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Aterragem suave do crescimento mundial

economia global
Foto Shutterstock

As últimas Perspetivas Económicas divulgadas pela Crédito y Caución preveem que o crescimento global se situe em 2,6% em 2024. Prevê-se que as economias avançadas cresçam cerca de 1,6% enquanto as economias emergentes podem chegar aos 3,9%. Os níveis de crescimento, embora mais fortes do que o previsto em dezembro, permanecerão relativamente baixos em comparação com os das duas primeiras décadas do século.

Estas previsões baseiam-se em cinco pontos principais. Em primeiro lugar, a contenção dos níveis de tensões geopolíticas atuais. Não há sinais de que a guerra na Ucrânia esteja próximo do fim, mas também não há qualquer indicação de uma escalada de tensões em Taiwan ou no Mar Vermelho.

Em segundo lugar, as más relações entre a China e os Estados Unidos não irão mudar. Os Estados Unidos veem a China como um rival económico, cujo progresso em setores estratégicos, incluindo os relacionados com a transição energética, deve ser controlado. Além disso, os EUA puseram em prática uma política industrial não só para proteger, mas também para desenvolver setores. Isso significa que o acesso à tecnologia dos Estados Unidos é restrito e que serão impostas tarifas a certos tipos de bens. A China retaliará no comércio, mas sem destruir o comércio bilateral ou escalar para uma guerra comercial.

Em terceiro lugar, a inflação continuará a diminuir gradualmente, aproximando-se das metas dos bancos centrais. Trata-se de um processo, embora com uma clara tendência decrescente, que varia consoante o país ou a região. O relatório prevê que a inflação na União Europeia desça mais rapidamente do que nos Estados Unidos, uma vez que a origem da inflação é muito diferente. Certamente, a última milha da desinflação nos Estados Unidos pode ser desafiadora.

Em quarto lugar, a flexibilização monetária será um facto em 2024. Será suave e consistirá em alguns cortes de juros, enquanto a redução do balanço, que na verdade é um aperto monetário, continuará. Não se espera um regresso ao período pré-pandémico de taxas de juro ultrabaixas e de uma ampla flexibilização monetária.

Em quinto lugar, o papel dos Estados na economia continuará a crescer e serão implementadas políticas para desenvolver e proteger setores considerados vitais para a economia ou mesmo para a segurança, particularmente nas economias avançadas. Os Estados Unidos lideram este processo. Isto significa que a prudência orçamental é uma prioridade menor. Os défices orçamentais serão, por conseguinte, maiores do que o inicialmente previsto, com menos consolidação orçamental.

O principal risco negativo para este cenário é o aumento das tensões geopolíticas, que poderão introduzir pressões inflacionistas através do aumento dos custos dos transportes e do petróleo. Isso conduziria a um maior aperto da política monetária por parte dos bancos centrais, reduzindo a procura das empresas e das famílias e o crescimento.

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