Imagem minimalista de um carrinho de compras, isolado contra um fundo laranja vibrante

Marca da distribuição cresce mais do que as marcas de fabricante na Europa

As vendas de marca da distribuição (MDD) cresceram 4,1% em valor na Europa em 2025, superando o avanço de 2,7% registado pelas marcas de fabricante. Portugal encontra-se entre os mercados europeus onde a MDD apresenta uma das maiores taxas de penetração, segundo uma análise da IGD sobre a evolução global deste segmento.

Mais do que uma resposta ao preço, a evolução revela uma alteração na perceção dos consumidores: 52% considera que a qualidade dos produtos de marca da distribuição é tão boa como a das marcas de fabricante, enquanto 47% afirma que o preço já não é o principal motivo para escolher MDD.

Portugal entre os mercados com maior peso da MDD

O Reino Unido, tradicionalmente um dos mercados de referência para a marca da distribuição, terminou 2025 com uma quota de 44,3% das vendas de alimentação em valor, acima da média europeia de 39%.

Ainda assim, há quatro mercados europeus onde a penetração da MDD é superior à britânica: Suíça, Portugal, Espanha e Alemanha. No total, oito países europeus apresentam já quotas superiores a 40%. A informação divulgada pela IGD através da ESM não especifica, contudo, a quota concreta de Portugal.

Para Sneha Haria, insight manager da IGD, estes resultados mostram que a marca da distribuição ultrapassou o papel tradicional de alternativa económica e está cada vez mais a competir com as marcas de fabricante em dimensões como qualidade, inovação e relevância para o consumidor.

Segundo a responsável, os consumidores já não estão simplesmente a fazer trading down para reduzir a despesa: estão a escolher deliberadamente produtos de marca própria em detrimento das marcas de fabricante.

Retalhistas tratam a marca própria como uma marca

A mudança está também a acontecer do lado dos operadores. A IGD observa que os retalhistas gerem cada vez mais os seus programas de MDD como verdadeiras marcas, investindo em desenvolvimento de produto, embalagem, inovação e marketing.

O objetivo deixou, assim, de passar apenas por oferecer uma alternativa mais barata, procurando construir propostas capazes de gerar confiança, diferenciação e fidelidade.

A IGD destaca a Kirkland, da Costco, como o maior exemplo à escala mundial. A marca própria terá gerado mais de 90 mil milhões de dólares, cerca de 78 mil milhões de euros, em vendas em 2025.

Na Europa, operadores como Migros e Lidl são apresentados como exemplos de retalhistas que conseguiram construir marcas próprias capazes de gerar fidelização através da qualidade, consistência e inovação e não exclusivamente através do preço.

“A linha entre marca da distribuição e marcas de fabricante continua a esbater-se”, considera Sneha Haria, acrescentando que os retalhistas com melhores resultados estão a criar marcas que os consumidores procuram ativamente, recomendam e em que confiam.

Saúde e bem-estar são a próxima oportunidade

A saúde e o bem-estar são identificados pela IGD como uma das principais áreas de crescimento futuro para as marcas da distribuição.

Os retalhistas estão a utilizar as suas próprias marcas para entrarem ou reforçarem a presença em segmentos de maior crescimento, como proteína, nutrição funcional, suplementos, saúde intestinal e outras soluções de bem-estar.

Entre os exemplos apontados encontram-se a expansão da gama Wellthy da Boots e a entrada do Carrefour Bélgica nos suplementos de marca própria. A IGD identifica ainda oportunidades na criação de produtos dirigidos a novas necessidades de saúde, incluindo as associadas aos consumidores que utilizam tratamentos GLP-1.

Neste contexto, a saúde poderá permitir às insígnias competir através de fatores como conhecimento, confiança e inovação, reduzindo ainda mais a dependência do preço como principal argumento da MDD.

MDD cresce também nos Estados Unidos

A tendência não se limita à Europa. Nos Estados Unidos, as vendas de marca da distribuição alcançaram 282,8 mil milhões de dólares, cerca de 245,1 mil milhões de euros, em 2025, crescendo a um ritmo quase três vezes superior ao das marcas nacionais.

A análise da IGD enquadra esta evolução numa transformação mais ampla da MDD, que está a passar de ferramenta essencialmente orientada para valor e preço para uma plataforma de diferenciação dos próprios retalhistas.

O relatório “Evolution of Global Private Label Trends”, publicado no final de julho, analisa precisamente esta evolução da marca da distribuição, incluindo crescimento, premiumização e mudanças no comportamento dos consumidores que deverão condicionar a próxima fase do retalho alimentar.

Publicidade

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
Siga-nos em sidebar-1