Clientes numa loja iServices a comprar equipamentos recondicionados

A tecnologia mais sustentável pode ser aquela que já temos

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Um telemóvel acompanha-nos todos os dias. Guarda fotografias, conversas, trabalho, viagens e uma parte cada vez maior da nossa vida. Mas basta uma bateria começar a falhar ou um ecrã partir-se para surgir quase automaticamente a pergunta: será altura de comprar outro?

No Dia Internacional dos Resíduos Eletrónicos, que se assinala a 14 de outubro, a iServices propõe uma reflexão diferente: e se prolongar a vida da tecnologia fosse também uma das formas mais simples de consumir melhor?

Todos os anos, milhões de smartphones, computadores, tablets, acessórios e pequenos equipamentos eletrónicos chegam ao fim da sua utilização. Alguns porque deixaram efetivamente de funcionar. Muitos outros porque uma bateria perdeu autonomia, um ecrã se partiu, uma porta de carregamento deixou de responder ou surgiu no mercado um modelo mais recente. É precisamente nesta fronteira entre aquilo que deixou de funcionar e aquilo que simplesmente deixou de ser novo que se joga uma parte importante da sustentabilidade tecnológica.

A 14 de outubro assinala-se o International E-Waste Day, uma iniciativa internacional criada pelo WEEE Forum, em 2018, dedicada a chamar a atenção para o crescimento dos resíduos elétricos e eletrónicos. Em 2026, a campanha internacional coloca o foco na chamada Fast Tech: pequenos produtos eletrónicos, como auscultadores, cabos, adaptadores, gadgets ou outros dispositivos de baixo custo, cuja facilidade de compra tende também a torná-los mais descartáveis.

O desafio é enorme. Em 2022, foram geradas mundialmente cerca de 62 milhões de toneladas de resíduos eletrónicos e, mantendo-se a trajetória atual, esse valor poderá alcançar 82 milhões de toneladas em 2030. A produção deste tipo de resíduos está a crescer significativamente mais depressa do que a capacidade documentada de recolha e reciclagem. Mas olhar apenas para aquilo que acontece quando um equipamento se transforma em lixo é começar a discussão demasiado tarde.

Antes de reciclar, prolongar

Quando pensamos em resíduos eletrónicos, pensamos normalmente em reciclagem. Mas reciclar é já a última etapa. Antes dela existe a reparação do equipamento: Trocar uma bateria, reparar um ecrã, corrigir uma avaria, recuperar um computador, comprar um equipamento recondicionado em vez de um novo. São gestos pouco espetaculares. Não têm necessariamente a novidade de abrir uma caixa acabada de chegar à loja. Mas podem evitar que um produto perfeitamente recuperável se transforme prematuramente em lixo.

E há uma razão ambiental para isso. A produção de um smartphone implica matérias-primas, energia, transporte e consumo de água. Os dados da iServices, baseados em rácios médios de estudos de ciclo de vida, apontam para uma ordem de grandeza de cerca de 12 mil litros de água, 50 quilogramas de CO₂ equivalente e perto de 80 quilogramas de recursos naturais associados à produção de um novo equipamento.

Estes valores não significam que reparar um telemóvel elimine automaticamente esse impacto. Cada equipamento, reparação e ciclo de utilização é diferente. Mas ajudam a perceber uma ideia essencial: quanto mais tempo utilizarmos aquilo que já foi produzido, mais retiramos do investimento ambiental que foi necessário para o fabricar.

É precisamente esta realidade que a iServices encontra diariamente nas suas lojas. Em 2025, a empresa intervencionou mais de 360 mil equipamentos eletrónicos, entre smartphones, computadores, tablets e outros dispositivos. Mais de um milhão de clientes recorreram nesse ano aos seus serviços de reparação, assistência técnica e recondicionamento. Só no recondicionamento foram processados cerca de 150 mil equipamentos, sobretudo telemóveis, mas também computadores, tablets, smartwatches e outras categorias.

