Logótipo da PepsiCo com o lema “Food. Drinks. Smiles.”

PepsiCo corta previsão de lucro e reforça redução de custos

A PepsiCo reduziu as expectativas para o conjunto de 2026, num sinal de que a recuperação dos volumes continua desafiante em alguns dos seus principais mercados.

A empresa espera agora que o lucro por ação ajustado cresça apenas entre 1% e 2%, abaixo da previsão anterior de 4% a 6%. A perspetiva para o crescimento orgânico das receitas foi ajustada para cerca de 3%.

Margens continuam sob pressão

Apesar de as receitas do terceiro trimestre terem superado as expectativas, a rentabilidade ficou sob pressão. A margem operacional core recuou 35 pontos base, refletindo custos mais elevados de matérias-primas e outras despesas operacionais.

O grupo continua, assim, a enfrentar um equilíbrio delicado entre proteção de margens, competitividade de preços e recuperação de volumes.

América do Norte continua a ser o principal desafio

O mercado norte-americano permanece entre os principais pontos de pressão. Os volumes do negócio alimentar ficaram praticamente estagnados, enquanto as bebidas recuaram 2%. Em contraste, os mercados internacionais continuam a apresentar um desempenho mais favorável.

A recuperação mais lenta do que o esperado nos Estados Unidos está a levar o grupo a rever prioridades de investimento e eficiência. O CEO, Ramon Laguarta, indicou que a companhia irá aprofundar os programas de redução de custos. O objetivo é proteger a rentabilidade e, simultaneamente, libertar recursos para continuar a investir em marcas, inovação e crescimento.

Preço volta ao centro da estratégia

A PepsiCo já tinha reduzido preços de algumas referências de Lay’s e Doritos nos Estados Unidos, numa tentativa de recuperar volumes. A persistência de custos elevados obriga agora a uma nova revisão da equação entre preço e margem.

A pressão não vem apenas dos custos. Os consumidores estão também a alterar padrões de compra, procurando mais valor, maior funcionalidade nutricional e, em alguns casos, reduzindo a frequência de consumo de snacks tradicionais. A utilização crescente de medicamentos GLP-1 para perda de peso é um dos fatores que está a influenciar o sector, ao lado de uma maior atenção a proteína, fibra, açúcar e saciedade.

Pressão dos investidores aumenta

A empresa enfrenta também maior pressão do mercado financeiro para acelerar a recuperação dos resultados. A Elliott Investment Management entrou no capital da PepsiCo com um investimento de cerca de quatro mil milhões de dólares, aproximadamente 3,6 mil milhões de euros, aumentando as expectativas em torno de medidas de eficiência e criação de valor. A presença de um investidor ativista acrescenta pressão sobre a administração para demonstrar progressos mais rápidos em margens, volumes e retorno do capital.

Enquanto o mercado norte-americano continua mais difícil, a operação internacional tem ajudado a equilibrar o desempenho do grupo. A maior diversidade geográfica permite à PepsiCo compensar parcialmente a pressão em snacks e bebidas nos Estados Unidos com mercados onde consumo e volumes apresentam melhor dinâmica.

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