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Herdade Grande assinala centenário com novas referências

A Herdade Grande, uma das mais antigas marcas familiares alentejanas, celebrou o 100.º aniversário com o anúncio dos novos topos de gama, assim como do regresso do vinho de talha, a que se junta, ainda, o lançamento de um monovarietal Sousão.

Em pleno centenário, a Herdade Grande avança para a reestruturação de 50% da área de vinha e confirma a aposta em novas castas, maioritariamente portuguesas, que trazem novas expressões do terroir da Vidigueira. Estratégia baseada numa aposta transversal entre viticultura, marca e produtos vinho e enoturismo, que representa um investimento de meio milhão de euros nos próximos cinco anos, com a tradição a conciliar-se com o experimentalismo naquela que é uma das mais antigas marcas familiares alentejanas, que integra já a quarta geração.

Mariana Lança, diretora geral, herda do pai a paixão pela terra, pela agronomia e pela viticultura. E, tal como, a partir dos anos 80, António Lança redefiniu o património de vinhas da herdade, apostando em novas castas, ou engarrafando, a partir de 1997, com a própria marca, também Mariana Lança partilha agora os novos desafios. A Herdade Grande entra no centenário com uma nova equipa de enologia, liderada por Diogo Lopes, e o objetivo estratégico passa pela aposta nos vinhos de média e alta gama, valorizando a produção que está estabilizada nas 400 mil garrafas ao ano. “Somos, com muito orgulho, uma empresa familiar, com uma estratégia de identidade e diferenciação em que nos interessa, mais do que aumentar o volume, defender a nossa marca. Continuaremos a aposta nos vinhos distintos, de qualidade, que agregam valor a todo o portfólio”, enquadra Mariana Lança.

Há 25 anos que as talhas da família Lança não se enchiam, nomeadamente, desde os últimos anos de vida de Eduardo dos Santos Lança, o pai de António Lança e avô de Mariana Lança, que, por sua vez, tinha herdado a tradição dos vinhos de talha do seu antecessor. À entrada do centenário, as talhas recuperaram-se, procedeu-se à sua impermeabilização – a chamada pesgagem, com pez, um composto com resina de pinheiro – e assim ficaram preparadas para receber as uvas da colheita 2018. “Foi uma tradição que a família fez questão de recuperar. Os vinhos de talha seriam o melhor tributo ao centenário da Herdade Grande e a pessoas como o meu avô e o meu bisavô, fundadores da Herdade Grande e grandes entusiastas destes vinhos. Criámos as condições necessárias, com o apoio técnico da nossa enologia, e é com muito orgulho que agora os anunciamos”, explica Mariana Lança.

Diogo Lopes, António e Mariana Lança

Diogo Lopes, enólogo da Herdade Grande, enquadra os novos vinhos, nomeadamente o Herdade Grande Amphora Branco 2018, um talha puro em todo o processo. “É um talha puro, de fermentação em curtimenta, na talha, como se fazia antigamente. Selecionámos uvas de vinhas mais velhas, entre as castas Antão Vaz, Perrum e Roupeiro, e também algum Alvarinho, que entraram em simultâneo nas talhas, para fermentação com as leveduras indígenas. Procedemos ao removimento das massas, em busca da extração das películas, e interrompemos o processo em novembro, procurando um compromisso que garantisse rigor e distinção ao vinho. O resultado é um branco cheiro de carácter, com bastante boca, devido à fermentação com as películas. No nariz, tem a nota resinosa do pez e do pinheiro, que lhe confere autenticidade e pureza. É um branco com tanino, muito rico e volumoso na boca”.

Proposta a que se junta o Herdade Grande Amphora Tinto 2018, composto por Tinta Grossa, Tinta Caiada e Touriga Franca e que, depois da fermentação em lagares de inox, fez um estágio nas talhas, em busca do lado mais terroso. No final, torna-se um tinto muito interessante, sem a “maquilhagem” da madeira, com os taninos muito arredondados.

Paralelamente, a Herdade Grande apresenta um novo monocasta, o Herdade Grande Sousão 2017, um vinho improvável no terroir da Vidigueira. O estudo da adaptabilidade da casta, e o resultado verdadeiramente entusiasmante, constituem razões para que, no futuro próximo, esta seja uma das variedades a plantar e a aumentar área na Herdade Grande.

Integração de novas castas não originárias da região, como o Sousão, que sempre apaixonaram António Lança, e onde se podem encontrar o Rabigato, Alvarinho e o Viosinho, no caso dos brancos, assim como a Touriga Franca e a Tinta Miúda, no caso dos tintos, a que se juntam as “clássicas” Alicante Bouschet e Syrah que, conciliadas com a Touriga Nacional e a Touriga Franca, dão corpo à colheita de 2015 do Herdade Grande Grande Reserva Tinto, agora apresentado em nova colheita ao mercado. Devidamente acompanhado pelo Herdade Grande Grande Reserva Branco, que na colheita de 2018 é composto por Rabigato, Viosinho e Alvarinho e estagiou, integralmente, em barricas de carvalho francês.

Os vinhos agora apresentados pela Herdade Grande vêm reforçar um portfólio que representa uma produção anual de 400 mil garrafas, constituindo, ainda, o enoturismo um importante complemento de toda a atividade, ferramenta crucial de promoção do próprio vinho. Uma área onde a marca Herdade Grande também será alvo de aposta renovada, focando-se na oferta de serviços e experiências customizadas, seja para pequenos grupos privados ou para clientes “corporate”. “Queremos partilhar a nossa qualidade e a nossa identidade. O que nos define são os grandes vinhos, a gastronomia regional genuína e um sorriso familiar, acolhedor, de uma casa com 100 anos de história e de estórias. Procuramos aliar estas valências e partilhá-las, porque construímos relações e, no fundo, isso é o que nos apaixona e o que reforça a marca”, conclui Mariana Lança.

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