Multidão num concerto, com os espectadores a erguerem as mãos e a gravarem o espetáculo Foto Shutterstock

Festivais impulsionam consumo local

Vilar de Mouros lidera crescimento da faturação

Os grandes festivais de música voltaram a gerar impacto significativo na atividade económica das localidades onde se realizam. Entre os eventos analisados pela UNICRE, o EDP Vilar de Mouros registou o maior crescimento da faturação face a 2025, com uma subida de 36,79%, enquanto o NOS Alive liderou o aumento do número de transações, com mais 33,85%.

A análise dos “Insights” da UNICRE abrangeu os negócios das regiões que acolheram o EDP Vilar de Mouros, MEO Kalorama, NOS Alive, Primavera Sound, RFM SOMNI, Rock in Rio Lisboa, Sumol Summer Fest e MEO Marés Vivas.

Caminha lidera crescimento da faturação

Durante o período do EDP Vilar de Mouros, o valor faturado pelos negócios em Caminha cresceu 36,79% face à edição de 2025, acompanhado por um aumento de 30,7% no número de transações.

O NOS Alive, realizado em Algés, apresentou o segundo maior crescimento da faturação entre os eventos analisados, com uma subida de 17,12%, mas destacou-se sobretudo no número de pagamentos, que aumentou 33,85%.

Na Costa de Caparica, durante o Sumol Summer Fest, a faturação aumentou 11,58%, enquanto o número de transações avançou 8,45%.

Os dados mostram, contudo, que um aumento do número de pagamentos não implica necessariamente um crescimento equivalente do valor médio de cada compra.

Ticket médio supera 35 euros em Caminha

Em Caminha, o ticket médio cresceu 4,67%, alcançando 35,14 euros, o valor mais elevado entre os festivais considerados na análise.

Em Algés verificou-se o comportamento inverso. Apesar do crescimento de 33,85% do número de transações, o ticket médio caiu 12,5%, para 18,11 euros.

A diferença evidencia perfis de consumo distintos entre os eventos e mostra que o impacto económico dos festivais não depende apenas da quantidade de operações realizadas, mas também do valor associado a cada compra.

Consumidores estrangeiros gastam mais por transação

A procura internacional continua a assumir um peso relevante no consumo associado aos festivais. Apesar de os cartões nacionais representarem a maior parcela da faturação em todas as geografias analisadas, o ticket médio dos cartões estrangeiros foi sempre superior ao dos portugueses.

No EDP Vilar de Mouros, o ticket médio estrangeiro atingiu 46,05 euros, contra 32,10 euros nos pagamentos nacionais.

No Sumol Summer Fest, os valores foram de 34,57 euros para cartões estrangeiros e 18,53 euros para nacionais, enquanto no NOS Alive atingiram, respetivamente, 23,97 euros e 17,46 euros.

Espanha lidera consumo estrangeiro

A origem dos cartões internacionais mostra igualmente diferenças entre festivais, embora Espanha se mantenha como o principal mercado estrangeiro nas três geografias destacadas.

No EDP Vilar de Mouros, os cartões espanhóis representaram 36,04% da faturação estrangeira, seguidos pelos franceses, com 18,83%.

No NOS Alive, Espanha representou 14,56%, praticamente empatada com os Estados Unidos, responsáveis por 14,20%.

Já no Sumol Summer Fest, Espanha liderou com 14,54%, seguida do Reino Unido, com 11,78%.

Alimentação entre os sectores mais beneficiados

A análise por sectores mostra que restauração e retalho alimentar estiveram entre as atividades com maior crescimento nas zonas onde decorreram os festivais.

Em Caminha, o retalho alimentar tradicional mais do que duplicou a faturação, registando uma subida de 102,36%.

Em Algés, a restauração aumentou 63,31% e o retalho alimentar tradicional avançou 57,52%.

Na Costa de Caparica, a faturação da restauração cresceu 19,25% durante o período do Sumol Summer Fest.

Os números apontam, assim, para um efeito económico que se estende além dos próprios recintos, envolvendo comércio, restauração e outros negócios instalados nas localidades anfitriãs.

Festivais alteram padrões de consumo locais

“Os números mostram que o efeito económico de um festival não se limita à entrada do recinto. Estes eventos mobilizam o consumo em diversos sectores das regiões onde se realizam, atraindo simultaneamente procura nacional e internacional”, afirma Luís Gama, diretor comercial da UNICRE.

Segundo o responsável, a análise dos pagamentos permite perceber como o comportamento dos consumidores se altera durante períodos de elevada procura e pode ajudar comerciantes e outros operadores a antecipar necessidades e identificar oportunidades de negócio.

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