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A Primark registou um crescimento modesto das vendas nas 16 semanas até 3 de janeiro de 2026, num contexto de forte pressão sobre a procura no setor do vestuário. De acordo com a análise da GlobalData, o desempenho ficou ligeiramente abaixo das expectativas do grupo, refletindo um mercado desafiante e consumidores mais cautelosos.
Segundo Louise Deglise-Favre, Lead Apparel Analyst da GlobalData, as vendas em moeda constante cresceram apenas 1%, impulsionadas sobretudo pela expansão internacional da rede de lojas. Em contrapartida, as vendas comparáveis (like-for-like) do grupo caíram 2,7%, evidenciando a fragilidade da procura subjacente. Para gerir os níveis de stock, a Primark aumentou os descontos, o que acabou por penalizar a rentabilidade.
A empresa antecipa agora que o crescimento das vendas no primeiro semestre do exercício fiscal de 2025/2026 se situe em valores baixos de um dígito. Caso esta tendência se mantenha, a Primark espera margens operacionais ajustadas em torno dos 10% para o conjunto do ano, um nível estável em termos anuais, mas ainda abaixo dos padrões históricos da insígnia.
Reino Unido mostra maior resiliência
No Reino Unido, a Primark apresentou “um desempenho relativamente mais sólido face a um mercado de vestuário fraco durante o período natalício“, disse a analista. As vendas em moeda constante cresceram 3% e as vendas comparáveis aumentaram 1,7%. Este resultado foi apoiado por iniciativas focadas no reforço da proposta de valor, “incluindo melhorias de produto, comunicação mais clara sobre preços e um maior envolvimento digital através dos serviços de click-and-collect e da aplicação móvel“.
No entanto, ao considerar a região do Reino Unido e Irlanda em conjunto, as vendas comparáveis cresceram apenas 1,1%, revelando que o mercado irlandês continua sob pressão. Segundo Louise Deglise-Favre, este desempenho também expõe as fragilidades de um modelo fortemente dependente das lojas físicas, num contexto em que o comércio online assume um papel cada vez mais relevante.
Europa continental e EUA com desempenho desigual
Fora do Reino Unido e da Irlanda, os resultados foram mistos. Na Europa continental, as vendas comparáveis caíram 5,7%, refletindo a fraca confiança dos consumidores, com as iniciativas da Primark para reforçar o valor percebido e o envolvimento com os clientes ainda numa fase inicial.
Nos Estados Unidos, as vendas em moeda constante cresceram 12%, um resultado que, segundo a GlobalData, foi sobretudo impulsionado pela abertura de novas lojas. O mercado norte-americano continua marcado por volatilidade, influenciada por tarifas elevadas e tensões políticas, fatores que afetam o tráfego em loja e o sentimento dos consumidores.
A Primark mantém a expansão internacional como um dos principais motores de crescimento, tendo recentemente aberto a sua primeira loja no Kuwait.
“Embora a expansão internacional continue a ser uma importante alavanca de crescimento, a dependência em novas áreas comerciais, em vez do dinamismo das vendas comparáveis, evidencia a necessidade de uma melhoria da procura subjacente dos consumidores, caso a Primark queira manter-se competitiva a longo prazo face a fortes players como a Shein e a Zara”, alerta a analista da GlobalData. “A Primark deverá investir em marketing com maior impacto para comunicar de forma mais eficaz as suas fortes credenciais de moda e de relação qualidade-preço”.


