A The Magnum Ice Cream Company encerrou o primeiro semestre de 2026 com receitas de 4.691 milhões de euros, mais 4,2% em termos reportados. O crescimento orgânico atingiu 4,7%, superando as expectativas dos analistas, apoiado por uma subida de 2,5% nos volumes e de 2,2% nos preços.
O arranque quente do verão europeu favoreceu o consumo de gelados, sobretudo no final do período, juntando-se ao contributo dos novos produtos e à melhoria da execução comercial. A empresa afirma ter crescido e ganhado quota em todas as regiões, incluindo nos Estados Unidos, o seu maior mercado.
No segundo trimestre, as receitas atingiram 2.921 milhões de euros, mais 7,8% em valores reportados e 4,9% organicamente. A progressão orgânica desacelerou face aos 7% registados no período homólogo, apesar das condições meteorológicas favoráveis na Europa.
Volume e preços contribuem para crescimento
O desempenho semestral apresentou uma contribuição relativamente equilibrada entre os volumes, que aumentaram 2,5%, e os preços, com uma subida de 2,2%.
A integração das operações adquiridas na Índia e em Portugal acrescentou 2,3 pontos percentuais às receitas reportadas. Em sentido contrário, a valorização do euro, sobretudo face à lira turca e ao dólar, teve um impacto cambial negativo de 2,7 pontos. Excluindo as anteriores receitas de royalties destes dois mercados, o crescimento orgânico subjacente teria sido de 4,8%.
A empresa concluiu a aquisição das operações indianas em 30 de março e das portuguesas em 1 de abril. Ambas começaram a contribuir para os indicadores orgânicos a partir do segundo trimestre.
Europa cresce em volume com preços mais baixos
A região que reúne Europa, Austrália e Nova Zelândia gerou receitas de 1.961 milhões de euros, mais 5,4% em termos reportados. O crescimento orgânico foi de 4,1%, sustentado por um aumento de 4,8% nos volumes, enquanto os preços recuaram 0,6%.
Só no segundo trimestre, os volumes regionais avançaram 5% e os preços diminuíram 0,8%. França apresentou um crescimento de dois dígitos e o Reino Unido uma progressão média de um dígito, enquanto a operação italiana estabilizou as vendas após um período prolongado de quebra.
Magnum e Ben & Jerry’s destacaram-se na região, apoiadas por novos sabores, formatos e ganhos de distribuição. A empresa refere igualmente uma melhoria da disponibilidade nas lojas e da execução nos lineares.
Ben & Jerry’s cresce 9,2% no segundo trimestre
As quatro principais marcas da companhia (Magnum, Ben & Jerry’s, Cornetto e Heartbrand) apresentaram crescimento no semestre. A marca Magnum avançou a um ritmo médio de um dígito, apoiada por lançamentos como Magnum Signature La Pistache e novos cones. A versão La Pistache foi identificada pela empresa como a principal inovação de gelados na Europa.
A Ben & Jerry’s também cresceu a um ritmo médio de um dígito no semestre e acelerou para 9,2% no segundo trimestre. A introdução de gelados em formato de pau e sanduíche permitiu chegar a novas ocasiões de consumo e aumentar a presença tanto na Europa como nas Américas.
A Cornetto apresentou um crescimento reduzido, apoiado pela Pistachio MAX, por novas variantes de sorvete de fruta e pela reformulação da cobertura dos cones. A Heartbrand avançou a um ritmo médio de um dígito, impulsionada pela Solero, pelos novos Bonbons e pela gama Volcanix.
A Yasso, posicionada no segmento de produtos com mais proteína e menos calorias, manteve um crescimento de dois dígitos depois de ter alargado a oferta dos formatos individuais para embalagens destinadas ao consumo à colher.
Comércio digital mantém crescimento de dois dígitos
Os canais destinados ao consumo em casa e fora de casa cresceram ambos a um ritmo médio de um dígito. Nas lojas, a companhia beneficiou de melhores níveis de serviço, maior disponibilidade dos produtos e visitas mais frequentes das equipas comerciais. Nos Estados Unidos, reforçou a presença nos segmentos de preço e nos clubes de compras.
O canal fora de casa foi apoiado pela expansão da rede de arcas congeladoras em mercados como Índia, Paquistão, China e México. O comércio digital manteve uma progressão de dois dígitos, beneficiando da colaboração com plataformas e da melhoria dos conteúdos e ativos digitais.
Poupanças atingem 90 milhões de euros
O EBITDA ajustado aumentou de 853 milhões para 880 milhões de euros, uma subida de 3,2%. A margem, contudo, recuou de 19% para 18,7%, pressionada pelos custos dos acordos transitórios de serviços com a Unilever e pela incorporação da operação indiana.
O EBIT ajustado avançou de 666 milhões para 716 milhões de euros e a respetiva margem aumentou 50 pontos base, para 15,3%. O resultado operacional atingiu 587 milhões de euros, comparativamente a 569 milhões no primeiro semestre de 2025.
O programa de produtividade gerou poupanças de 90 milhões de euros, das quais 70 milhões na cadeia de abastecimento e 20 milhões nas estruturas administrativas. O objetivo de médio prazo é alcançar economias anuais de 500 milhões de euros.
Lucro recua para 349 milhões de euros
Apesar da melhoria operacional, o lucro líquido diminuiu de 464 milhões para 349 milhões de euros. A evolução foi condicionada pelo aumento dos custos financeiros, por encargos adicionais de separação e reestruturação, por uma perda monetária associada à hiper inflação na Turquia e por impostos mais elevados. A dívida líquida atingiu 3.264 milhões de euros no final de junho.
O fluxo de caixa livre quase duplicou, passando de 138 milhões para 273 milhões de euros, beneficiando de uma evolução favorável do fundo de maneio e do aumento da geração de caixa operacional.
Previsões anuais mantidas
A Magnum manteve as perspetivas para 2026, antecipando um crescimento orgânico das vendas entre 3% e 5%. A empresa prevê ainda melhorar a margem de EBITDA ajustado entre 40 e 60 pontos base numa base comparável. Em termos reportados, o avanço deverá limitar-se a um intervalo entre zero e 20 pontos base, devido sobretudo ao efeito da aquisição da operação indiana.
A administração reconhece a incerteza associada ao contexto internacional e aos custos das matérias-primas, em particular no Médio Oriente. Analistas citados pela Reuters consideraram, contudo, que a manutenção das previsões, depois de um primeiro semestre acima das expectativas e de condições meteorológicas favoráveis, poderá revelar prudência relativamente ao desempenho após o verão.








