O Carrefour continua a acelerar a transformação do seu modelo de negócio, combinando venda de ativos imobiliários com uma redefinição do portefólio comercial e uma maior aposta em formatos de proximidade e categorias não alimentares.
O grupo anunciou a venda de 35 ativos imobiliários em França e Espanha a uma joint venture formada pela Atrato e pelo fundo soberano GIC, numa operação avaliada em cerca de 290 milhões de euros.
O portefólio inclui 26 supermercados Carrefour Market e seis hipermercados em França, além de três hipermercados em Espanha.
Lojas continuam abertas
A operação foi estruturada em regime de sale & leaseback, o que significa que o Carrefour vende os imóveis, mas continua a operar as lojas mediante contratos de arrendamento.
Os novos contratos têm uma duração inicial de 12 anos, incluindo um período firme de 10 anos.
Segundo o grupo, a operação deverá gerar uma mais-valia significativa sem impacto material no resultado operacional corrente.
Plano Carrefour 2030 aposta em rotação de ativos
A venda enquadra-se diretamente na estratégia de criação de valor e rotação de ativos imobiliários prevista no plano Carrefour 2030. O grupo tem vindo a simplificar a presença internacional, concentrando-se sobretudo em França, Espanha e Brasil, considerados os três mercados estratégicos principais.
Nos restantes mercados, o Carrefour admite maior flexibilidade estratégica, incluindo monetização parcial ou total dos ativos.
Proximidade ganha peso face ao hipermercado
Outro dos pilares do plano é acelerar a migração para formatos de proximidade. O Carrefour prevê abrir mais de 750 lojas de conveniência em Espanha e mais de mil em França até 2030, reforçando um modelo menos dependente dos grandes hipermercados.
Ao mesmo tempo, o grupo não pretende abandonar o formato hipermercado, mas redefini-lo, dando maior destaque a frescos e categorias com maior potencial de margem.
Não alimentar representa apenas 16% das receitas dos hipermercados
A segunda frente da transformação está no não alimentar. Atualmente, estas categorias representam apenas 16% das receitas dos hipermercados Carrefour e cerca de 6% nos supermercados Market.
O grupo considera que existe margem para recuperar vendas e rentabilidade nesta área, precisamente num momento em que operadores como Action, Temu e Amazon estão a ganhar espaço no consumo de produtos não alimentares.
A estratégia passa por ampliar o espaço dedicado às categorias consideradas de maior potencial, incluindo parafarmácia e alimentação para animais de companhia.
O Carrefour pretende ainda adaptar melhor o sortido a cada formato e canal, reforçar gestão de stocks e utilizar mais intensivamente os dados e o retail media.
Lego, Pokémon e air fryers mostram potencial das categorias
O Carrefour utiliza alguns dados de vendas para sustentar a aposta. A cadeia afirma ter vendido mais de 12 milhões de cromos Panini, 1,6 milhões de camisolas, mais de um milhão de conjuntos Lego, 900 mil cartas Pokémon e mais de 600 mil air fryers.
Os números mostram que, apesar da pressão do e-commerce e dos especialistas, os hipermercados continuam a ter capacidade para gerar volume relevante em categorias não alimentares.
Algumas categorias já apresentam sinais de recuperação. Eletrónica, informática e pequenos eletrodomésticos ganharam 0,4 pontos de quota em 2025, enquanto a cultura avançou 0,2 pontos desde o início de 2026. No têxtil, o Carrefour ganhou 0,1 pontos num mercado que recuou 10,5% em valor, enquanto o bazar manteve uma posição estável.









