O número de pessoas empregadas na agricultura na União Europeia continua a diminuir, refletindo uma transformação estrutural profunda no sector. Em 2023, cerca de 8,4 milhões de pessoas trabalhavam na agricultura da União Europeia, incluindo atividades de caça e serviços relacionados, de acordo com a edição de 2025 da publicação “Key figures on the European food chain”, divulgada em dezembro e divulgada agora pelo Eurostat. O retrato confirma uma tendência de longo prazo marcada pela redução do número de explorações agrícolas e pela crescente adoção de tecnologias poupadoras de mão de obra.
Ao longo da última década, o peso do emprego agrícola no total da força de trabalho europeia caiu de forma consistente. Em 2013, o sector representava 5,2% do emprego total da União Europeia; em 2023, essa percentagem desceu para 3,9%. A mecanização, a automação e outras inovações tecnológicas têm permitido ganhos de eficiência, mas também contribuído para a diminuição do número de trabalhadores necessários no terreno.
Esta trajetória descendente verificou-se em todos os Estados-membros, ainda que com intensidades distintas. Entre 2013 e 2023, a Roménia registou a maior quebra na participação do emprego agrícola, com uma redução de 8,9 pontos percentuais. Seguiram-se a Croácia e Portugal, ambos com uma diminuição de 4,7 pontos percentuais, evidenciando mudanças significativas na estrutura do emprego rural.

A publicação analisa toda a cadeia alimentar, do campo ao prato, abrangendo produção, transformação, distribuição, comércio internacional, consumo e impactos ambientais. O enfoque nos trabalhadores agrícolas sublinha a importância do fator humano num sector que enfrenta simultaneamente desafios demográficos, tecnológicos e de sustentabilidade.
Os dados agora divulgados permitem comparar a evolução do emprego agrícola entre países da União Europeia e da EFTA, oferecendo uma base sólida para avaliar políticas públicas e estratégias futuras. Num contexto de transição verde e digital, o desafio passa por conciliar ganhos de produtividade com a renovação geracional, a valorização do trabalho agrícola e a coesão dos territórios rurais, essenciais para garantir a segurança alimentar europeia a longo prazo.







