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Inovar na cadeia térmica

Para aliviar as saudades de casa, há que levar um pouco de Portugal para os emigrantes. Esta missão torna-se difícil por causa das temperaturas, condições de transporte e embalamento, mas há soluções de armazenamento e transporte de alimentos que seguem todas as condições da segurança alimentar. Numa altura em que a exportação e a rentabilidade de recursos são cada vez mais um imperativo, a Advanced Products Portugal (APP) assume um papel ainda mais importante enquanto aliada do tecido empresarial português. Com as suas soluções, é possível colocar um produto em qualquer parte do mundo, o mais economicamente possível. Enquadrada no mundo global, onde todos os dias há avanço tecnológico, a APP tem desenvolvido soluções para responder aos desafios atuais da distribuição de produtos, contribuindo para a participação de Portugal no comércio global e para a exportação de produtos portugueses.

Segundo o Gabinete de Estudos e Estratégia do Ministério da Economia, as exportações para França não pararam de aumentar nos últimos anos. Em 2009, Portugal faturou 3,9 mil milhões de euros em vendas para aquele país. Em 2013, o valor era já de 5,49 mil milhões.

França representa quase 12% de todas as exportações portuguesas e é o terceiro mercado de destino dos produtos portugueses, com destaque para os agroalimentares, como o vinho, o bacalhau e azeite. Afinal, quase um milhão de portugueses vivem em França, emigrados sobretudo na década de 60, mas que continuaram a consumir os produtos do seu país. É o chamado mercado da saudade, que não é exclusivo de França, mas de todo esse mundo onde a comunidade portuguesa está instalada.

E existem novos consumidores. Filhos de emigrantes, que cresceram com o produto português, e também os locais. Portugal é um destino turístico na moda e são muitos os que aqui vieram de férias e se apaixonaram pela nossa comida.

As empresas portuguesas estão, também, cada vez mais internacionais. A exportação de produtos portugueses está a renovar-se, sobretudo na última década, com as empresas agroalimentares a perceber que tinham de apostar nos mercados externos. Uma aposta onde enfrentam o grande desafio de fazer chegar os seus produtos em todas as condições e com toda a qualidade.

É a este desafio que a Advanced Products Portugal (APP) dá resposta. Focada na gestão da cadeia térmica nos sectores farmacêutico, alimentar e saúde, a APP é especialista no desenho, desenvolvimento e comercialização de sistemas que garantem a manutenção da cadeia de frio durante as fases de manipulação, armazenamento e distribuição dos produtos. Soluções que são sinónimo de temperatura controlada, mesmo sob condições climatéricas hostis e de transporte de longo tempo. É graças a estas soluções que, por exemplo, os vinhos da Sogrape chegam a todo o lado, nas melhores condições. “Temos cobertores térmicos para os contentores que fazem com que os vinhos não atinjam temperaturas excessivas”, explica Manuel Pizarro, partner e general manager da APP.

A Sogrape é apenas um dos muitos clientes desta empresa sediada na Maia, que tem vindo a crescer juntamente com os clientes que se dedicam à exportação. “Temos várias soluções disponíveis e um dos serviços que, certamente, irá aumentar são as caixas já preparadas em frio, poupando o operador logístico ou o próprio industrial dessa preocupação. É uma aposta para este ano”.

As soluções da APP permitem, precisamente, responder às necessidades do chamado mercado da saudade, mas não só. Em Portugal, por exemplo, a empresa respondeu também ao desafio colocado pelo Recheio Cash & Carry, que precisava de assegurar uma correta operação em ambiente HACCP. Para suprir esta necessidade, a APP, em parceria com a Jerónimo Martins e a SGS, desenvolveu o sistema Miniroll para entregas no canal Horeca. Desta forma, não houve quebra na cadeia térmica. No mesmo sentido, quando as operações online e as entregas ao domicílio surgiram em Portugal, houve a necessidade de existir soluções isotérmicas para o transporte dos produtos refrigerados e congelados, desde as lojas até à casa dos clientes. A APP apresentou a solução ao desenvolver, em conjunto com os “players” do sector, bolsas e-commerce. “A nossa função é o percurso do alimento, medicamento ou qualquer outro produto que seja necessário transportar”, sublinha Manuel Pizarro. “O cliente pode apresentar-nos o desafio de, por exemplo, ter de enviar algo, a uma determinada temperatura, para Frankfurt e depois seguir para o Dubai. A nossa inovação é disponibilizar-lhe uma solução que esteja preparada tanto para o frio como para o calor. Não nos podemos esquecer também das situações em que os produtos alimentares chegam ao país de destino e têm de passar primeiro pela alfândega. Daí que oferecemos embalamentos que permitem manter a cadeia térmica durante todo esse tempo em que os produtos são analisados em conformidade pelas autoridades locais. A nossa preocupação crescente é apresentar aos clientes as soluções o mais económicas possível, que permitam manter a qualidade dos seus produtos. Por exemplo, também temos sistemas autónomos, que implicam ter logística inversa, mas isso são soluções mais caras quando falamos de transporte aéreo ou marítimo. Por rodoviário já é mais viável. Na Polónia, já temos um agente que dá apoio às nossas áreas, pela ligação que temos com a Jerónimo Martins. E imagine que vai participar numa feira internacional e precisa de, em 48 horas, colocar lá uma amostra. Também o conseguimos fazer. A nossa razão de ser é, perante os problemas e desafios, encontrar, dentro do nosso portfólio, a solução mais adequada ou, até mesmo, adaptá-la”.

