A Monte do Pasto promoveu a quinta conferência dedicada ao sector agropecuário, no âmbito da 42.ª edição da Ovibeja, reunindo empresários, especialistas e académicos para debater os principais desafios e oportunidades do sector. O encontro ficou marcado pela ideia de que este enfrenta uma transformação estrutural, exigindo adaptação rápida por parte das empresas e das instituições públicas.
Sob o mote “Alentejo no Centro da Mudança Pecuária, Território e Futuro”, a conferência abordou temas como os novos modelos de consumo, a geoeconomia global, a segurança alimentar, a volatilidade, a escassez de matérias-primas e a disrupção nas cadeias de valor.
Mudança estrutural exige adaptação
Durante a sessão, Clara Moura Guedes, CEO da Monte do Pasto, sublinhou que o sector agropecuário enfrenta um contexto “profundamente disruptivo e volátil”, exigindo capacidade de adaptação a múltiplos desafios, desde a introdução de tecnologias de ponta até à afirmação das marcas e à integração de uma nova geoeconomia nos processos produtivos.
A responsável destacou ainda o papel do Alentejo neste contexto, apontando que a região pode assumir-se como protagonista no desenvolvimento do sector agroalimentar, para além da sua função produtiva.
Dimensão estratégica da pecuária em destaque
Também presente na conferência, Eduardo Diniz, diretor-geral do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral do Ministério da Agricultura e Mar, salientou a importância estratégica da pecuária em Portugal, referindo que a pastagem representa a principal ocupação do solo, particularmente no Alentejo.
O responsável destacou a necessidade de medir riscos e aproveitar oportunidades num contexto de mudança, considerando essencial a adaptação do sector às novas condições de mercado.
Transformação digital e longevidade entram na agenda
A conferência da Monte do Pasto integrou também uma intervenção dedicada aos desafios da transformação digital e às tendências associadas à longevidade. Sara Rocha de Oliveira, da Accenture, defendeu que estas dimensões podem criar novas oportunidades para o sector, nomeadamente através da valorização de nutrientes essenciais e da ligação à alimentação do futuro.
A nova geoeconomia do sector pecuário foi outro dos temas em destaque, com enfoque nos mercados internacionais, acordos comerciais e oportunidades de investimento. Sérgio Pavón, da Comissão Europeia, recordou que a União Europeia é o maior exportador agroalimentar do mundo, apontando para o potencial de expansão internacional dos produtos europeus, incluindo a carne de bovino.
No mesmo painel, foi também sublinhada a necessidade de maior eficácia e rapidez na abertura de novos mercados, bem como os riscos associados à falta de resposta das instituições públicas em contextos de incerteza.
Internacionalização e marca como fatores críticos
A conferência incluiu ainda um painel dedicado à internacionalização, onde foi destacada a importância da marca, da origem e da colaboração entre empresas para escalar o sector.
Entre os exemplos apresentados, foi referido um projeto colaborativo no sector da fruta, que atingiu 140 milhões de euros em exportações anuais, ilustrando o potencial de estratégias conjuntas.
Foi também discutido o papel do investimento em marca e das parcerias estratégicas na construção de competitividade internacional para as empresas portuguesas.
Proteína e escassez redefinem o mercado
Na intervenção final, Pedro Pimentel, diretor-geral da Centromarca, afirmou que o sector atravessa uma mudança estrutural, caracterizada pela transição de um contexto de abundância para um cenário de maior escassez.
Segundo o responsável, esta transformação implica uma mudança de paradigma, com menor foco no volume e maior valorização do produto, num contexto marcado por alterações demográficas, envelhecimento da população e mudanças nos agregados familiares.
No final da conferência, os participantes identificaram dois temas prioritários para o futuro próximo do sector agroalimentar no Alentejo: marca e internacionalização e eficiência e sustentabilidade.







