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Entrada dos supers na venda de medicamentos baixou preços em 6%

Foto Shutterstock

O fim do monopólio das farmácias na venda de medicamentos sem receita, no final de 2005, trouxe reduções de preço em torno dos 6%, indica um estudo dos economistas Pedro Pita Barros e Ana Moura.

O estudo, publicado a na revista científica Health Economics e citado pelo Dinheiro Vivo, procurou saber se e como a concorrência de outro retalho às farmácias comunitárias contribuiu para baixar os preços ao consumidor. De acordo com os autores, a nível europeu, a correlação é pouco evidente até aqui, mas, no caso português, verifica-se. A descida do preço é motivada pelo efeito de escala dos grandes supermercados, que conseguem negociar preços grossistas 20% abaixo do praticado pelas farmácias comunitárias nos dados analisados.

Já as parafarmácias, mostraram reduções de preço em 4%, sem efeito nas farmácias próximas.

“Os nossos resultados principais mostram que as farmácias instaladas baixam os preços em cerca de 6% após a experiência de chegada de um supermercado ao grupo dos seus três vizinhos [concorrentes] mais próximos. Não encontrámos prova de que a chegada de parafarmácias conduza a reduções de preço pelas farmácias“, descrevem.

 

11,7% das vendas

O estudo seguiu os preços de cinco das marcas de medicamentos sem receita – Aspirina, Cêgripe, Trifene 200, Mebocaína e Tantum Verde -, representantes de um décimo das vendas livres de medicamentos em Portugal. A evolução foi analisada nos preços de 2006, 2010 e 2015, com os autores a compararem as farmácias comunitárias de Lisboa junto às quais se instalou a concorrência dos estabelecimentos não farmacêuticos e aquelas onde tal não aconteceu.

De acordo com o estudo, nos primeiros anos após a liberalização e até 2010, a descida de preço associada à competição com os supermercados foi de 6% a 7%. Posteriormente, até 2015, as reduções foram de 4% e os 6%. “Mostrámos que as reformas nos medicamentos de venda livre podem baixar preços com o aumento da concorrência, ainda que crucialmente esta dependa da capacidade dos novos concorrentes exercerem pressão competitiva nas farmácias instaladas“, referem os autores.

Em 2017, os medicamentos sem receita representavam 11,7% das vendas de medicamentos fora dos hospitais. A quota de mercado de parafarmácias e de supermercados atingia os 20% em 2014, segundo os dados do Infarmed citados no estudo.

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