O sector do agribusiness na Península Ibérica movimentou 1.200 milhões de euros em 2025, num ano marcado pela estabilização do mercado, pela pressão sobre as margens e pela consolidação de operações de maior dimensão. A conclusão é do mais recente estudo “Iberian Agribusiness Report 2026”, da CBRE, que aponta para um crescimento de 50% face ao período homólogo e reforça o papel de Portugal como destino estratégico para investimento agrícola.
Segundo o relatório, o mercado ibérico entrou numa nova fase de maturidade, impulsionada sobretudo por operações de fusão e aquisição e por novos ativos ligados à agricultura de escala. Apesar da manutenção de desafios estruturais, como os custos operacionais elevados e a escassez de água em algumas regiões, o investimento manteve-se robusto, sustentado pelo interesse de investidores institucionais e operadores internacionais.
Portugal destacou-se particularmente no segmento das grandes transações. Historicamente, a maioria das operações agrícolas no país concentra-se na região do Alqueva, onde o olival intensivo continua a atrair capital. Em 2025, contudo, o mercado português registou uma das maiores operações do sector agrícola ibérico, superior a 300 milhões de euros, reforçando a posição nacional no mapa do investimento agrícola europeu.
O estudo da CBRE refere ainda que o mercado evidenciou um perfil mais institucionalizado, com os principais investidores a representarem cerca de 40% do volume total aplicado. Esta tendência confirma a crescente profissionalização do sector e a procura por ativos agrícolas de grande dimensão e maior capacidade de geração de retorno.
Apesar do dinamismo do investimento, o contexto operacional permanece exigente. A atividade agrícola ibérica continua condicionada por fatores como a pressão sobre os preços, os custos energéticos e a volatilidade climática. Ainda assim, o relatório identifica sinais de estabilização no valor das terras agrícolas, depois de anos de forte valorização.
Em Portugal, o valor médio da terra para olival intensivo no Alentejo situa-se atualmente entre 28 mil e 40 mil euros por hectare, enquanto os preços do solo destinado a amendoal rondam os 26 mil a 35 mil euros por hectare. No caso espanhol, as regiões da Andaluzia e de Castela-La Mancha continuam a concentrar grande parte do investimento agrícola ligado ao olival e às culturas permanentes.
O relatório sublinha também que o aumento do interesse por ativos agrícolas premium está a impulsionar a procura por explorações com elevada eficiência hídrica, dimensão consolidada e capacidade tecnológica. Em algumas regiões consideradas prime, os valores da terra agrícola já atingem entre 70 mil e 90 mil euros por hectare.
O relatório refere ainda que o crescimento do mercado reflete a combinação entre procura internacional, profissionalização do sector e valorização dos ativos agrícolas. O documento destaca ainda que Portugal continua a beneficiar da capacidade de atrair investimento em culturas de elevado valor acrescentado e em operações de larga escala.
A tendência deverá manter-se nos próximos anos, impulsionada pela necessidade global de garantir segurança alimentar, eficiência produtiva e sustentabilidade. Ainda assim, a evolução futura do sector dependerá da capacidade dos operadores responderem aos desafios climáticos e de rentabilidade que continuam a marcar a agricultura europeia.







