Logótipo da FAO, com o lema «Fiat Panis», numa janela com pessoas desfocadas ao fundo

Risco pressiona preços dos alimentos para máximo desde 2022

Índice de preços da FAO sobe 1,9% em agosto, impulsionado por cereais, lacticínios e açúcar, num contexto de condições meteorológicas adversas e perturbações no comércio.

Os preços mundiais dos alimentos aceleraram em agosto, com o índice de referência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) a atingir o nível mais elevado desde 2022. O FAO Food Price Index fixou-se nos 133,3 pontos, mais 1,9% face a julho e 2,5% acima do valor registado um ano antes.

Segundo a FAO, o aumento reflete a conjugação de condições meteorológicas adversas, tensões geopolíticas e perturbações nas rotas comerciais, que estão a aumentar as preocupações sobre a oferta das principais commodities alimentares.

O economista-chefe da FAO, Maximo Torero, considera que a subida dos preços mundiais dos alimentos em agosto sinaliza o regresso do “risk premium” aos mercados alimentares, ou seja, a incorporação nos preços do risco de uma oferta mais limitada ou mais incerta. “os choques climáticos, as tensões geopolíticas e as perturbações na logística comercial estão a convergir para restringir as expectativas de oferta, demonstrando que a resiliência, o comércio aberto e a segurança dos fluxos de fatores de produção são agora centrais para a estabilidade dos preços mundiais dos alimentos”, afirma.

Os cereais estiveram entre os principais responsáveis pela subida. O FAO Cereal Price Index aumentou 2,2% em agosto, com todas as principais categorias de cereais a registarem preços internacionais mais elevados. O trigo subiu 2,6% no mês e 15% em termos homólogos, pressionado pelas perturbações na logística de exportação no Mar Negro e por perspetivas de produção mais baixas em várias zonas da Europa, na sequência de temperaturas elevadas e tempo seco. O milho aumentou 2,5%, devido às preocupações com as produtividades nos Estados Unidos e na União Europeia, à procura dos setores do etanol e da alimentação animal e a perturbações nos fluxos de exportação da Ucrânia. O índice de preços do arroz avançou 0,5%, sustentado pela procura de países asiáticos e africanos.

Também os óleos vegetais contribuíram para a pressão sobre os preços. O respetivo índice da FAO aumentou 1,1%, impulsionado pelas cotações do óleo de palma e do óleo de soja, num contexto de procura mundial robusta e de preocupações com o impacto do fenómeno El Niño na produção no Sudeste Asiático. Em sentido contrário, os preços dos óleos de colza e girassol recuaram ligeiramente, perante expectativas de maior disponibilidade no próximo ano.

Nos produtos de origem animal, o índice de preços da carne subiu 1%, com aumentos nas carnes de aves, suína e ovina. Na União Europeia, as temperaturas elevadas condicionaram o crescimento dos animais e pressionaram as cotações da carne de porco. Já os preços internacionais da carne bovina recuaram, devido ao aumento da concorrência entre exportadores do Brasil e da Austrália por outros mercados, após a intensificação das quotas de importação chinesas.

Os produtos lácteos registaram uma subida de 2,3%, sobretudo devido à redução da oferta de leite na União Europeia, também afetada pelo calor e pela seca.

O maior aumento verificou-se no açúcar, cujo índice da FAO disparou 11,9% em agosto. A evolução refletiu as expectativas de menores rendimentos da beterraba sacarina na União Europeia devido às condições meteorológicas adversas, os receios sobre o impacto do El Niño em produtores asiáticos, a redução da produção brasileira e a decisão da Índia de autorizar importações de açúcar bruto com isenção de direitos aduaneiros.

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