Na Feira do Livro de Lisboa, a experiência de compra passa a poder ser vivida com menos peso nas mãos e mais liberdade de circulação. A DPD Portugal desenvolveu uma solução específica para o evento, permitindo aos visitantes enviar os livros para uma loja Pickup à sua escolha ou fazê-los chegar a outra pessoa como oferta. Para Américo Mendes, managing director business da DPD Portugal, esta presença traduz uma nova leitura da conveniência: mais do que rapidez, trata-se de dar ao consumidor controlo, flexibilidade e capacidade de adaptar a entrega ao seu momento de vida. A iniciativa surge também como um teste a novos modelos de proximidade logística em contextos urbanos de grande afluência, num momento em que as soluções out-of-home ganham peso na experiência de compra e no futuro do last mile.
O que motivou a DPD Portugal a desenvolver esta solução específica para a Feira do Livro de Lisboa? De que forma esta iniciativa reflete a evolução das expectativas dos consumidores em matéria de conveniência e flexibilidade?
A Feira do Livro de Lisboa é um dos eventos culturais mais relevantes do país e tem uma característica muito própria: é um espaço de descoberta, passeio e compra, mas também de permanência. O que identificámos foi uma oportunidade muito concreta de melhorar essa experiência, retirando uma barreira simples, mas real: a necessidade de transportar livros durante várias horas ou no regresso a casa.
Esta solução nasce precisamente dessa leitura do quotidiano. Queremos que os visitantes possam comprar mais livremente, continuar a usufruir da feira com conforto e, se desejarem, enviar livros como oferta para alguém, ou para si próprio, de forma simples e acessível. É uma resposta prática, mas também muito alinhada com a evolução das expectativas dos consumidores: hoje, conveniência não significa apenas rapidez; significa liberdade de escolha, flexibilidade e capacidade de adaptar o serviço ao momento da vida de cada pessoa.
Considera que soluções como esta ajudam a transformar a experiência física de compra? Esta solução nasce de uma necessidade identificada junto dos consumidores ou surge também como uma forma de testar novos modelos de proximidade logística em eventos de grande dimensão?
A Feira do Livro de Lisboa é um bom exemplo de como a experiência física continua a ser muito relevante. As pessoas não vão apenas comprar livros; vão passear, descobrir novidades, receber recomendações, encontrar autores, estar com família e amigos. O que esta solução faz é retirar uma pequena fricção dessa experiência: a necessidade de carregar livros durante toda a visita ou no regresso a casa.
Nesse sentido, sim, acreditamos que soluções como esta podem enriquecer a compra física. Não substituem a experiência presencial, pelo contrário, tornam-na mais confortável e conveniente. O visitante continua a escolher e a comprar na feira, mas passa a ter uma opção simples para enviar os livros para uma loja Pickup à sua escolha, ou até para os fazer chegar a alguém como oferta.
Ao mesmo tempo, esta solução permite-nos testar modelos de proximidade logística em contextos de grande afluência. Para a DPD Portugal, é muito importante perceber como a nossa rede Pickup pode acrescentar valor fora dos contextos tradicionais de e-commerce, em momentos reais do quotidiano urbano, onde a conveniência pode melhorar de forma tangível a experiência das pessoas.
Que adesão esperam alcançar durante esta edição da Feira do Livro? Existem metas concretas definidas para esta ativação?
Mais do que uma meta puramente quantitativa, esta ativação tem para nós um objetivo estratégico: demonstrar, num contexto muito concreto e muito próximo das pessoas, como a rede Pickup da DPD pode simplificar o quotidiano dos consumidores.
Naturalmente, esperamos uma boa adesão, porque a solução responde a uma necessidade evidente: comprar livros sem ter de os transportar durante todo o dia, ou enviá-los diretamente para alguém. Mas o principal indicador de sucesso será a forma como os visitantes percecionam o serviço: se o consideram simples, útil, acessível e capaz de melhorar a experiência na Feira do Livro de Lisboa. Esse é o verdadeiro valor desta presença.
