Portugal ganhou relevância entre os mercados europeus procurados por empresas que pretendem ocupar novas instalações logísticas, segundo o “European Logistics Census 2026”, desenvolvido pela Savills e pela BGRE, antiga Brookfield Properties.
O país ocupa a nona posição entre os destinos considerados pelas empresas inquiridas, numa altura em que a disponibilidade de energia, a automação e a capacidade de adaptação dos edifícios estão a transformar as decisões de investimento.
A investigação ouviu 628 participantes, incluindo 504 empresas ocupantes de espaços logísticos.
Energia passa a ser determinante
O relatório revela que 89% dos ocupantes espera aumentar as necessidades de potência elétrica nos próximos três anos. Mais de um quarto, 26%, considera que as instalações atuais já não oferecem capacidade energética suficiente para responder às necessidades operacionais.
O crescimento da inteligência artificial, da automação e da eletrificação das frotas deverá intensificar estas exigências. Mais de metade dos ocupantes pretende aumentar o investimento em inteligência artificial, enquanto 42% planeia investir mais na automatização dos armazéns. Para as empresas, a potência disponível está a transformar-se num fator decisivo na seleção dos imóveis.
Empresas procuram instalações modernas
Perto de metade dos ocupantes, 47%, prevê aumentar a área de armazenagem nos próximos um a três anos. Contudo, 54% admite abandonar pelo menos um dos edifícios atualmente utilizados, demonstrando que a expansão está a ser acompanhada por processos de racionalização e renovação das redes logísticas.
A procura está a privilegiar instalações novas, construções à medida e edifícios preparados para sistemas de armazenagem e movimentação mais complexos.
O relatório identifica também uma crescente necessidade de altura útil: mais de três quartos dos ocupantes pretendem instalações com pelo menos 12 metros de altura.
Portugal sobe duas posições
Portugal surge em nono lugar entre os países europeus mais procurados para novos espaços logísticos, subindo duas posições relativamente ao estudo anterior. Tiago Cortez, associate director de Industrial, Logistics & Data Centres da Savills Portugal, considera que a disponibilidade de energia representa um fator importante para a competitividade nacional. O responsável destaca a presença de fontes renováveis e o posicionamento dos preços energéticos portugueses no contexto europeu.
A classificação resulta das preferências declaradas pelos participantes e não constitui uma medição direta do investimento efetivamente realizado em Portugal.
A área contratada no mercado logístico europeu atingiu 14,01 milhões de metros quadrados no primeiro semestre, um crescimento homólogo de 21%. Em contrapartida, o investimento imobiliário industrial e logístico somou 18,7 mil milhões de euros, ficando 10% abaixo da média histórica de longo prazo.








