Os produtos clean label estão a ganhar relevância crescente nos carrinhos de compras., à medida que os consumidores procuram listas de ingredientes mais curtas, simples e fáceis de compreender.
A conclusão é de um estudo da GlobalData, que identifica a transparência e a simplicidade como fatores-chave na decisão de compra, num contexto de maior foco na saúde e no bem-estar.
Simplicidade e transparência no centro da decisão de compra
De acordo com os dados analisados, os consumidores valorizam cada vez mais produtos com ingredientes familiares, rótulos claros e processos de fabrico minimamente processados. Segundo Eve Forshaw, analista de consumo da GlobalData, os alimentos clean label destacam-se por “privilegiarem a simplicidade e a transparência, com ingredientes reconhecíveis e informação fácil de ler”.
O estudo sublinha que o crescente interesse por nutrição saudável e wellness está a alargar de forma consistente a oferta de produtos clean label no retalho alimentar.
Consumidores atentos aos ingredientes, mas confusos
Os inquéritos realizados pela GlobalData em 2025 mostram que 66% dos consumidores escolhe frequentemente — ou sempre — produtos com base nos benefícios percebidos para a saúde. Paralelamente, 69% afirma verificar ativamente a lista de ingredientes durante as compras.
No entanto, quase metade dos inquiridos (48%) admite ter dificuldade em perceber quais os produtos que são, de facto, saudáveis. Listas longas de ingredientes e informação nutricional pouco clara contribuem para esta confusão. Assim, cria-se uma oportunidade clara para produtos clean label com propostas mais simples e legíveis.
Retalhistas encontram oportunidade
A GlobalData destaca o papel do retalho na capitalização desta tendência. A consultora aponta o exemplo da Marks & Spencer, que promove gamas clean label através da valorização explícita do reduzido número de ingredientes utilizados.
Apesar do potencial, o estudo alerta para os desafios associados ao preço. A utilização de ingredientes naturais e a exclusão de aditivos artificiais tendem a aumentar os custos de produção, dificultando a manutenção de preços competitivos.
De facto, o fator preço continua a ser determinante: 83% dos consumidores considera essencial que os produtos sejam acessíveis. E estão dispostos a trocar de marca ou a abdicar da compra se os preços forem percecionados como elevados.
Segundo Eve Forshaw, o conceito clean label está alinhado com prioridades centrais dos consumidores — estilos de vida mais saudáveis, simplicidade e transparência dos ingredientes. No entanto, corre o risco de se tornar um nicho se for excessivamente associado a preços premium. “Marcas e retalhistas que consigam equilibrar a credibilidade clean label com preços acessíveis estarão mais bem posicionados para transformar esta tendência em crescimento sustentado”, sublinha a analista.