Até que ponto o consumidor português se tornou mais exigente em relação à conveniência associada às entregas? Hoje, o consumidor valoriza mais a rapidez, a flexibilidade ou a liberdade de escolher onde e quando recebe uma encomenda?
O consumidor português está claramente mais exigente. O Barómetro E-Shopper 2025 mostra que 75% dos portugueses já compra online e que 46% são e-shoppers regulares. Isto significa que a relação com as entregas deixou de ser esporádica e passou a fazer parte do quotidiano.
Hoje, o consumidor não valoriza apenas rapidez. Valoriza previsibilidade, controlo, facilidade e liberdade de escolha. Quer saber quem entrega, onde pode receber, quando pode levantar e que alternativas tem caso não esteja em casa. Um dado muito relevante é que 63% dos portugueses considera importante conhecer a transportadora que entrega as suas encomendas. Isto mostra que a logística deixou de ser invisível e passou a fazer parte da experiência de compra.
O crescimento do e-commerce alterou definitivamente a relação dos consumidores com a logística e as entregas? A conveniência está a tornar-se um fator decisivo de fidelização para marcas e retalhistas?
Sim, de forma estrutural. O e-commerce tornou a logística muito mais presente na vida dos consumidores. A entrega deixou de ser apenas o momento final da compra e passou a ser uma parte essencial da experiência com a marca ou com o retalhista.
Quando uma entrega é simples e sem fricção, reforça a confiança. Quando falha, compromete toda a experiência, mesmo que o produto seja bom. Por isso, a conveniência tornou-se um fator decisivo de fidelização. As marcas e os retalhistas que conseguirem oferecer mais opções, mais controlo e maior transparência terão uma vantagem competitiva clara.
Que tendências de consumo e comportamento estão atualmente a moldar o futuro do last mile? As soluções out-of-home têm ganhado relevância em toda a Europa. Como avalia a maturidade do mercado português neste segmento?
O futuro do last mile está a ser moldado por uma mudança muito clara no comportamento dos consumidores: querem mais controlo sobre a entrega, mais flexibilidade nas opções disponíveis e soluções que se integrem naturalmente nas suas rotinas. Já não falamos apenas de rapidez. Falamos de conveniência, previsibilidade, proximidade e sustentabilidade.
É por isso que as soluções out-of-home, como as lojas Pickup e os lockers, têm vindo a ganhar relevância em toda a Europa. Respondem a uma necessidade muito concreta: permitir que o consumidor receba ou levante uma encomenda quando lhe for mais conveniente, num local próximo de casa, do trabalho ou dos seus trajetos habituais. Ao mesmo tempo, permitem operações mais eficientes, com maior concentração de entregas e menor fragmentação das rotas.
Em Portugal, diria que o mercado está numa fase de crescimento acelerado, embora ainda com margem significativa de evolução. O Barómetro E-Shopper 2025 mostra que 14% dos e-shoppers portugueses já recorre a lockers, mais cinco pontos percentuais face a 2023. Ainda estamos abaixo da média europeia, que é de 27%, mas esse diferencial mostra precisamente o potencial de desenvolvimento do mercado nacional.
O que vemos é que a maturidade está a aumentar, sobretudo entre consumidores mais jovens, urbanos e compradores online mais frequentes. À medida que experimentam estas soluções e percebem a sua conveniência, a adoção tende a crescer. O desafio passa por continuar a expandir a rede, tornar estas opções cada vez mais visíveis no momento da compra e demonstrar que a entrega fora de casa não é apenas uma alternativa, mas muitas vezes a solução mais conveniente, eficiente e sustentável.
Qual é atualmente o peso estratégico da rede Pickup dentro da operação da DPD Portugal?
A rede Pickup é hoje um dos pilares da nossa operação, porque nos permite responder a uma expectativa cada vez mais evidente dos consumidores: ter mais opções e mais controlo sobre a forma como recebem, enviam ou devolvem encomendas.
