A Alemanha está a afirmar-se como um polo de inovação na aquacultura, apesar de continuar a produzir relativamente pouco peixe através deste setor e de importar cerca de 90% do pescado que consome, revela a Comissão Europeia.
A conclusão consta de um relatório recente da Hatch Blue, que analisa a evolução da aquacultura alemã no contexto europeu e aponta para uma mudança no posicionamento do país: mais do que aumentar significativamente a produção interna, a Alemanha deverá afirmar-se através da exportação de tecnologia, engenharia e conhecimento especializado para projetos de aquacultura em todo o mundo.
Tecnologia alemã ganha escala global
A produção nacional continua dominada por modelos tradicionais, sobretudo a criação de carpas e trutas em sistemas de viveiros. Ao mesmo tempo, a indústria alemã desenvolveu uma posição relevante no fornecimento de soluções tecnológicas para a aquacultura industrial.
Entre as áreas em que o país apresenta maior especialização estão os sistemas de recirculação de água (RAS), a automação, os sistemas de tratamento de água, sensores, soluções de biotecnologia, aditivos para alimentação animal e engenharia.
Segundo o relatório, a Alemanha é já o quarto maior fornecedor mundial de tecnologia RAS, apenas atrás da Noruega, Estados Unidos e Dinamarca.
Produção interna dá lugar à especialização
O desenvolvimento da aquacultura alemã está cada vez mais associado à industrialização dos sistemas de produção e à capacidade tecnológica das empresas que integram a cadeia de valor.
A expectativa é de que esta especialização permita à Alemanha beneficiar do crescimento da aquacultura global sem depender exclusivamente do aumento da sua produção doméstica. Tecnologia, investigação e conhecimento poderão assumir um peso crescente na atividade do sector.
Biotecnologia reforça potencial
O estudo da Hatch Blue analisa também segmentos a montante da produção, incluindo saúde animal, genética, aditivos para alimentação, proteínas e produtos do mar alternativos e algas.
Neste domínio, o país beneficia da capacidade de investigação e desenvolvimento, das competências em biotecnologia e de redes de colaboração entre empresas e entidades científicas.
O relatório cruza tendências globais e dinâmicas do mercado europeu com uma análise da produção e estrutura da indústria alemã. As conclusões resultam de investigação primária e secundária, incluindo entrevistas, visitas a instalações, estudos de mercado alemães e europeus e dados académicos e governamentais.
A combinação entre engenharia, tecnologia, biotecnologia e conhecimento especializado poderá, segundo o estudo, colocar a Alemanha numa posição de destaque na próxima fase de desenvolvimento da aquacultura mundial.








