Agricultor a analisar grãos de milho colhidos num campo agrícola, durante a colheita numa exploração agrícola

UE reforça excedente agroalimentar

O comércio externo agroalimentar europeu manteve saldo positivo no primeiro semestre, apesar da quebra das exportações e da pressão de vários mercados

A União Europeia reforçou o seu excedente comercial agroalimentar no primeiro semestre de 2026, atingindo 23,9 mil milhões de euros, mais 1,4 mil milhões do que no mesmo período de 2025. O resultado surge apesar de as exportações terem recuado 2%, para 117,2 mil milhões de euros, segundo os dados da Comissão Europeia, divulgados pelo Eurostat.

As importações também diminuíram, mas a um ritmo mais acentuado: totalizaram 93,4 mil milhões de euros, menos 4% em termos homólogos, uma evolução sobretudo explicada pela descida dos preços do cacau. O saldo comercial beneficiou, assim, da redução do valor das compras externas e manteve a trajetória positiva do sector.

Exportações penalizadas pelo cacau, carne e azeite

A quebra das vendas externas esteve particularmente associada às categorias de café, chá, cacau e especiarias, cujas exportações diminuíram 1,1 mil milhões de euros, ou 16%. Só os produtos de cacau registaram reduções de volumes e preços.

Também as exportações de carne de suíno recuaram 773 milhões de euros (-12%), refletindo sobretudo preços mais baixos e menores volumes para mercados como a China, o Japão, as Filipinas e o Reino Unido. O azeite e as azeitonas registaram uma quebra de 432 milhões de euros (-13%), igualmente influenciada pela descida dos preços e dos volumes.

Em sentido contrário, os espirituosos e licores foram a categoria com maior crescimento, com mais 405 milhões de euros exportados, equivalente a uma subida de 10%.

EUA perdem peso

Entre os principais mercados de destino, os Estados Unidos registaram a maior redução das compras de produtos agroalimentares europeus. As exportações para o país caíram 11%, menos 1,7 mil milhões de euros, depois dos níveis particularmente elevados observados nos primeiros meses de 2025, num contexto de antecipação de possíveis tarifas norte-americanas.

O Reino Unido foi o segundo mercado com maior quebra, com uma redução de 3%, equivalente a 837 milhões de euros. Também o Japão registou uma descida de 12%, menos 492 milhões de euros, sobretudo devido à redução dos preços do tabaco e dos volumes de carne de suíno.

A instabilidade das rotas marítimas teve igualmente impacto. O encerramento do Estreito de Ormuz a partir de março penalizou as exportações para os Emirados Árabes Unidos, que diminuíram 25%, ou 395 milhões de euros. Em junho, contudo, os valores estavam já próximos dos níveis médios.

Egito e Índia ganham relevância

A evolução foi mais favorável noutros mercados. As exportações para o Egito cresceram 28%, mais 278 milhões de euros, sobretudo devido ao aumento das vendas de trigo. Para a Ucrânia, aumentaram 12%, ou 247 milhões de euros, enquanto as vendas para a Índia subiram 26%, mais 174 milhões de euros, principalmente devido aos embarques de óleo de girassol.

Menos importações de cacau e cereais

Do lado das compras externas, a categoria de café, chá, cacau e especiarias apresentou a maior redução, com uma quebra de 3,6 mil milhões de euros (-17%). A descida foi sobretudo determinada pelo recuo de 26% dos preços dos produtos de cacau, que reduziu o valor das importações em 3 mil milhões de euros.

As importações de cereais diminuíram 715 milhões de euros (-15%), enquanto as de oleaginosas e culturas proteicas recuaram 345 milhões (-3%). Em sentido contrário, as compras de frutas e frutos de casca rija cresceram 503 milhões de euros, ou 3%.

Entre os fornecedores, o Brasil reforçou a sua posição, com um aumento de 5%, equivalente a 425 milhões de euros, sobretudo devido ao crescimento das importações de soja. Também Argentina e Guatemala aumentaram as vendas para o mercado europeu.

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