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Acionistas minoritários da DIA procuram apoio para uma contra OPA

Três acionistas minoritários da DIA, os espanhóis Pedro e Pablo Gómez-Pablos e o francês Gregoire Bontoux Halley, estão a estudar a viabilidade de uma oferta alternativa à feita pelo fundo de investimento liderado pelo milionário russo Mikhail Fridman.

Num comunicado enviado ao regulado espanhol, citado pelo jornal Expansión, os investidores indicaram que sindicaram as suas ações para somar, em conjunto, 3,25% do capital da DIA, percentagem que esperam aumentar através de novas compras e da soma de novos investidores ao pacto de sindicação.

A intenção é financiar a sua oferta com fundos próprios e, logo de seguida, recapitalizar o grupo, não através de uma ampliação de capital como as propostas pela LetterOne e o conselho de administração da DIA, mas de um empréstimo participativo no valor de 600 milhões de euros, similar ao da ampliação de capital preconizada pela administração do grupo.

Pedro Gómez-Pablos é engenheiro ligado ao sector imobiliário e à Alto Capital Inversiones, sociedade através da qual controla a sua participação na Dia. O seu irmão, Pablo, está vinculado ao grupo Unión Martín, um dos líderes espanhóis na produção e comercialização de produtos do mar, fornecedor da Mercadona. Por seu turno, Gregoire Bontoux Halley está ligado ao Carrefour. A sua família converteu-se, entre 1999 e 2008, no principal acionista do Carrefour, com 13%, após a fusão do grupo com a Promodès.

 

Acionistas criam associação para defesa de interesses

A OPA lançada pela LetterOne gerou, de facto, preocupação entre os acionistas minoritários da DIA, que consideram que a mesma não reflete o valor real da companhia. Após o seu anúncio, foi criada a Associação de Acionistas Defensores da DIA (AADD), para a “defesa eficaz dos interesses dos minoritários, trabalhadores e fornecedores”.

A associação nasce para fiscalizar as decisões dos órgãos diretivos e fazer valer os votos dos seus associados.

A AADD mostra-se preocupada com a situação atravessada pela DIA e as “operações especulativas” que levaram à compra de mais de 29% do capital pelo empresário russo, que consideram representar “a destruição do valor e o prejuízo do património e solvência” do grupo.

 

Conselho de administração quer garantias

Efetivamente, a difícil situação de solvência do grupo levou o conselho de administração da DIA a pedir garantias sobre a ampliação de capital no valor de 500 milhões de euros proposta pela LetterOne na sua oferta pública de aquisição.

Reunida esta quarta-feira, dia 6 de fevereiro, para avaliar a oferta, o conselho inclinou-se para facilitar a operação desde que se garanta o capital que devolva o equilíbrio patrimonial da DIA. “O conselho de administração considera que o anúncio da oferta coloca em manifesto o atrativo do negócio da sociedade”, pode ler-se no comunicado enviado ao regulador, onde se acrescenta que “constata a alienação do plano de transformação do oferente para a sociedade com o plano estratégico da DIA”.

A administração do grupo quer que a LetterOne garanta a referida ampliação de capital e detalhe prazos.

É que o grupo tem dívida a curto prazo a vencer em breve, pelo que quer que a LetterOne explique como a irá pagar. Concretamente, a linha no valor de 215 milhões de euros a vencer a 31 de maio. “O aumento de capital da sociedade no valor de 500 milhões de euros, tal como está atualmente estruturado, não oferece certeza sobre a sua execução efetiva nem sobre o momento da sua implementação, nem tem em conta as obrigações da sociedade para com os seus credores, nem os seus vencimentos de dívida a curto prazo”, continua a administração no comunicado.

Até porque o fundo avança que a referida ampliação está sujeita a que se chegue a acordo com os bancos credores, o que, no entender do conselho, “introduz uma incerteza adicional”.

A administração da DIA indica estar, de facto, disposta a explorar com a LetterOne a possibilidade de adaptar os termos da oferta para considerar estas questões, embora não emita qualquer opinião formal até que a oferta seja aceite e se publique o respetivo folheto informativo.

No mesmo comunicado, o grupo frisa que, a par da análise da OPA, prosseguirá com o seu plano de recapitalização, tendo chegado a acordo com os principais credores para um adiamento no refinanciamento da dívida no valor de 765 milhões de euros até março de 2023, sob certas condições, designadamente, o aumento de capital no valor de 600 milhões de euros e uma obrigação de amortização antecipada até 100 milhões de euros com o montante da venda da Clarel e Max Descuento. Este acordo, indica no comunicado, “colocará a sociedade numa sólida posição financeira para executar o seu plano estratégico”.

O conselho de administração considera ainda que a manutenção do seu plano não representa qualquer incumprimento do dever de passividade no caso de existir uma OPA, uma vez que esta ainda não foi formalmente lançada e porque aquele foi apresentado antes do anúncio da oferta pública de aquisição.

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