Economia
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Estímulos fiscais e monetários vão estender-se por 2021

A Crédito y Caución prevê que o apoio monetário dos bancos centrais se prolongue até 2022, de modo a fortalecer a recuperação económica.

Na primavera de 2020, a Reserva Federal reduziu rapidamente as taxas de juros, anunciou uma flexibilização quantitativa ilimitada e apoiou os mercados com liquidez, incluindo os empréstimos diretos às pequenas empresas. O Banco de Inglaterra atuou de forma similar, enquanto o Banco Central Europeu foi um pouco mais contido e omitiu os empréstimos diretos. Nos mercados emergentes, os bancos centrais da China, Índia e Brasil reduziram as taxas de juros e estabeleceram programas de liquidez.

De acordo com o mais recente “Economic Outlook”, divulgado pela Crédito y Caución, este relaxamento da política monetária está a amortecer o impacto da crise por várias vias. Em primeiro lugar, ao permitir que os governos se endividem com taxas de juros baixas ou mesmo negativas, reduzindo os diferenciais de rendimentos entre os países da zona euro. Em segundo lugar, parte do dinheiro bombeado no sistema vai parar aos mercados de valores. Em terceiro lugar, alivia-se o financiamento das empresas ao evitar o endurecimento das condições de acesso ao crédito e a subida das taxas naturais próprias de uma recessão.

 

Estímulo fiscal

Uma política monetária acomodativa é necessária, mas não suficiente. O outro pilar que mantém as economias à tona de água é a política fiscal”, explica o relatório. “As medidas de distanciamento social, como os confinamentos, implicam importantes custos económicos associados à pandemia. As insolvências e falências ameaçam as empresas e os trabalhadores enfrentam o desemprego”, acrescenta o relatório.

Para amortecer estes efeitos, os governos lançaram pacotes de estímulo fiscal equivalentes a 12% do PIB em 2020, que se materializaram em apoios salariais para preservar os postos de trabalho, novas prestações de desemprego, adiamento de impostos e empréstimos subvencionados ou com garantias para aliviar a pressão sobre a liquidez das empresas.

O relatório prevê que os principais países da zona euro, como a Alemanha, a França, a Itália e a Espanha, ampliem os seus programas de estímulo, em 2021, perante o ressurgimento de novos casos de Covid-19. “Nesta fase de recuperação económica, que acreditamos arrancará verdadeiramente em meados de 2021, estes países também poderão beneficiar das facilidades da União Europeia, consideravelmente reforçadas”, explica o relatório.

Nas economias emergentes, as medidas de estímulo implementadas em 2020 foram muito mais modestas, com exceção do Brasil onde a despesa foi equivalente a 12% do PIB.

 

Dívida pública

Esta resposta fiscal sem precedentes elevou os níveis de dívida pública a 100% do PIB mundial em 2020, o nível mais elevado da história. Os défices nas economias avançadas dispararam especialmente em Itália, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos. Apesar do desequilíbrio das contas públicas, geralmente, suscitar preocupações com a sustentabilidade financeira, a pandemia constitui um cenário extraordinário face ao qual tanto o FMI como a União Europeia continuam a animar os governos para, em 2021, aproveitarem o quadro monetário extremamente acomodativo, com os bancos centrais a atuar como prestamistas de última instância para os governos e estimularem as suas economias.

Por isso, de acordo com as previsões contidas neste relatório, este ano assistir-se-á uma diminuição dos défices públicos à medida que a recuperação ganhe força, embora os níveis de 2019 estejam ainda longe, salvo no caso da China.

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