Crescimento
Este trabalho de desenvolvimento de soluções à medida de cada cliente é, aliás, uma das características que justificam o sucesso da APP. Uma empresa em expansão, que registou, nos últimos cinco anos, um crescimento médio das vendas na ordem dos 11%. Este ano, com o reforço da aposta na internacionalização, a empresa pretende atingir os 1,7 milhões de euros. “A internacionalização é uma aposta clara, porque o mercado interno é exíguo. Iniciámos com os PALOP, agora, estamos a tentar diversificar mercados. Isso faz-se via empresa que exporta ou via agentes. É isso que acontece na Polónia, dada a ligação à Jerónimo Martins, e essa experiência no leste está abrir-nos oportunidades”. O mercado brasileiro é outro dos focos de consolidação.

Nesse sentido, para apoiar este movimento, foi criada, em 2013, a AP Network, com parcerias e escritórios associados no Brasil, Chile, Argentina, Uruguai, Turquia, África do Sul e PALOP, entre outros. Com estas parcerias, a APP garante a sua capacidade de resposta aos desafios mais complexos da cadeia térmica, a partir de soluções inovadoras. Além disso, o foco na inovação levou a AP Networks a investir num laboratório dedicado à análise e ensaios dos diferentes aspetos e componentes das soluções tecnológicas da cadeia térmica. “Fazer mais com menos, procurar novos materiais, apostar na ligação às universidades, porque há muitas soluções que já estão estudadas e não temos recursos para estudar todas, tudo isso é fundamental. Investimos cerca de 10% a 15% do nosso volume de negócios em I&D. Temos, neste momento, um laboratório que é partilhado por mais do que uma empresa e que nos permite levar mais longe a nossa investigação. Brasil e Argentina são mercados que são suportados por Portugal e, com essa partilha, conseguimos ter algo que era impossível se nos centrássemos apenas no mercado português. Partilhamos custos, investigação e interesses. É assim que podemos concorrer com os ‘players’ internacionais”, defende o gestor.

Uma concorrência onde a preocupação da APP é mostrar que tem soluções para todos aqueles que se queiram internacionalizar, independentemente da sua dimensão. “Ou seja, mostrar que somos económicos face aos meios tradicionais. O mais fácil é alugar um contentor frigorífico num avião. Mas sai muito caro. Além disso, temos a preocupação de fazer os vários ciclos, desde o transporte na indústria até aos vários ‘cross dockings’ da operação, em que o produto tem de manter a temperatura. E é exatamente aí onde queremos focar-nos: ser economicamente possíveis”.

Economicamente possíveis numa área que é muito difícil de trabalhar. Assegurar e manter o controlo da temperatura implica que não se coloque nem frio a mais nem a menos, de modo a não comprometer os produtos que são transportados. “O frio é uma área difícil de trabalhar, porque existem muitos imponderáveis na cadeia. O preço cada vez mais é uma preocupação constante e temos que gerir os orçamentos. Há que desenhar operações, fazer autocontrolo e tudo tem de ser constantemente acompanhado. Todos os dias existem imponderáveis, como falhas de energia ou ausência de pessoal. Quanto mais rígidos forem os intervalos de temperatura, mais difícil de trabalhar é o frio. Daí estarmos a desenvolver novos materiais que permitam ser mais estáveis. Graças ao Portugal 2020, estamos a desenvolver uma solução, que pode ser para transporte de alimentos ou de vacinas, por exemplo. São umas placas térmicas próprias que podem ser carregadas com energia solar e, de noite, mantêm a temperatura”.

O facto da APP permitir a conjugação de várias cargas perecíveis é também vantajoso em termos de custos para o cliente. Nos perecíveis, designadamente na fruta, a APP usa mantas térmicas precisamente para evitar a contaminação cruzada. O pescado, por seu turno, exige soluções embaladas ou completamente estanques. Além da temperatura, a contaminação cruzada é algo que preocupa a empresa, assim como o grau de humidade, a influência da luz, a pressão atmosférica, ou seja, tudo o que possa afetar a qualidade do produto. Nesse aspeto, juntamente com alguns parceiros, a APP está a desenvolver uns sensores para poder controlar, ainda melhor, o que acontece aos produtos.

Há também que considerar que se vai atravessar uma revolução logística total, com a crescente aposta nos formatos de conveniência, e a missão da APP é ajudar nesta micro logística. As lojas dos centros urbanos vão colocar novos desafios, assim como o próprio online, cabendo-lhe desenhar as soluções para que as encomendas sejam entregues em conformidade. “Neste momento, estamos a explorar o facto de um mesmo camião poder distribuir várias cargas e isso é algo que vai assumir uma importância ainda maior com a aposta do retalho na proximidade. Outra tendência que vamos acompanhar é a chegada da indústria a casa dos consumidores, através do e-commerce. Vão haver cada vez mais meios nesse sentido e estamos já a trabalhar em cadeias térmicas cada vez mais fáceis, que permitam receber em casa diretamente do produtor”.

A médio/longo prazo, a empresa vai também explorar bastante, nomeadamente no Brasil, a questão do desperdício alimentar. “Um terço dos produtos alimentares são desperdiçados, o que dava para acabar com a fome no mundo. Com os nossos meios, vamos apostar na logística inversa, de modo a que esses produtos não passem logo a ser desperdício”, adianta Manuel Pizarro.

Preocupações de uma empresa que aponta ao futuro e se apresenta como um valioso recurso para ajudar a eliminar, ainda mais, as fronteiras da distância para as exportações portuguesas, seja em temperatura negativa ou ambiente.

Este artigo foi publicado na edição 44 da Grande Consumo.

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