Mulher a segurar uma caixa de madeira com legumes e verduras frescos Foto Shutterstock

Tempestades fazem cair exportações de FLF

As vendas externas de frutas, legumes e flores recuaram no primeiro semestre, mas a Portugal Fresh espera recuperar até ao final do ano

As exportações portuguesas de frutas, legumes, plantas ornamentais e flores recuaram 3,5% em valor e 5,9% em quantidade entre janeiro e junho de 2026, face ao mesmo período do ano passado. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), compilados pela Portugal Fresh, refletem o impacto das tempestades que atingiram o país no início do ano e provocaram danos significativos nas explorações agrícolas.

Nos primeiros seis meses do ano, as vendas externas do sector totalizaram 1.226 milhões de euros, correspondentes a 747 mil toneladas. Em sentido contrário, as importações aumentaram 4,2% em valor e 2,8% em quantidade, agravando o défice comercial do sector para mais de 300 milhões de euros, contra 197 milhões no primeiro semestre de 2025 e 178 milhões em 2024.

Tempestades reduziram oferta para exportação

A sequência de tempestades Ingrid, Joseph e Kristin provocou a destruição de culturas, danos em estufas e a inutilização de sistemas de rega. Os prejuízos reduziram a disponibilidade de produtos destinados aos mercados externos e acabaram por se refletir nos resultados do primeiro semestre.

A Portugal Fresh tinha já alertado para o impacto que as intempéries poderiam ter na capacidade exportadora do sector, numa altura particularmente exigente para os produtores nacionais. “Os números do primeiro semestre já eram esperados, uma vez que resultam, sobretudo, do impacto das tempestades que atingiram o país no início do ano”, afirma Gonçalo Santos Andrade, presidente da Portugal Fresh. O responsável considera, contudo, que a quebra não compromete necessariamente o resultado anual. A associação acredita ser possível voltar a atingir os 2,6 mil milhões de euros de exportações registados em 2025.

Espanha concentra 37% das exportações

Espanha mantém-se como o principal destino das frutas, legumes e flores portuguesas. Entre janeiro e junho, absorveu 446 milhões de euros de produtos, 37% do total exportado pelo sector.

O mercado espanhol é também o principal fornecedor de Portugal, com vendas de 870 milhões de euros no período, equivalentes a 57% das importações, que ascenderam a cerca de 1,5 mil milhões de euros.

O resultado é uma balança comercial negativa com Espanha superior a 400 milhões de euros.

Para a Portugal Fresh, esta relação comercial evidencia uma crescente dificuldade competitiva dos produtores portugueses face aos espanhóis, sobretudo devido às diferenças nos apoios públicos e aos custos de produção.

Sector reclama condições para competir

A associação considera que 2026 está a ser um ano particularmente difícil para produtores e exportadores agroalimentares, apontando a insuficiência dos apoios concedidos na sequência das intempéries e a pressão sobre os custos.

A situação é agravada, segundo a Portugal Fresh, pela concorrência espanhola. A associação destaca os apoios concedidos em Espanha aos fertilizantes e ao gasóleo agrícola, medidas destinadas a atenuar o impacto sobre os produtores num contexto marcado também pela guerra no Médio Oriente.

“Concorremos com ferramentas financeiras muito diferentes dos produtores espanhóis e os nossos custos também cresceram muito”, sublinha Gonçalo Santos Andrade, considerando que “a diferença de apoios ao sector é abismal”.

Portugal Fresh mantém confiança no segundo semestre

Apesar dos resultados negativos na primeira metade do ano, a associação mantém uma perspetiva positiva para os próximos meses. Com o período mais crítico das tempestades ultrapassado, espera-se uma recuperação da produção e da capacidade de resposta dos produtores aos mercados internacionais.

Espanha, França, Países Baixos, Alemanha e Reino Unido continuam a ser os principais destinos das exportações portuguesas de frutas, legumes e flores, sustentadas pela procura e pela valorização dos produtos nacionais.

A Portugal Fresh acredita que o sector poderá recuperar terreno no segundo semestre e aproximar-se, no conjunto de 2026, do valor de exportações alcançado no ano passado.

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