A eficiência, a colaboração e a digitalização estiveram no centro do 3.º Encontro Hortofrutícolas promovido pela GS1 Portugal, que reuniu produtores, retalhistas, associações sectoriais e autoridades para debater os principais desafios e oportunidades da cadeia hortofrutícola em Portugal.
Num contexto de crescimento do sector, mas também de pressão crescente sobre custos, recursos e cadeias de abastecimento, os participantes defenderam uma maior integração de informação e uma colaboração mais estreita entre todos os intervenientes, desde a produção até ao consumidor final.
Na abertura do encontro, Paulo Gomes, diretor-geral da GS1 Portugal, sublinhou a importância de uma cadeia baseada em dados fiáveis, interoperáveis e verificáveis, destacando o papel da organização na promoção da transição digital do sector.
Também João Dias, do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral do Ministério da Agricultura e Mar, destacou o crescimento consistente da fileira hortofrutícola portuguesa, com recordes de exportação em 2024 e forte peso da União Europeia como principal destino. Ainda assim, alertou para desafios estruturais como as alterações climáticas, a escassez de mão de obra, a revisão da Política Agrícola Comum (PAC), os custos de produção e a gestão do regadio.
Durante o debate sobre competitividade, os representantes do sector apontaram a necessidade de reforçar a organização da produção e aumentar a capacidade de investimento. Augusto Ferreira, da Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal, defendeu cooperativas mais robustas e com maior escala financeira, enquanto Rodrigo Vinagre, do Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional, alertou para a necessidade de uma distribuição mais equilibrada do valor ao longo da cadeia.
Benefícios da nova geração de códigos bidimensionais
A transformação digital surgiu como um dos grandes temas do encontro. Raquel Abrantes, diretora de qualidade e standards da GS1 Portugal, destacou o potencial da nova geração de códigos bidimensionais, capazes de armazenar mais informação e facilitar a rastreabilidade e a comunicação com o consumidor.
Como exemplo prático, Pedro Manuel, fundador da Bitcliq Technologies, apresentou o projeto “O Génio da Embalagem no Morango 4.0”, demonstrando como a codificação 2D pode integrar informação nutricional, dados de rastreabilidade e instruções de reciclagem numa única embalagem.
A logística e a gestão da cadeia de abastecimento também estiveram em destaque. Bárbara Fraga, da Logistema, apresentou a plataforma colaborativa Flowpack como solução para melhorar o planeamento, reduzir desperdícios e aumentar a capacidade de resposta a ruturas ou oscilações da procura.
O encontro contou ainda com contributos internacionais de especialistas ligados à rede global da GS1, incluindo representantes da GS1 in Europe, GS1 Kenya e AECOC/GS1 Spain, que destacaram a importância da harmonização de dados e da digitalização para reforçar a sustentabilidade e a segurança alimentar.
Durante a iniciativa foram também divulgados os resultados da segunda edição do estudo “Tracking Hortofrutícolas”, que avaliou o desempenho logístico e comercial entre fornecedores e retalhistas. Apesar da relação comercial sólida identificada, o estudo concluiu que ainda existe margem para melhorar a comunicação, o planeamento conjunto e a gestão de picos de procura.
Na cerimónia de encerramento, a Planície Verde foi distinguida como melhor fornecedor e a MC Sonae recebeu o prémio na categoria de retalho.








