A Associated British Foods (AB Foods) vai separar a Primark do seu negócio alimentar. O entendimento é o de que a cadeia de moda será mais forte como empresa independente. A possibilidade já tinha sido avançada em novembro do ano passado.
De acordo com a Reuters, a criação de duas empresas distintas, cada uma com cotação própria em Londres, estrutura de gestão e base de investidores dedicada, deverá facilitar uma melhor valorização por parte dos mercados.
Fundada, em Dublin, em 1969, a Primark opera atualmente 486 lojas em 19 mercados e gera receitas anuais próximas de 9,5 mil milhões de libras. Já os restantes negócios do grupo, que incluem açúcar, ingredientes e agricultura, registam receitas de cerca de 9,8 mil milhões de libras e presença em 52 países. A área alimentar da AB Foods inclui marcas como Ovaltine, Ryvita e Twinings.
Segundo o CEO, George Weston, a decisão não resulta de dificuldades operacionais, mas de uma estratégia de longo prazo apoiada pelos principais acionistas, incluindo a Wittington Investments, que detém cerca de 60% do capital. “Os acionistas acreditam que estamos a tomar a decisão certa”, afirmou à Reuters.
Lucros em queda
O grupo enfrenta um contexto desafiante. A AB Foods reportou uma queda de 18% no lucro operacional no primeiro semestre e antecipa um resultado anual inferior ao do ano anterior. Entre os fatores apontados estão a pressão sobre o consumo, a fraqueza nalguns mercados e a concorrência crescente de plataformas digitais, como a Shein e a Temu.
Analistas do banco RBC consideram que a divisão deverá melhorar a atratividade da AB Foods para os investidores a médio e longo prazo. A retalhista é avaliada em pouco mais de sete mil milhões de libras enquanto entidade autónoma.
Duas entidades
A conclusão da operação está prevista até ao final de 2027. Após a cisão, os atuais acionistas da AB Foods passarão a deter participações em ambas as empresas cotadas. A liderança manter-se-á estável, com George Weston à frente da AB Foods e Eoin Tonge a assumir a direção da Primark.
O grupo estima custos únicos de separação na ordem dos 75 milhões de libras, além de des-sinergias inferiores a 45 milhões. Apesar dos desafios, a administração acredita que a divisão permitirá a cada negócio responder de forma mais eficaz às respetivas dinâmicas de mercado.







