Navio porta-contentores carregado com mercadorias em trânsito marítimo, simbolizando o comércio mundial e a logística global Fotos Shutterstock

Comércio global deverá estagnar em 2026 após crescimento de 3,5% em 2025

O comércio global deverá registar crescimento zero em 2026, após uma recuperação estimada de 3,5% em 2025, de acordo com um estudo recente da Crédito y Caución.

O impacto das novas tarifas comerciais, a persistente incerteza geopolítica e o efeito de antecipação de compras ocorrido no ano passado deverão travar a dinâmica do comércio internacional ao longo deste ano.

Investimento em IA sustentou 2025, mas não evita desaceleração

Segundo o relatório, a economia global mostrou-se mais resiliente em 2025 do que inicialmente previsto, beneficiando de um boom no investimento associado à inteligência artificial, em particular nos Estados Unidos. Este impulso ajudou a mitigar parte dos efeitos das tensões geopolíticas e económicas.

No entanto, essa resiliência não será suficiente para contrariar o impacto acumulado da guerra comercial e da aplicação de novas tarifas, cujo efeito será particularmente visível no comércio internacional em 2026.

Com a entrada em vigor das novas tarifas, as empresas deverão transferir parte significativa dos custos para os seus clientes, tanto no segmento B2B como junto dos consumidores finais. Esta dinâmica irá traduzir-se em preços mais elevados, limitando a procura e penalizando o volume de trocas comerciais.

A este fator junta-se a elevada incerteza em torno da política económica dos Estados Unidos, que continua a levar ao adiamento de decisões de investimento empresarial e à contenção da despesa dos consumidores. O relatório antecipa ainda um aumento das taxas de poupança, à medida que cresce a perceção de risco sobre o rendimento futuro.

Efeito de antecipação de compras penaliza 2026

Outro fator crítico identificado pela Crédito y Caución é o impacto da antecipação de importações realizada em 2025, numa tentativa de evitar a aplicação das novas tarifas. Este movimento provocou um aumento significativo da procura por espaço de armazenamento, sobretudo em zonas de comércio internacional e em armazéns aduaneiros, onde as mercadorias ficam protegidas de encargos adicionais após a sua entrada.

Contudo, este efeito cria agora um travão natural: empresas e famílias não podem importar novamente o que já foi antecipadamente importado, o que deverá resultar numa desaceleração das encomendas e dos fluxos comerciais ao longo de 2026.

Crescimento só regressa em 2027

Face a este contexto, o relatório prevê uma desaceleração significativa do comércio global em 2026, com a retoma de valores positivos apenas em 2027, ano em que o crescimento deverá situar-se em torno dos 2%, ainda assim abaixo da evolução esperada do PIB mundial.

Em termos regionais, a Zona Euro deverá apresentar uma recuperação alinhada com a média global, sem um impulso suficientemente forte para contrariar o contexto internacional adverso.

O destaque positivo vai para África, apontada no relatório como um verdadeiro “cisne branco”, beneficiando de maior integração comercial e de investimentos estruturais em infraestruturas, fatores que deverão sustentar um crescimento acima da média em contraste com outras regiões.

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