Vista aérea de floresta densa com ícones digitais de sustentabilidade, CO₂, ESG, energia renovável e net zero sobrepostos, simbolizando transição ecológica e descarbonização Foto Shutterstock

Emissões de GEE na Europa caíram 20% em 11 anos

Entre 2013 e 2024, as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) resultantes de atividades económicas e das famílias na União Europeia diminuíram cerca de 20%. O total chegou a cerca de 3,3 mil milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2024, revela o Eurostat.

Este recuo expressivo traduz uma trajetória de descarbonização sustentada, impulsionada pelas políticas climáticas, penetração crescente das energias renováveis e eficiência energética.

A queda não foi, contudo, uniforme em todos os sectores. A energia (produção e fornecimento) teve a maior redução (-49%), reflexo da substituição do carvão pelas renováveis e pelo gás natural e o aumento da eletrificação limpa. Na indústria e manufatura, houve uma queda de cerca de 18% devido à modernização energética e eficiência. Já na mineração e extração, a diminuição foi de 37%. Nos serviços, contudo, foi mais moderada (-14%).

Em contrapartida, a construção revelou um ligeiro crescimento das emissões (+6%). Este crescimento foi mais expressivo nos transportes e armazenagem (14%), sector que continua a ser um desafio persistente na transição climática.

A situação dos transportes reflete padrões mais amplos. Ao mesmo tempo que a economia europeia descarboniza em sectores como a energia e a indústria, outros dependem fortemente dos combustíveis fósseis e modos de deslocação tradicionais. Por isso, continuam a empurrar emissões para cima.

Intensidade das emissões e eficiência climática

Um indicador que acompanha a evolução da economia climática — a intensidade de emissões (emissões por unidade de valor acrescentado bruto) — caiu cerca de 34%, entre 2013 e 2024. Este indicador mostra que a economia europeia está a criar mais valor por tonelada de CO₂ emitida e evidencia ganhos de eficiência energética e desvinculação parcial entre crescimento económico e emissões.

Os dados de emissões regionais enquadram-se num quadro mais amplo de metas climáticas da União Europeia. O objetivo legal é reduzir as emissões líquidas em pelo menos 55% até 2030, face a 1990, e alcançar neutralidade climática até 2050. Relatórios recentes indicam que, mesmo com as políticas atuais, a União Europeia está a caminho de se aproximar da meta de 55% (aproximadamente 54%), desde que as medidas planeadas sejam implementadas em pleno.

Esta trajetória positiva coloca a União Europeia como uma das regiões desenvolvidas com maior histórico de redução de emissões no longo prazo. Ainda assim, continua sob pressão para acelerar a redução nos sectores mais resistentes, como os transportes e a agricultura.

Desde 1990, as emissões de GEE na União Europeia caíram mais de um terço, reforçando que a tendência de redução de longo prazo é robusta. A Europa representa hoje uma fração significativamente menor das emissões mundiais, caindo de cerca de 15% em 1990 para aproximadamente 6% em 2023.

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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