alienação, spin-offs e reestruturações de portefólio. A própria Unilever anunciou a separação da divisão de gelados e tem vindo a afastar-se progressivamente de áreas consideradas menos estratégicas.

Também a Nestlé avançou recentemente com planos de venda da Blue Bottle Coffee e do negócio de águas, enquanto outras empresas do sector têm recorrido a joint ventures, vendas de ativos ou separações societárias para reforçar rentabilidade e foco estratégico.

O Financial Times recorda ainda que, após a venda da Flora, a Unilever alienou igualmente o negócio global de chá à CVC e separou a divisão de gelados Magnum Ice Cream Company como entidade independente.

Interesse poderá vir de private equity ou indústria alimentar

Segundo as informações avançadas, ainda não é claro se a KKR pretende vender o Flora Food Group a outro fundo de private equity ou a um grupo estratégico da indústria alimentar. A empresa recusou comentar oficialmente os rumores de venda. Também não existe, para já, confirmação formal de um processo estruturado de alienação.

Fundada em 1871, o Flora Food Group tem sede em Amesterdão e raízes históricas ligadas à própria criação da margarina moderna, após a aquisição da patente do produto por Antoon Jurgens, fundador da Jurgens Company.

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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