Reparar por razões muito concretas

Há ainda outro dado que ajuda a afastar esta discussão de uma visão idealizada do consumo sustentável. Os consumidores não parecem reparar os seus equipamentos apenas porque querem reduzir a sua pegada ambiental. Muitas vezes, fazem-no por uma razão bastante mais simples: continua a fazer sentido económico.

Os dados recolhidos pela iServices em cinco mercados europeus mostram que os smartphones que chegam às oficinas estão longe de ser exclusivamente modelos recentes. Em 2025, o modelo mais reparado foi o iPhone 11, lançado em 2019. Em segundo lugar surgiu o iPhone X, lançado em 2017. Aliás, mais de metade das reparações de iPhone incidiram sobre modelos lançados em 2019 ou antes.

Ou seja: há consumidores a continuar a reparar smartphones com seis, sete ou mesmo oito anos. Existindo uma solução de reparação tecnicamente fiável e economicamente proporcional ao valor do equipamento, uma parte dos consumidores está disposta a continuar a utilizá-lo durante bastante mais tempo.

A tendência está alinhada com a evolução do próprio enquadramento europeu. Desde junho de 2025, os smartphones e tablets vendidos na União Europeia estão sujeitos a novos requisitos de ecodesign, que abrangem aspetos como durabilidade, resistência das baterias, disponibilidade de peças e informação sobre reparabilidade. A lógica é relativamente simples: se um produto pode durar mais, deve ser possível dar-lhe condições para durar mais.

O impacto existe e deve ser medido

Falar de sustentabilidade, porém, exige também alguma prudência. Reparar e recondicionar não são atividades sem impacto. Há peças, transportes, consumo energético, embalagens e cadeias de fornecimento envolvidas. A própria iServices quantificou a sua pegada carbónica em 2025 em 61.909 toneladas de CO₂ equivalente, sendo praticamente a totalidade associada à cadeia de valor.

É precisamente por isso que a sustentabilidade não deve ser reduzida a slogans. A questão não é afirmar que uma reparação “salva o planeta”. É perceber se determinada decisão reduz efetivamente o consumo de recursos e prolonga a utilização de algo que já existe.

Aplicando rácios médios conservadores ao volume de equipamentos intervencionados em 2025, a iServices estima que a sua atividade tenha correspondido potencialmente a cerca de 72 toneladas de resíduos eletrónicos evitados, 4,32 mil milhões de litros de água poupados, 18 mil toneladas de emissões de CO₂ equivalente evitadas e mais de 28 mil toneladas de recursos naturais preservados. São estimativas e devem ser lidas como tal. Mas mostram a dimensão que pequenas decisões individuais podem ganhar quando se repetem centenas de milhares de vezes.

Fazer durar também é uma escolha de consumo

O Dia Internacional dos Resíduos Eletrónicos serve para recordar o que fazer aos equipamentos quando estes deixam de poder ser utilizados. Em 2026, ao chamar a atenção para a Fast Tech, o WEEE Forum recomenda que pequenos aparelhos elétricos e eletrónicos não sejam colocados no lixo indiferenciado, mas encaminhados para sistemas próprios de recolha.

Mas há uma pergunta anterior que consumidores e empresas podem fazer: este equipamento precisa realmente de ser descartado? Uma bateria pode ser substituída. Um ecrã pode ser reparado. Um equipamento usado pode ser recondicionado e ganhar uma segunda vida. E um aparelho que continua a responder às necessidades do utilizador pode simplesmente continuar em utilização. Nenhuma destas escolhas resolve, isoladamente, o problema global dos resíduos eletrónicos. Em conjunto, porém, ajudam a diminuir a velocidade a que transformamos recursos em produtos e produtos em resíduos.

Talvez seja essa a dimensão mais concreta da economia circular aplicada à tecnologia: não assumir que novo é sempre a única resposta possível.

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