Pessoa empurra um carrinho de compras carregado por uma seta ascendente, simbolizando o crescimento das compras Foto Shutterstock

Inflação acelera para 3,6% em Portugal e preços dos alimentos voltam a subir

A inflação em Portugal acelerou para 3,6% em setembro de 2026, mais 0,3 pontos percentuais do que no mês anterior, de acordo com os dados definitivos divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a 13 de outubro.

A evolução confirma a estimativa rápida publicada no final de setembro e evidencia a persistência de pressões sobre os preços, particularmente nos produtos energéticos e na alimentação.

Segundo o INE, a aceleração do Índice de Preços no Consumidor (IPC) é explicada, em grande medida, pelo aumento dos preços dos combustíveis, que continuam a exercer um impacto significativo sobre a evolução da inflação.

A taxa homóloga atingiu, assim, o valor mais elevado desde agosto de 2023.

Produtos energéticos aumentam 15,3%

A evolução dos preços da energia foi o principal fator responsável pelo agravamento da inflação. O índice relativo aos produtos energéticos apresentou uma variação homóloga de 15,3% em setembro, acima dos 12,2% registados em agosto.

Esta aceleração reflete sobretudo o comportamento dos preços dos combustíveis, num contexto em que os custos energéticos continuam a representar uma pressão para famílias e empresas.

No caso da distribuição alimentar e da indústria de bens de grande consumo, a evolução da energia constitui um fator relevante para os custos associados à produção, transformação, transporte, armazenamento e operação dos estabelecimentos comerciais. Embora o aumento dos custos não se traduza necessariamente numa subida proporcional dos preços finais, pode condicionar a evolução das margens e as decisões comerciais dos operadores.

Alimentos não transformados ficam 3,7% mais caros

Os preços dos produtos alimentares não transformados também aceleraram em setembro. Segundo o INE, a variação homóloga desta categoria passou de 3,4% em agosto para 3,7% em setembro, representando um aumento de 0,3 pontos percentuais.

Este indicador inclui produtos alimentares frescos e outros bens sujeitos a maior volatilidade, nomeadamente por fatores associados à produção, à sazonalidade e às condições meteorológicas. A evolução assume particular relevância para os orçamentos familiares, uma vez que a alimentação representa uma despesa recorrente e dificilmente adiável.

Contudo, a taxa de 3,7% refere-se especificamente aos alimentos não transformados e não deve ser confundida com a inflação do conjunto dos produtos alimentares.

Inflação subjacente sobe para 2,7%

O indicador de inflação subjacente, que exclui os produtos alimentares não transformados e os produtos energéticos, também registou uma aceleração. A taxa homóloga passou de 2,6% em agosto para 2,7% em setembro.

Embora menos expressiva do que a subida registada na energia, esta evolução sugere que as pressões inflacionistas continuam presentes noutras categorias de bens e serviços.

Em termos mensais, o Índice de Preços no Consumidor aumentou 1,2%, depois de uma variação nula em agosto.

A inflação média dos últimos 12 meses subiu para 2,8%, contra 2,7% no mês anterior.

Inflação portuguesa abaixo da média estimada da zona euro

No indicador harmonizado, que permite comparações internacionais, Portugal registou uma inflação homóloga de 3,6% em setembro, valor idêntico ao observado em agosto. A taxa ficou 0,2 pontos percentuais abaixo da estimativa do Eurostat para a zona euro.

Já a inflação harmonizada subjacente portuguesa situou-se em 2,7%, acima dos 2,2% estimados para a área do euro.

Publicidade

Cartaz da conferência Grande 26 Consumo: «Consumo na era da imprevisibilidade», 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
Cartaz da conferência Grande 26 Consumo: «Consumo na era da imprevisibilidade», 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
Siga-nos em sidebar-1