Máquina Volta para devolver garrafas de plástico e latas e receber o valor do depósito

Sistema volta atinge 500 milhões de embalagens recolhidas e apresenta plano para melhorar limpeza urbana

O Sistema de Depósito e Reembolso de embalagens de bebidas, que opera sob a marca volta, atingiu a marca de 500 milhões de embalagens devolvidas em Portugal, aproximadamente seis meses após o arranque da operação.

O resultado foi anunciado pela SDR Portugal a 16 de outubro, na mesma data em que a entidade gestora remeteu à ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, um plano de cooperação destinado a responder aos desafios de limpeza urbana e de funcionamento da rede de recolha.

O documento surge na sequência de um pedido apresentado pelo Governo a 29 de setembro e pretende reforçar a eficácia do sistema, através de uma maior articulação entre a SDR Portugal, os municípios, as juntas de freguesia e os Sistemas de Gestão de Resíduos Urbanos (SGRU).

A entidade reconhece que, apesar dos resultados alcançados, a implementação do sistema continua a gerar desafios operacionais e sociais que exigem soluções coordenadas.

Mais de três mil pontos de recolha

Segundo a SDR Portugal, os 500 milhões de embalagens foram devolvidos através de uma rede com mais de três mil pontos volta automáticos e manuais, complementada por oito quiosques dedicados à recolha.

A entidade considera que estes resultados demonstram uma adesão expressiva dos consumidores e dos operadores do canal Horeca, contribuindo para desviar embalagens de bebidas de destinos que não promovem a sua reciclagem.

O desempenho foi anunciado na mesma semana em que a Agência Portuguesa do Ambiente divulgou o Relatório Anual de Resíduos Urbanos 2025, que evidenciou as dificuldades do país em cumprir as metas europeias de reciclagem e redução da deposição em aterro.

Para a SDR Portugal, o sistema de depósito e reembolso constitui um instrumento importante para aumentar a quantidade e a qualidade dos materiais encaminhados para reciclagem.

Canal Horeca está a pressionar pontos de recolha dos supermercados

Um dos principais desafios identificados pela entidade está relacionado com a utilização da rede de recolha pelos estabelecimentos de hotelaria, restauração e cafetaria. Segundo a SDR Portugal, é necessário desenvolver soluções mais adequadas para o canal Horeca, de forma a reduzir a pressão exercida sobre os equipamentos automáticos instalados em hipermercados e supermercados. A devolução de grandes quantidades de embalagens por operadores profissionais pode condicionar a capacidade dos pontos de recolha e dificultar o acesso dos consumidores.

Para responder a esta situação, a entidade pretende acelerar a implementação dos quiosques volta, financiados integralmente pela SDR Portugal, que considera especialmente adequados à devolução de maiores volumes de embalagens.

Paralelamente, está a desenvolver uma rede logística dedicada ao canal Horeca, procurando facilitar a devolução sem sobrecarregar os equipamentos utilizados pela população.

Plano apresenta 14 medidas para melhorar o funcionamento do sistema

O documento remetido ao Governo apresenta propostas organizadas em quatro eixos estratégicos, com 14 medidas, complementadas por um eixo transversal de governação e monitorização. A SDR Portugal pretende reforçar a cooperação com as entidades responsáveis pela limpeza urbana, recolha de resíduos e gestão do território.

Entre as prioridades identificadas encontram-se o desenvolvimento de soluções específicas para o canal Horeca, o alargamento da cobertura territorial do sistema e a instalação de pontos de recolha em locais de elevada circulação. A entidade destaca, nomeadamente, os terminais de transportes aéreos e terrestres, onde considera necessário reforçar as soluções de devolução de embalagens. O objetivo é melhorar a acessibilidade do sistema e reduzir os constrangimentos associados à sua utilização.

Limpeza urbana exige resposta conjunta

A SDR Portugal reconhece também a existência de impactos sociais associados à implementação do sistema e considera necessária uma atuação concertada com os diferentes intervenientes. A entidade enquadra estes fenómenos num contexto de desafios históricos de limpeza urbana e de crescente pressão sobre o espaço público, nomeadamente devido à atividade turística. Por isso, defende que as soluções não podem depender exclusivamente da entidade gestora do sistema de depósito e reembolso.

A cooperação com autarquias, juntas de freguesia e entidades responsáveis pela gestão de resíduos é considerada essencial para melhorar a limpeza do espaço público e responder aos constrangimentos identificados. O plano procura estabelecer áreas de atuação conjunta, respeitando as competências legais de cada interveniente.

Próxima fase passa por consolidar a rede

Com 500 milhões de embalagens devolvidas, a SDR Portugal considera que o sistema já demonstra capacidade para mobilizar os consumidores e contribuir para uma gestão mais circular dos resíduos de embalagens.

Contudo, a entidade reconhece que a expansão e consolidação da infraestrutura serão determinantes para aumentar os resultados da recolha e melhorar o funcionamento da rede.

A resposta às necessidades dos operadores profissionais, o reforço da cobertura territorial e a cooperação com os municípios surgem entre as prioridades para a próxima fase.

A SDR Portugal reafirma a disponibilidade para trabalhar com o Governo e as entidades locais na implementação de soluções que permitam aumentar a recolha de embalagens e responder aos desafios de limpeza urbana.

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