Com mais de 2.300 pontos Pickup em Portugal, entre lojas e lockers, conseguimos oferecer uma solução de grande proximidade, integrada no dia a dia das pessoas. Para muitos consumidores, isto significa poder levantar uma encomenda perto de casa, do trabalho ou num local por onde já passam habitualmente, sem estarem dependentes de uma entrega ao domicílio numa hora específica.
Do ponto de vista da DPD Portugal, esta rede permite-nos estar mais próximos dos consumidores e, ao mesmo tempo, tornar a operação mais eficiente. É uma resposta muito concreta à evolução do mercado: um consumidor que quer conveniência, mas também liberdade; rapidez, mas também flexibilidade; e uma experiência de entrega que se adapte à sua rotina, e não o contrário.
O consumidor português já interiorizou as vantagens das entregas em pontos Pickup ou continua muito dependente da entrega ao domicílio? Quais são as principais vantagens das soluções Pickup, tanto para consumidores como para operadores logísticos e retalhistas?
O consumidor português está a interiorizar cada vez mais essas vantagens, embora a entrega ao domicílio continue a ter um peso muito relevante. O que vemos é uma evolução gradual: à medida que as pessoas experimentam soluções Pickup, percebem o valor da flexibilidade.
Para o consumidor, a principal vantagem é o controlo: pode levantar a encomenda quando lhe for mais conveniente, num ponto próximo de casa, do trabalho ou dos seus percursos habituais. Para os operadores logísticos, permite maior eficiência e concentração de entregas. Para os retalhistas, melhora a experiência de compra, reduz fricções e oferece mais opções ao cliente final.
O modelo out-of-home pode desempenhar um papel importante na redução de custos e na sustentabilidade das operações logísticas?
Sim, o modelo out-of-home tem impacto direto na eficiência das operações logísticas. Ao concentrar várias entregas num único ponto, reduzimos tentativas falhadas por ausência do destinatário, deslocações adicionais e dispersão de rotas. Isto tem benefícios operacionais, económicos e ambientais.
É uma solução particularmente relevante em contextos urbanos, onde a pressão sobre mobilidade, trânsito e emissões é maior. Não se trata de substituir totalmente a entrega ao domicílio, mas de criar uma rede mais equilibrada, em que cada consumidor pode escolher a solução mais adequada ao seu momento.
Em termos ambientais, qual é o impacto positivo que uma maior concentração de entregas em pontos Pickup pode gerar? Acredita que o futuro do last mile passará por uma coexistência equilibrada entre entrega ao domicílio, cacifos inteligentes e pontos Pickup?
O impacto positivo está sobretudo na redução da fragmentação das entregas. Em vez de realizar múltiplas entregas individuais, muitas vezes com tentativas falhadas ou deslocações adicionais, conseguimos agregar várias encomendas num único ponto de entrega. Isso torna a operação mais eficiente, reduz quilómetros percorridos e contribui diretamente para a redução das emissões de carbono associadas ao last mile.
Este é um ponto particularmente importante nas cidades, onde a logística tem de responder a uma dupla exigência: continuar a ser rápida e fiável para o consumidor, mas fazê-lo de forma mais eficiente e sustentável. As soluções out-of-home são uma parte essencial dessa resposta, precisamente porque permitem conciliar conveniência e menor impacto ambiental.
Acredito que o futuro do last mile passará por uma coexistência equilibrada entre entrega ao domicílio, lockers e lojas Pickup. Haverá situações em que a entrega em casa continuará a ser a melhor opção; outras em que o locker será mais conveniente e outras em que a loja Pickup, pela proximidade e flexibilidade, fará mais sentido. O essencial é dar ao consumidor liberdade de escolha, ao mesmo tempo que construímos modelos de distribuição mais eficientes, mais sustentáveis e melhor integrados nas cidades.
A logística deixou de ser apenas uma operação invisível para passar também a fazer parte da experiência de marca? Que importância tem hoje a capacidade de criar soluções contextualizadas e adaptadas ao quotidiano urbano?
Hoje, a logística já não começa apenas quando a encomenda sai de um armazém, nem termina quando é entregue. Faz parte da promessa que uma marca faz ao consumidor. Se a entrega é simples e conveniente, reforça a confiança, por outro lado, se é complexa, rígida ou falha no momento certo, toda a experiência de compra fica comprometida, mesmo que o produto seja bom.
É por isso que a capacidade de criar soluções contextualizadas é cada vez mais importante. A conveniência não é igual em todos os momentos: numa compra online, pode significar uma janela de entrega previsível; num contexto urbano, pode significar levantar uma encomenda perto de casa ou do trabalho; na Feira do Livro de Lisboa, significa poder continuar a visitar o recinto sem carregar livros durante horas, ou a possibilidade de enviar uma oferta diretamente para alguém. A logística tem de se adaptar ao contexto real em que as pessoas vivem, compram, circulam e oferecem.
Esta presença na Feira do Livro de Lisboa mostra precisamente essa evolução. Não estamos apenas a disponibilizar um serviço de transporte; estamos a resolver uma necessidade concreta num momento concreto da vida dos consumidores. Para a DPD Portugal, esse é o futuro da logística: estar mais próxima, ser mais inteligente e acrescentar valor à experiência, sem se impor sobre ela.
Veremos no futuro mais ativações deste género por parte da DPD Portugal em festivais, eventos culturais ou grandes concentrações urbanas?
Neste momento, o nosso foco está em garantir que a experiência na Feira do Livro de Lisboa corre bem, que o serviço é útil para os visitantes e que conseguimos retirar aprendizagens relevantes. A partir daí, naturalmente, poderemos avaliar outros contextos onde a rede Pickup da DPD possa responder a necessidades semelhantes, seja em eventos culturais, festivais ou outras concentrações urbanas.
Mais do que replicar um modelo de forma automática, queremos perceber onde é que a logística pode resolver um problema real para as pessoas. Quando existe essa oportunidade, faz sentido estudá-la.
Como imagina a evolução das entregas urbanas nos próximos cinco anos? Que papel terão a tecnologia, os dados e a inteligência artificial na personalização da experiência logística? A logística pode tornar-se um elemento diferenciador na experiência de consumo do futuro?
Nos próximos cinco anos, as entregas urbanas serão cada vez mais personalizadas, previsíveis e integradas nas rotinas dos consumidores. A tecnologia, os dados e a inteligência artificial terão um papel determinante na otimização de rotas, na antecipação de preferências, na comunicação com o cliente e na criação de experiências mais simples.
A logística vai tornar-se um fator de diferenciação cada vez mais relevante. Não será apenas entregar depressa; será entregar melhor, com mais informação, mais opções e menos fricção. As empresas que conseguirem combinar tecnologia, proximidade e sustentabilidade estarão mais bem posicionadas para responder ao consumidor do futuro.
Que mensagem pretende a DPD Portugal transmitir aos consumidores através desta presença na Feira do Livro de Lisboa?
Queremos transmitir uma mensagem de proximidade e utilidade. A DPD Portugal quer estar presente nos momentos em que pode, de forma concreta, simplificar a vida das pessoas. Na Feira do Livro de Lisboa, isso significa permitir que os visitantes comprem com mais liberdade, aproveitem a experiência com mais conforto e possam fazer chegar livros a quem mais gostam de forma simples, acessível e conveniente.
Esta presença mostra também que a logística pode ter um papel muito positivo em experiências do quotidiano. Não se trata apenas de transportar encomendas de um ponto para outro; trata-se de criar soluções que acompanham a forma como as pessoas vivem, compram, circulam e se relacionam.
No caso da Feira do Livro, há ainda uma dimensão emocional muito forte: os livros são muitas vezes uma escolha pessoal, uma descoberta ou uma oferta. Se conseguirmos tornar esse gesto mais simples – seja levando os livros até uma loja Pickup próxima do visitante, seja ajudando a enviá-los para alguém especial –, estamos a acrescentar valor à experiência e a reforçar aquilo que a DPD Portugal procura fazer todos os dias: aproximar pessoas, marcas e momentos importantes.








